Brasil teve 3, 7 mil casamentos homoafetivos em 2013

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Muitos casamentos são realizados em cerimônias coletivas, como o da travesti Jane Di Castro, que oficializou sua união de 47 anos com Otávio Souza Bomfim
Fonte: Agência Brasil
 
No dia 23 de novembro, 160 casais homossexuais oficializaram união simultaneamente, no Armazém Utopia, zona portuária do Rio de Janeiro. A cerimônia de casamento civil homoafetivo foi considerada a maior do mundo, segundo a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, organizadora do evento. Jane Di Castro, travesti, atriz e cantora, estava lá. Ela não só oficializou sua união de 47 anos com o companheiro Otávio Souza Bomfim como também fez uma performance da música Emoções, de Roberto Carlos. “É um momento maravilhoso. Para quem veio da ditadura isso que estamos vivendo é um paraíso. É uma realização e uma vitória”, disse a noiva, de 68 anos, ao comentar que o marido foi o primeiro e o único amor da vida dela.
 
Em 2013, esta sensação de direito conquistado foi vivida por 3.701 casais  do mesmo sexo, segundo as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maioria dos casais (52%) era formada por mulheres. São Paulo liderou o número de casamentos.
 
Esta é a primeira vez que a pesquisa investiga o casamento entre pessoas de mesmo sexo, graças a uma aprovação do Conselho Nacional de Justiça (Resolução nº 175) que possibilita esse tipo de levantamento.
 
Em média, a idade dos casais homoafetivos foi de 37 anos para os homens e 35 anos para as mulheres. O Sudeste foi a região com o maior percentual de casamentos – 65,1%, seguida do Sul, com 14,2%, do Nordeste, com 13,4%, do Centro-Oeste, com 5,8%, e do Norte, com 1,5%. São Paulo detinha 80,8% dos registros.
 
O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, e seu companheiro, João Silva, foram os primeiros a ter a união convertida em casamento no estado do Rio de Janeiro, em 2011. Hoje, ele ajuda a transformar em realidade o sonho de centenas de casais homoafetivos. A superintendência promove desde 2011 cerimônias coletivas de casamento e de união estável, que já beneficiaram mais de 500 casais. 
 
“Aumenta, cada vez mais, a procura de casais homoafetivos para formalizar a união, para gerar mais segurança à relação, para adotar uma criança, aumentar a família, comprar um patrimônio”, comentou Nascimento. “Não basta ter o direito, é preciso dar à população LGBT condições de acesso a esses direitos, por isso fazemos cerimônias coletivas”, acrescentou. Segundo ele, essas cerimônias também servem para preparar oficiais e escrivães dos cartórios para a nova realidade.
 
O Supremo Tribunal Federal reconheceu em maio de 2011 a legalidade da união homossexual estável. Desde o ano passado, os casais homoafetivos podem registrar casamento civil nos cartórios do Rio de Janeiro. 
 
Em todo o país, os casamentos entre pessoas de sexo diferente passaram de 1,04 milhão. O número de casamentos aumentou 1,1% em 2013 em relação a 2012 e chegou a 1,1 milhão. O Sudeste concentrou a maior parte – 48,2%.
 
Também no ano passado,, foram concedidos 324,9 mil divórcios em primeira instância e sem recursos ou por escrituras extrajudiciais. O número representou queda de 4,9% em relação a 2012, 16.679 divórcios a menos. A maior incidência foi percebida nos casais com idade entre 40 e 44 anos para as mulheres e 45 e 49 anos para os homens.
 

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