Número de atropelamentos de idosos aumenta de forma preocupante; veja entrevista com especialista

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Idosos precisam de mais tempo para atravessar rua, mas maioria dos semáforos  não está adaptada a esta realidade. Com a agilidade prejudicada, muitas vezes eles se tornam vítimas
 
por Mariana Parizotto
 
 
Com o aumento da população idosa brasileira – já são mais de 18 milhões de pessoas com mais de 65 anos – surgem também preocupações que envolvem a mobilidade dos mais velhos. Com uma vida mais ativa, os idosos representam hoje 30% das vítimas de atropelamentos no Brasil.
 
E isso tem uma explicação. É que, com o avanço da idade, a agilidade na hora de caminhar fica prejudicada. A cabeça está boa, mas as pernas não obedecem. Mesmo certinho, atravessando na faixa de pedestre, o idoso pode descobrir que não vai dar tempo. Aí ele começa a correr, tropeça, corre riscos. 
 
Conversamos com o especialista em trânsito da Perkons, Luiz Gustavo de Oliveira Campos, sobre como deveria ser uma cidade que preza pela segurança dos idosos no trânsito e quais tecnologias poderiam reduzir estes tipos de acidentes. E pasmem! Nem precisamos ir até o outro lado do mundo, em terras japonesas, para conferir iniciativas com foco em pessoas com mobilidade reduzida… em Curitiba mesmo, a prefeitura colocou a mão na massa e instalou um sistema de semáforos bem interessante. 
 
Vejam a entrevista:
 
Como deveria ser o sistema de semáforos de uma cidade adaptada aos idosos?
Para facilitar e permitir um deslocamento mais seguro aos idosos e às pessoas com mobilidade reduzida, os semáforos de uma cidade adaptada a esses públicos deveriam oferecer um tempo maior para a travessia. Além disso, as vias mais extensas deveriam contar com refúgios ou canteiros para evitar a travessia de longas distâncias. 
 
Calçadas largas, regulares e sem obstáculo também estariam presentes ao longo de toda a cidade adaptada. 
 
Você pode citar países ou cidades que possuem um sistema inteligente de semáforos focado nas pessoas com mobilidade reduzida?
A Prefeitura de Curitiba implantou em 2015 uma tecnologia que permite a idosos e pessoas com mobilidade reduzida uma travessia mais segura. São semáforos inteligentes, acionados por pessoas portadoras do cartão de passagens de idoso e de pessoa com deficiência da Urbs (Urbanização de Curitiba S/A). O sistema funciona através de uma botoeira especial acoplada ao semáforo, que é acionada pelos cartões da Urbs. Ao identificar o cartão, o semáforo abre por mais alguns segundos além do programado – de 20% a 30% a mais do que o tempo de semáforo normal, segundo a Prefeitura.
 
Quais outras ações de infraestrutura, sinalização e educação de motoristas e pedestres poderiam garantir maior segurança aos idosos?
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2010, no Brasil, 30% das vítimas de atropelamentos eram idosos. As cidades ainda precisam evoluir muito em termos de infraestrutura para serem acessíveis a todos. Os acessos ainda são precários, as calçadas esburacadas, a iluminação inadequada, o tempo para cruzar as vias é curto e, especialmente, falta respeito dos outros usuários do trânsito com os idosos.
 
Além das limitações nos deslocamentos a pé, os idosos também podem ter dificuldades com veículos de transporte coletivo. Os ônibus, por exemplo, precisam ser adaptados, pois o piso elevado é uma barreira, os ruídos dificultam a audição e frenagens bruscas geram risco de quedas. 
 
Para que idosos convivam mais tranquilamente e com segurança no trânsito, também é necessária frota adaptada e respeito às regras já existentes, por exemplo: gratuidade para transporte coletivo urbano e semiurbano para pessoas acima de 65 anos mediante apresentação de documento comprobatório; a reserva de assentos nos transportes públicos devidamente identificados com placas visíveis; dois assentos com gratuidade em transportes interestaduais para idosos que recebam até dois salários mínimos e 50% de desconto para os que têm a mesma condição financeira caso os dois assentos já estejam ocupados; prioridade de embarque para transportes coletivos.
 
 

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