Existe vida profissional depois dos 60: inspire-se em Laercio Laurelli, de 80 anos

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Confira quatro atitudes que devem ser tomadas para se recolocar no mercado de trabalho. Comece valorizando sua trajetória

 

Redação Plena

 

No final de 2015, dos 6,6 milhões de idosos economicamente ativos, 170 mil estavam em busca de uma vaga de uma vaga emprego. Este índice de desemprego é significativo para a economia já que quase um quarto dos lares brasileiros é provido por uma pessoa com mais de 60 anos. E a tendência é que este panorama cresça ainda mais em virtude da crise econômica, porque os idosos se deparam com a necessidade de proporcionar assistência financeira aos parentes que perderam o emprego.

 O economista e professor de Administração, André Luiz Sada, de 69 anos, retrata bem o perfil do aposentado brasileiro. Ele começou a trabalhar aos 15 anos, aposentou-se cedo, mas manteve-se no mercado para complementar a renda e criar os três filhos e, também porque sempre acreditou que o trabalho enobrece, cria longevidade e ajuda a enfrentar a vida.

O economista construiu uma sólida carreira como executivo em empresas públicas e privadas por 45 anos e, posteriormente, lecionou por mais de 10 anos em uma das mais conceituadas faculdades de Curitiba e São José dos Pinhais. Mas mesmo sendo um profissional tão preparado, sentiu dificuldade para se recolocar no mercado após perder o emprego no ano passado. Após seis meses em busca de recolocação, ele acaba de iniciar uma nova carreira na prefeitura de São José dos Pinhais.

Rosa Maria Maia, Psicóloga e Coach especializada em reinserção de pessoas da terceira idade no mercado de trabalho da Senior Concierge, explica que a tão almejada aposentadoria já não é mais sinônimo de felicidade. Ela conta que é muito comum ouvir pessoas nesta faixa etária se queixando de que estavam no auge da vida profissional quando foram afastadas de suas funções, o que as impacta profundamente. "As dificuldades enfrentadas por elas estão relacionadas diretamente à autoestima e autoconfiança. Muitas vezes, acreditam que por estarem aposentadas, ficaram "velhas" demais para as atividades profissionais, embora internamente sintam-se profissionalmente experientes e em condições de contribuir com o mercado de trabalho. Esta sensação de deslocamento acaba gerando angústia e depressão", avalia Rosa.

O processo de Coaching especializado para a terceira idade é bastante significativo nessa fase de posicionamento em relação ao mercado de trabalho, pois fortalece o sentimento de pertencimento, eleva a autoestima, trabalha a ansiedade e até mesmo possíveis medos.  A proposta é oferecer um suporte para a busca de objetivos, descoberta de novos projetos de vida a partir das experiências adquiridas durante a trajetória profissional, pessoal ou familiar e propiciar que este ciclo da carreira do idoso seja vivenciado como uma oportunidade para desenvolver novas habilidades, investir no lado empreendedor, ou até mesmo, colocar em prática um sonho que ficou adormecido e pode ser retomado.

O Desembargador Laercio Laurelli (na foto), de 80 anos, é um bom exemplo da importância de utilizar a experiência adquirida e de retomar planos e anseios estabelecidos anteriormente. Quando se aposentou no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, foi buscar inspiração na época em que era jovem e trabalhava como ator, para idealizar um programa de TV voltado para o meio jurídico, no qual ele seria o apresentador. O resultado não poderia ser melhor, pois através das entrevistas que conduz, Dr. Laurelli continua prestando serviço para a sociedade, além de conciliar suas duas paixões: a arte e a justiça. A prova de que a iniciativa deu mais do que certo e fez sucesso é que o programa está no ar há oito anos. "Voltei no tempo do teatro quando atuava com Paulo Autran e Tônia Carrero. A aposentadoria não pode significar a exaustão física, já que o cérebro exerce o domínio espiritual no comando do plano sensorial superior", esclarece o Desembargador.

Através do processo de busca de objetivos e descoberta das verdadeiras aptidões é possível identificar e despertar no idoso novas formas de compreender a si mesmo e suas possibilidades de atuação profissional. Para ajudar nesse momento tão complexo de traçar novos planos de vida, Rosa Maria destaca quatro atitudes que o idoso pode e deve ter para facilitar sua reinserção no mercado de trabalho:

1- Conheça suas Potencialidades: Reconhecer-se como parte do mundo do trabalho é fundamental, a despeito da idade ou aposentadoria. É importante desenvolver o sentimento de pertencimento, trabalhar a questão do marketing pessoal, autoestima, segurança e crença em si mesmo.

2- Valorize sua Trajetória: É muito importante perceber que a experiência acumulada ao longo da vida pode contribuir com a sociedade e refletir de que forma fazer isso. Não despreze a sua bagagem profissional, a empresas valorizam pessoas que possam transmitir ensinamentos para os mais jovens.

3- Use o tempo livre a seu favor: Entenda que seu tempo é mais flexível e use esta disponibilidade para desenvolver ou aprimorar habilidades. A busca por capacitação é algo intrínseco no processo de recolocação, aposte no seu desenvolvimento e esteja aberto a novos conhecimentos. Inscreva-se em cursos de graduação, pós-graduação, informática, idiomas, artesanato, culinária, entre tantos outros. O importante é aprender e manter-se atualizado!

4- Comunique-se: Seu espaço é muito importante, seja em sua residência, ou empresa, porém, novos contatos são necessários É uma oportunidade de fazer negócios ou criar um grupo de amigos. A troca com o outro proporciona o alargamento do nosso conhecimento e cria novas oportunidades, sempre alguém tem algo a acrescentar e nós temos algo para aprender.

 

A especialista finaliza: "Quando o idoso percebe que pode contribuir com o mercado de trabalho, mesmo depois da aposentadoria, ele encontra nova motivação e propósito o que permite olhar para si mesmo de forma mais positiva, atitude que o transforma em um novo profissional, uma pessoa mais segura e feliz".

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