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Coronavírus: quando atitudes simples (como lavar as mãos) fazem toda a diferença

Em meio a este mundo caótico e sobrecarregado de informações, recentemente tivemos de nos adaptar a um “novo flagelo” mundial: o coronavírus. Uma epidemia recente, com uma mutação de vírus comum, como acontece com outros que podem ser graves, e muitas vezes levar à morte.

Drª Maria José Femenias Vieira**

Isso nos faz rever os cuidados que precisamos redobrar, não apenas com a alimentação, mas com a difusão dessa e de outras doenças.

Os vírus, em geral, são transmitidos de pessoa para pessoa por contato direto, principalmente pelas gotículas geradas por tosse, espirro, ou mesmo durante a fala e que se depositam nas mucosas nasal, oral ou dos olhos. Podem ser transmitidos pelas mãos das pessoas que tiveram contato com superfícies contaminadas por secreções respiratórias.

O contágio, em geral, pode se dar de 1 a 7 dias após os primeiros sintomas, que podem aparecer em até 14 dias após contraído o vírus em questão. Por isso, alguns indivíduos sãos podem já ser portadores sem saber, mas isso não impede que transmitam a doença.

Este é um dos motivos da dificuldade de controlar a transmissão que têm grande capacidade de mutação.

Para não confundir com um resfriado comum, esse não causa morte. Os sintomas são coriza, espirros, olhos lacrimejantes, ou seja, a grosso modo, pode-se dizer que fica ao nível da cabeça e em geral não há estado febril. Contudo, vale a conscientização da seguinte informação: gripe é uma doença e pode levar à morte, como qualquer doença que encontre uma pessoa fragilizada; e tem de ser tratada e prevenida.

De tudo o que lemos e ouvimos, seja do meio científico, seja da imprensa, ficou uma importante mensagem: o causador de uma doença pode ser forte, mas se encontrar um hospedeiro também forte, as manifestações da entidade mórbida serão fracas ou talvez nem se manifestem.

Algumas informações sobre a importância de lavar as mãos só vieram à tona após a manifestação de outras viroses graves como H1N1, Gripe Suína, entre outras. Isto deve ser seguido para evitar o aumento de contágios e a população deve ser orientada. Pode parecer simples, mas não é, e poucos são os que respeitam esta orientação. Imagine o número de pessoas que molham os dedos na saliva para separar papéis, ou roem as unhas, ou limpam os dedos com a própria saliva após experimentarem algum alimento com as mãos. Pobre “vírus coronavírus” ou qualquer outro agente infeccioso, que acabam sendo os vilões da história. Por incrível que possa parecer, a maior parte das pessoas não lava as mãos com a frequência desejada. Mesmo profissionais de saúde não têm este hábito enraizado na sua rotina diária. Portanto, é muito importante lavar as mãos antes de se alimentar. Isso é evidente, mas poucos têm este hábito. Claro que quando se ingere alimentos, o contato com as mãos é muito próximo das áreas por onde vírus, bactérias e fungos são transmitidos.

Uma sugestão para as empresas seria deixar cartazes próximos das áreas de alimentação e em lugares estratégicos até que isso se torne um hábito.

As empresas podem também utilizar a Intranet para relembrar esta dica e também a sugestão de que, quando se espirra, é necessário proteger a boca com lenço ou papel e em seguida lavar as mãos ou usar álcool gel, que pode ficar à disposição em lugares estratégicos da empresa. Outro dado importante é liberar o funcionário quando há forte suspeita de estado doença infecciosa, como uma gripe, após ser avaliado pelo médico do trabalho ou ser encaminhado a serviço de saúde.

Isso poderá impedir que a doença se propague mais rapidamente. Mesmo em casos de resfriado comum, quando os espirros e tosse são mais intensos, há maior probabilidade de transmissão de bactérias e é melhor ter uma pessoa doente em casa, do que várias pessoas retransmitindo os agentes causadores das doenças.

Vale lembrar que a maioria dos funcionários são pais e que as crianças são os principais agentes transmissores das doenças – devido ao período escolar – e não têm o discernimento de como se proteger para impedir a transmissão de doenças.

