João Severo: uma história que dignifica a todos nós brasileiros

Negro, nordestino, pobre e idoso: João Severo, aos 83 anos, reúne algumas ‘qualidades’ que os preconceituosos de plantão ‘adoram’ mas, para além desta anomalia que, infelizmente, parece não acabar apesar de todo o desenvolvimento que a humanidade conquistou, ele é um vitorioso! E acaba, com toda a alegria que as vitórias árduas permitem, de se formar em Direito. Isto é ou não é  digno de muita celebração?!

Que o Brasil é um país de profundas desigualdades sociais, todos nós que nascemos e vivemos aqui, já sabemos, certo? Também já sabemos desde cedo, que alguns são mais afetados por essas desigualdades do que outros. Vejamos: uma pessoa branca e pobre terá dificuldades para conseguir obter uma graduação de nível superior. Mas, certamente, uma pessoa negra e pobre enfrentará dificuldades bem maiores. Agora, imagine uma pessoa que além de negra e pobre, seja também idosa… Conseguiu imaginar?

Pois é exatamente por isso que a história do senhor João Severo é digna de ser divulgada aos quatro cantos do país (e do mundo). Um vitorioso entre os vitoriosos, sua vida foi, desde sempre, repleta de dificuldades e pode, com certeza, servir como exemplo para milhares de pessoas negras e pobres que sempre sonharam em ir além do que a vida impôs a elas, mas pensam que as dificuldades serão intransponíveis.

Para elas, conhecer esta história de superação poderá, com certeza, fazê-las acreditarem em si mesmas  e encarar as dificuldades de forma corajosa e altiva.

Esta história é a do senhor João Severo, um vencedor que agora, aos 83 anos, conseguiu realizar o grande sonho de sua vida ao obter a graduação no curso de direito da Faculdade Zumbi dos Palmares.

De origem humilde, João nasceu na cidade de Correntina, Bahia, em 1934.

Sua trajetória não é muito diferente daquela que nos acostumamos a ver quando se trata de pessoas de cor negra e vindas das classes médias ou baixas. Ele nasceu em uma família na qual o estudo não era considerado uma prioridade, porque, como sabemos, a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família, era (e é) primordial nas classes mais baixas.

Sem o pão de cada dia, como  pensar em livros?

Assim, desde cedo, João teve que trabalhar nas mais variadas profissões para ajudar no sustento familiar: aos oito anos de idade, ele já trabalhava como lavrador na roça,  depois trabalhou também como militar ao chegar em São Paulo.

Com grandes dificuldades, ele consegui concluir o ensino médio na capital paulista  aos 44 anos mas, ainda assim, a sonhada graduação em Direito teria que esperar um bom tempo para que fosse, finalmente, concretizada.

O contexto de João

 

Para que tenhamos uma noção mais realista do contexto no qual nasceu João, vejamos os dados que foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano passado, em sua pesquisa Síntese de Indicadores Sociais – Uma análise das condições de vida da população brasileira: segundo os dados divulgados nesta  pesquisa o rendimento de um grupo social “ está relacionado à escolaridade”, condição ainda difícil para  população negra. Ainda segundo a pesquisa, “em 2015, apesar de o número de negros cursando o ensino superior ter dobrado, influenciado por políticas de ações afirmativas, somente 12,8% dessa população chegou ao nível superior, enquanto os brancos de nível superior eram 26,5% do total no mesmo ano. A dificuldade de os negros conseguirem entrar em uma faculdade reflete altas taxas de evasão escolar ainda no ensino fundamental, por causa das altas taxas de repetência ao longo da vida. Porém, as condições em que vivem também dificultam a escolarização”.

Durante o lançamento desta pesquisa,  André Simões, especialista do IBGE, afirmou o seguinte:  “A população preta ou parda vem ampliando o acesso à educação e saúde, mas há uma herança histórica muito grande, e isso indica que as políticas públicas devem continuar a focar, principalmente, nesse grupo. Um país como o Brasil necessita de medidas específicas para corrigir essa desigualdade, esse é um ponto que deve ser frisado”.

“(…) em 2015, apesar de o número de negros cursando o ensino superior ter dobrado, influenciado por políticas de ações afirmativas, somente 12,8% dessa população chegou ao nível superior, enquanto os brancos de nível superior eram 26,5% do total no mesmo ano. A dificuldade de os negros conseguirem entrar em uma faculdade reflete altas taxas de evasão escolar ainda no ensino fundamental, por causa das altas taxas de repetência ao longo da vida. Porém, as condições em que vivem também dificultam a escolarização”.

 

Arquivo Pessoal

João: um vitorioso entre os vitoriosos

Fruto de desigualdades sociais que o envolveram desde o berço, João Severo enfrentou dificuldades inimagináveis para conseguir realizar o sonho de se formar em Direito. É preciso compreender sua trajetória para além de qualquer limitação, pois ele ultrapassou todas elas: se a cor da pele representou o primeiro impedimento, ele a ultrapassou. Se foi a condição social, ele também soube enfrentá-la e, apesar dos inúmeros apelos para que desistisse, ele seguiu adiante e entendeu, desde sempre, que se quisesse realizar o seu sonho, o acúmulo dos anos também não haveria de ser uma barreira.

Foi assim que João  foi vencendo cada obstáculo que a vida lhe impôs e  foi construindo dia a dia, o caminho que o levaria à realização de um sonho longamente acalentado.

Hoje, aos 83 anos de idade, podemos dizer com todas as letras que o senhor João, negro, nordestino, pobre e idoso, venceu as três principais provas de heroísmo que a vida lhe impôs e é sim, um vitorioso entre os vitoriosos.

Fruto de desigualdades sociais que o envolveram desde o berço, João Severo enfrentou dificuldades inimagináveis para conseguir realizar o sonho de se formar em Direito. É preciso compreender sua trajetória para além de qualquer limitação, pois ele ultrapassou todas elas: se a cor da pele representou o primeiro impedimento, ele a ultrapassou. Se foi a condição social, ele também soube enfrentá-la e, apesar dos inúmeros apelos para que desistisse, ele seguiu adiante e entendeu, desde sempre, que se quisesse realizar o seu sonho, o acúmulo dos anos também não haveria de ser uma barreira.

Que sua história de coragem represente  a todos nós brasileiros _ de qualquer cor ou condição social_ como exemplo de que sonhos existem para serem realizados.

Parabéns e boa sorte  João Severo!

 

Fonte: Tatyer Comunicação 

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