Aos 90 anos, estudante de moda mostra que idade não é barreira intransponível

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Depois de conseguir a graduação, a costureira Zuleika Saeta pretende trabalhar na área como voluntária em instituições e comunidades carentes

 

por Jaqueline Santos

 
Existem várias palavras que poderiam definir Zuleika  Saeta, mas força, coragem e determinação são as que realmente demonstram  quem é esta carioca de 90 anos, estudante de moda da Universidade Veiga de Almeida (UVA), da Tijuca. 
 
Se engana quem pensa que Zuleika é uma “madame”. De origem humilde, a estudante sempre trabalhou com moda. “Comecei a costurar com 11 anos. Na minha época toda dona de casa tinha máquina de costura porque muitas roupas (uniforme do colégio, roupa íntima) eram feitas em casa e eu sempre gostei muito de costurar”, explica Zuleika. 
 
Quando Zuleika terminou o ensino médio não teve a oportunidade de ingressar em uma faculdade, mas como sempre amou moda e confecção, decidiu trabalhar como costureira e foi se aperfeiçoando. Quando se aposentou, com aproximadamente 65 anos, costurava vestidos para noivas. 
 
Por conta da correria do dia a dia, filhos e muitas encomendas, o desejo de fazer uma faculdade foi ficando adormecido, porém no ano de 2010, ao assistir uma propaganda do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio – Zuleika decidiu prestar a prova para entrar na faculdade de moda. “Comecei o curso com 87 anos. No princípio, minha família achou que era bobagem, mas depois que as aulas começaram e eles viram que eu realmente estava determinada e feliz, começaram a me apoiar”, diz. 
 
Os desafios na sala de aula 
 
 Ao adentrar os corredores da faculdade, Zuleika foi recebida com frieza pelos seus colegas de classe. “Achava que eles iam me perguntar o que eu estava fazendo ali. Eles me ignoravam, não me chamavam para os trabalhos de grupos, mas isto não me intimidou. Um dia pedi licença em uma das aulas e expliquei o que eu estava fazendo, e após este dia o comportamento da sala mudou”, relata. 
 
Os anos fora da sala de aula fizeram Zuleika estranhar o comportamento dos alunos do século 21, que entram comendo na sala, não pedem licença e abandonam a aula no meio. 
 
Quebrando barreiras 
 
Para Zuleika, a idade não é um problema. “Quando jovem, fazemos muitas coisas, temos muitas opções, já na terceira idade começam as privações, mas isto não me intimidou. Eu percebi que podia ir além. Podemos fazer tudo que desejamos”, diz animada. 
 
Quando terminar o curso, a estudante pretende repassar o seu conhecimento trabalhando como voluntária em alguma comunidade carente ou instituição. 
 
Para os idosos que estão em casa, Zuleika deixa a seguinte mensagem: “busquem a autonomia de vocês. Não podemos parar. A cabeça não pode parar”. 
 

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