A orientação quanto à dieta adequada, que permita que o corpo fique imunologicamente mais forte, é muito importante e pode ser feita pela própria equipe de nutrição da empresa, quando disponível, e que planejará a dieta ideal diariamente, com as misturas e calorias adequadas.

A sugestão de ingestão de água em quantidade adequada determina melhora do sistema imunológico, além de fluidificar as secreções, especialmente das vias aéreas superiores, por onde a maior parte dos agentes bacterianos e virais entra no organismo.

Quando possível, deve-se permitir a abertura das janelas periodicamente para que o ar circule um pouco, mesmo que o recinto tenha ar condicionado.

De todas as vantagens, a mais importante foi a conscientização da população sobre a vulnerabilidade ante um vírus que pode levar à morte. Em geral, recebemos as notícias de doenças, acidentes em todos os cantos do mundo, e fica algo no inconsciente de que isso acontece com os outros e não pode acontecer conosco ou com alguém da família. Isto mudou com a divulgação dessa epidemia pela mídia e com os casos concretos de pessoas que foram a óbito.

Outra “vantagem” de uma epidemia é a possibilidade de desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisas para novas formas de prevenção e tratamentos e melhora de exames diagnósticos. Neste caso em que estamos vivendo, por exemplo, quem quiser acompanhar a progressão do Wuhan Coronavirus (2019-nCov), o Johns Hopkins Center for Systems Science and Engineering (CSSE) construiu e está atualizando regularmente um painel para rastrear a disseminação mundial do surto.

O site apresenta estatísticas e um mapa que possibilita entender melhor os locais onde há contaminação do vírus:

http://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6.

Por outro lado, deve-se pensar nas outras “epidemias” que estão ao nosso redor e das quais não nos damos conta por não aparecerem como doenças concretas. Será que não estamos banalizando a vida pelo número enorme de tragédias que temos tido contato pela mídia? Será que não é o momento de pensar não só nas epidemias de gripes e lembrar de que temos outras ao nosso redor, que nós mesmos sustentamos?

Será que não somos responsáveis pela epidemia de acidentes de moto, pois temos pressa de receber documentos e mensagens que os “boys” têm de fazer chegar a nossas mãos em tempo hábil, caso contrário eles perdem o emprego?

Será que não somos responsáveis pelas doenças sexualmente transmissíveis como herpes, hepatites, HPV, AIDS e outras mais que nossos jovens ficam sujeitos nas baladas de todas as madrugadas da semana?

Vale pensar e refletir sobre o quanto não mantemos situações que poderiam ser minimizadas por mudanças de hábitos e revisão do que realmente é prioritário.

No mundo atual, com tantos avanços da medicina e com o controle de várias doenças que no século passado levariam à morte, deve-se lembrar o quanto a vida é efêmera, independentemente de posição social, condições financeiras ou culturais e que o mais importante é prevenir e não “remediar”.

O ideal é que não tenham epidemias, porem pela facilidade de deslocamento das pessoas entre os continentes, elas continuarão existindo. Por isso, estamos todos no mesmo barco, rumo ao futuro. Quanto mais respeito e ética tivermos pelos outros e pelo próprio corpo, que é a nossa maior empresa, mais preparados estaremos para esta grande viagem que é a VIDA. Que seja uma linda viagem. Com sonhos e poucos medos. Com perdas e muito aprendizado com elas. Com a confiança de que a vida é vulnerável, mas é bela.

Primeiro pelo seu passado, cheio de lembranças, memórias e lutas. Também é belíssima pelo tempo presente que, no final, é o que realmente temos e, como o próprio nome diz, é um grande presente. E o que fazemos com ele, hoje, determinará, finalmente, o nosso futuro, que é a página em branco (o que nos dá um grande “poder” e muita responsabilidade).

Que as escolhas sejam, portanto, direcionadas para a vida e que esta seja em abundância.

** Drª Maria José Femenias Vieira – cirurgiã do aparelho digestivo (CRM SP 36525) formada em 1979 pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com Pós-Graduação em Cirurgia do Aparelho Digestório. Médica do Serviço de Check-up do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – São Paulo, especialista em Cirurgia Geral pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, especialista em Psicossomática pelo Instituto Sedes Sapientiae – São Paulo.

fonte – Assessoria de Imprensa/imagem divulgação/imagem de abertura – pixabay (gerd altmann)