Professora sênior diz que trabalho voluntário é uma higiene mental

Aos 78 anos, a bióloga Margarida Perecin dedica seus sábados para organizar doações que chegam a sebo que ajuda idosos.

Matéria publicada originalmente no site http://institutomongeralaegon.org

Desde 2008, quando se aposentou após 46 anos de Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e entrou para no Programa de Professor Sênior da USP, Margarida Lopes Rodrigues de Aguiar Perecin mantém sua rotina de ir todas as tardes à sua sala no Departamento de Genética da universidade, onde atualmente se dedica a uma pesquisa na área de citogenética (estudo dos cromossomos) do milho e também faz a co-orientação de uma doutoranda.

Há cerca de seis meses, no entanto, a professora e pesquisadora de 78 anos decidiu se engajar em outro trabalho voluntário. Coautora de um livro técnico (“Tópicos de Citogenética e Evolução das Plantas”) e de mais de meia centena de artigos publicados em revistas científicas, ela agora dedica suas manhãs de sábado ao Recanto dos Livros, um sebo abastecido por doações e gerenciado por voluntários no Lar dos Velhinhos de Piracicaba, no interior de São Paulo, com renda revertida para a instituição beneficente que acolhe idosos carentes.

Tomou para si a tarefa de organizar os livros relacionados com agricultura e pecuária _ são muitas as doações de títulos nessa área devido à presença da Esalq na cidade _, tarefa que classifica como uma higiene mental. “Eu quis fazer alguma coisa útil. Chega ali, toma um cafezinho, come um bolo, conversa um pouco, mexe nos livros. É um lazer”, conta, sobre a rotina estabelecida pelo grupo de voluntários que toca o Recanto dos Livros.

Nascida em Manaus (AM) e criada desde 1 ano de idade em Piracicaba, onde o pai médico se instalou, Margarida decidiu cursar história natural (hoje ciências biológicas) na USP, em São Paulo, com a intenção de se tornar professora secundária.

Mas, após um estágio na Esalq, acabou contratada como bióloga para trabalhar com citogenética de aves. Ali se encantou com a pesquisa e deu início à carreira como pesquisadora e professora universitária.

Viúva e sem filhos, ela dedica suas horas de lazer à leitura e à música. Tem uma assinatura na Sala São Paulo, onde assiste a concertos mensalmente. Também é frequentadora assídua dos concertos da Orquestra Sinfônica de Piracicaba.

Fotos: Arquivo Pessoal

 

Viajar é um dos prazeres com espaço garantido em sua agenda. Todo ano ela vai visitar uma irmã que mora na Bélgica e aproveita para dar um giro por alguns países e praticar outro de seus hobbies, a fotografia.

Além da pesquisa, ela continua escrevendo artigos científicos. “É uma oportunidade de se manter atualizada com o que acontece em genética, é uma área que cresce muito, se desenvolve muito, e tem sempre muita novidade.” E parar não está nos seus planos. “Pretendo trabalhar até quando houver demanda pelas minhas pesquisas.”

O que está nos planos é “ler mais romances, mais literatura, mais livros espiritualistas. E sempre estar aberta para descobrir alguma coisa que possa ser feita”. Manter-se ativa na maturidade, segundo ela, é “importante para a mente, que tem que estar ocupada”.

Ela conta estar empenhada também em fazer mais exercícios físicos e alimentar-se de forma saudável. De resto, é usar o ensinamento trazido pela maturidade: “Ter mais paciência, mais tolerância com a vida e com as pessoas, e com a gente mesma, saber que a gente não é perfeita”.

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