Aposentar-se sem planos, um grande risco para a saúde física, mental e para a sua renda

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Envelhecer sem objetivos pensados e sem a devida preparação é o caminho certo para tristeza, melancolia, depressão, alcoolismo, outras drogas e para as próprias demências cerebrais do envelhecimento

 

por Wanderley Parizotto, economista e fundador do Portal Plena

 
 
O brasileiro aposenta-se entre 52 a 56 anos e a cada ano que passa morre mais tarde, hoje, por volta dos 74. São 20 anos de tempo, liberdade. Muitos precisam trabalhar, outros não.
 
Há uma grande armadilha nisso tudo.
 
Precisar trabalhar para compor renda após a aposentadoria exige estar preparado física-mental e profissionalmente.  Isso não ocorre de um dia para outro. É um processo construído ao longo do tempo.  Cuidar do corpo, manter-se atualizado, procurar sempre reciclar conhecimento, conceitos e ferramentas de trabalho são fundamentais para uma vida profissional plena em qualquer idade, o envelhecimento não nos isenta disso. Pelo contrário, incorporar à experiência adquirida durante a vida novas competências trazidas pelo desenvolvimento tecnológico é determinante para a continuidade da carreira após a aposentadoria, seja qual for a profissão. Inclusive estar preparado e aberto para mudar de profissão. Fazer coisas novas, que tragam motivação e alegria.
 
Estudar, praticar esportes, ler muito, transformando essas atividades em rotina pode ser um belo início.
 
Por que não iniciar um curso, fazer outra faculdade ou dar continuidade ao que já está feito, pós-graduação, mestrado?
 
E mudar de profissão? Por que não? Aos 55 ou 60 anos ainda há muita lenha para queimar. 
 
Não estamos falando nada relativo à autoajuda, estamos alertando para a realidade nova que o envelhecimento apresenta. A grande maioria das pessoas ao se aposentarem irão precisar compor renda para fazer jus ao tempo de vida que restará. O Brasil tem atualmente cerca de 23 milhões de pessoas com mais de 60 anos, em trinta anos serão mais de 50 milhões. A previdência social pública não dará conta de tanta gente, isto é, no longo prazo, a tendência é que os salários pagos aos novos aposentados caiam ainda mais em relação à média atual. E é quase certeza que a idade mínima exigida para a aposentadoria suba, não há saída. É matemática.
 
Caso compor renda não seja necessário, ocupar o tempo livre, conquistado ao longo da vida, com atividades produtivas, que tragam prazer e sentido à existência, é tão necessário quanto trabalhar. E, neste caso também, preparar-se para essa nova fase é importantíssimo.
 
O tempo livre e ocioso são impiedosos.
 
Tem muita coisa bacana para fazer e com pouco dinheiro. Exemplos: cursar uma universidade para a terceira idade. Em São Paulo tem diversas e várias gratuitas ou de baixo valor. Elas oferecem cursos como informática, história da arte, teatro, fotografia e outros. Em quase todas as capitais brasileiras há universidades para a terceira idade. 
 
Formar grupos de leituras. Viajar. Viajar barato. O Ministério do Turismo tem um programa chamado “Viajar Melhor”, destinado a grupos de pessoas com mais de 60 anos. Basta acessar a internet e se informar melhor sobre isso.
 
Realizar trabalhos sociais.  Enfim, as possibilidades são imensas.
 
Envelhecer sem objetivos pensados e sem a devida preparação é o caminho certo para tristeza, melancolia, depressão, alcoolismo, outras drogas e para as próprias demências cerebrais do envelhecimento.
 
O número de pessoas que param trabalhar e se tornam depressivas, alcoólatras, dependentes de quaisquer outras substâncias ou desenvolvem demências do envelhecimento é cada vez maior. 
 
O momento tão esperado de liberdade pode ser transformar numa prisão. Talvez sem volta. 
 
É bom pensar nisso e começar a se preparar logo.
 
 
 
 
 
 

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