Vamos romper o silêncio: vítimas e famílias deixam de denunciar por acharem violência contra idosos algo comum e normal, alerta especialista

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O maior fator de bem estar e de qualidade de vida para um idoso é a sua própria família, porém é no âmbito familiar que a maioria das agressões – físicas, psicológicas e financeiras –  acontece

 

Por Jaqueline Santos

 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o maior fator de bem estar e de qualidade de vida para um idoso é a sua própria família, porém é no âmbito familiar que a maioria das violências  acontece. Segundo Marília Viana Berzins, presidente da ONG OLHE (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento, a violência contra o idoso é doméstica, “as agressões são tanto físicas quanto psicológicas, sendo a última muitas vezes constante e cruel.  E o pior é que em muitos casos o idoso não considera o fato dele ser xingado uma violência”, explica.
 
Para celebrar este 15 de junho, Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, conversamos com a especialista da ONG OLHE, que relatou os tipos de violências sofridas pelo idoso e o que é possível fazer para enquadrar estes atos como crime. 
 
Existem várias modalidades de violência contra a terceira idade como a física, a psicológica, a sexual, a financeira, a institucional e a estrutural. “As quatro primeiras, na maioria dos casos, ocorrem dentro de casa, enquanto a institucional e a estrutural acontecem por conta da negligência e abandono do Estado e das instituições públicas e privadas”. 
 
Para se ter uma ideia desta triste realidade, a cada 10 minutos, um idoso é agredido no Brasil. Em 70% desses casos, o agressor é o próprio filho.
 
Essas violências acontecem porque a sociedade brasileira acha que o velho não tem valor. “ O transporte público é um exemplo. Quantas pessoas respeitam a Lei da Prioridade? Ou pior ainda, quando veem um idoso no ônibus ou no banco pensam: o que este velho está fazendo aqui esta hora? Este tipo de pensamento  e  atitude refletem a falta de preparo que temos em relação ao envelhecimento. Porém, isto precisa mudar, já que o Brasil está se tornando um país velho”, ressalta Marília.
 
A violência contra o idoso é vista de forma tão natural  que poucas campanhas são feitas e as pessoas encontram justificativas para os abusos. “Quando um idoso apanha do seu filho, outras pessoas acreditam que pode ser um merecimento, alegando que ele pode não ter sido um bom pai. E dizem isto como se fosse normal”, diz a doutora em saúde pública.
 
Os agressores em sua maioria são do sexo masculino, alcoólatras  ou drogados. E muitas vezes o parceiro do violentado protege o agressor. “É muito comum os idosos encontrarem justificativas para a violência, eles costumam alegar que os filhos são nervosos, são doentes, estão com problemas sérios, como também, se culpam afirmando que não educaram corretamente o filho”, fala Marília.
 
O que fazer para mudar este cenário?
 
O primeiro passo é a sociedade perceber a importância do idoso. Reconhecer as diferenças, desconstruir o conceito que o idoso é um estorvo. “O idoso colabora com a vida social, com a economia. Há cidades no interior do Brasil que se mantém devido a movimentação econômica que os idosos promovem”, explica a especialista.
 
Marília afirma que o Estatuto do Idoso é uma conquista, mas que ainda há muito para ser feito, muitos artigos ainda precisam ser cumpridos e efetivados, principalmente na área da saúde.
 
Outro passo importante é investir em uma educação para o envelhecimento. Além de reconhecer que os idosos sofrem violência e investir em profissionais especialistas no envelhecimento.
 
Para os idosos que estão sofrendo algum tipo de abuso, é importante reconhecer a violação dos seus direitos e procurar ajuda dos serviços públicos, conselho do idoso, conversarem com amigos, com a sociedade. “É preciso romper o silêncio, se colocar como parte importante da sociedade”, finaliza Marília.
 
Para denunciar algum abuso Disque 100.
 
 

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