VIOLÊNCIA URBANA: NÃO HÁ BALA PERDIDA, MAS CORPO ACHADO PELA BALA DA PM

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Wanderley Parizotto – economista

“A jovem Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, morta por uma bala perdida durante um confronto entre policiais militares e bandidos em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio, tinha esperanças e expectativas da maternidade e do quanto queria para o filho um mundo melhor.” Ambos foram assassinados.

As balas partiram de armas usadas pela PM  e de lugares onde ela estava.

Desde janeiro de 2019, quando Bolsonaro assumiu a presidência, a violência praticada pelas policias militares dos estados cresceu assustadoramente. Os números são incontestáveis.

Em nenhum momento da nossa história recente, tantos tão pretos quanto pobres e tão pobres quanto pretos, foram perseguidos, presos, surrados e mortos pelas PMs como agora.

O atual presidente e seus governadores aliados incentivam e comemoram ações criminosas das PMs.

Ele e seus seguidores incorporaram o “cancelamento de CPFs” ( assassinatos) ao seu linguajar corriqueiro.

Em uma cidade de Goiás, um jovem foi detido pela PM porque estava fazendo ginástica na praça. Homem preto.

Outro (também preto) perdeu o olho, depois de tomar um tiro de borracha da PM em Recife. Havia  simplesmente ido comprar meio quilo de carne moída, mas foi confundido com manifestantes de ato contra Bolsonaro. E se estivesse em ato contra Bolsonaro, seria crime?

E neste mesmo dia, a PM jogou spray de pimenta nos olhos de uma senhora. E nada de efetivo aconteceu para puni-los.

Na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, numa ação criminosa da PM, 28 pessoas foram mortas. Destas, somente quatro tinham passagem pela polícia. Diversas foram torturadas, outras obrigadas a levar corpos para veículos. Alguém foi punido? Não.  Vale lembrar que o governador do Rio é bolsonarista raiz, e se reuniu com Bolsonaro dois dias antes do morticínio.  O Jacarezinho é uma área disputada por traficantes e milicianos/evangélicos.  

Dia sim, outro também, notícias relatam PMs em ações violentas que acabam com mortes de crianças ou jovens pretos, por balas perdidas.

Não são balas perdidas. Mas corpos achados na sanha da violência bolsonarista.

A situação está fugindo do controle. Bolsonaro tem ligação direta com PMs, promete melhores salários, vida melhor e etc.

Se os governadores, responsáveis pelas PMs, não tomarem medidas duras contra esta situação de terrorismo de farda, eles próprios serão atingidos pela violência.

Não é mais possível compactuar com isso. Governadores tenham, no mínimo, decência, e façam alguma coisa. Caso contrário, PMs, milícias e evangélicos pentecostais, guiados pelo criminoso Bolsonaro farão, e teremos o caos generalizado.

imagem de abertura: Kathlen de Oliveira Romeu (fonte- reprodução)

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