Quando os idosos sentem medo: veja o que fazer

Alguns medos dos idosos são reais: eles têm medo de ficar presos em elevadores, de dormir sozinhos…

Drª Ana Fraiman*

….(o que é natural porque podem passar mal e não ter ninguém para atender), medo de atravessar a rua (sua locomoção é mais lenta e eles sabem disso), medo de sereno, de sair à noite (além de enxergar mal eles perdem a orientação espacial), medo de trombadinhas (sabem que não têm força para reagir), medo de chuva (podem pegar uma infecção pulmonar)…

Na realidade, são medos saudáveis, relacionados à preservação da vida  e ao reconhecimento das limitações. Outros medos são de caráter emocional: de barulho (geralmente é associado a algum fato desagradável), de multidões, de espaços amplos ou ainda, de situações estimulantes.

Normalmente, os velhos também não suportam mais um ‘bombardeio’ de situações porque sentem “medo de ter medos”. Outro medo bastante comum é o da própria morte. Já o medo de ”paisagens”  e até de uma árvore, por exemplo, está ligado ao temor de que, num certo momento, a árvore se torne um sinal de potência; condição que pode estabelecer um confronto com a sua própria existência que está próxima do fim.

Como a família pode ajudar?

Em todos estes casos a família pode ajudar procurando meios que mantenham a segurança do velho. Exemplo: se ele tem medo de atravessar uma rua, é preciso restaurar nele a confiança de que pode atravessar uma rua com menos movimento. Não se trata de superprotegê-lo, mas de continuar solicitando a sua capacidade. É preciso deixar que ele continue atravessando a rua para ir buscar pão, por exemplo. Sobre a morte, o importante é que haja troca de ideias. A família pode se informar a respeito com religiosos, em livros, mas, de qualquer forma, é preciso conversar sobre o assunto.

 *Ana Fraiman é psicóloga formada pela UNIP, mestre em Psicologia Social pela USP e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP. Também é pesquisadora pelo NEF – Núcleo de Estudos do Futuro, com foco no Ecossociodesenvolvimento | Cátedra Ignacy Sachs, alinhada ao United Nations Millennium Project. 

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