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A dor de ter que lidar com doenças avançadas de entes queridos

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A aposentada Sonia Martins visita a irmã, que tem um tumor na cabeça, todas as semanas; “o carinho ameniza o sofrimento”, diz ela 

 

Por Mariana Parizotto

 
A rotina da mineira Sonia Martins está longe de ser um marasmo. A professora aposentada, que tem “68 aninhos”, como ela diz, é Diretora do Núcleo Social da Terceira Idade de Ibiá- MG, divide a vida com um companheiro de 78 anos – ele é viúvo e ela é divorciada -, participa de diversas atividades e dedica todas as suas quintas-feiras à irmã Raife Jesuína, que tem um tumor na região da meninge em estado bem avançado.
 
O drama da irmã começou há 18 anos. Sonia teve sempre um papel decisivo na condução dos tratamentos. “Sempre fomos muito próximas, mesmo morando em cidades diferentes. Nunca desisti dela, como a própria família fez”, revela a professora aposentada. “Há muitos anos, minha irmã passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor na região da meninge, porém só foi possível remover 90%. Como sequela, ela parou de andar, perdeu a visão de um olho e entortou a boca. O marido informou então que não poderia mais cuidar dela, pois ele já tinha que cuidar dos dois filhos – um casal. Não tive dúvida. Fui até Ribeirão Preto – SP, onde ela estava internada, e a trouxe para minha casa. Ela ficou comigo por mais de um ano, até conseguir andar”, orgulha-se Sonia.
 
Depois de recuperar a mobilidade, Raife voltou a morar com a família em Uberaba-MG. Porém, segundo Sonia, as coisas não andavam bem. “Todo ano ela tinha que passar por uma revisão feita pela equipe médica de Ribeirão Preto para controle. Mas da última vez acabaram não a levando. Em maio de 2014, quando fui visitá-la, vi que estava mal tratada, sem comer a dois dias. Coloquei-a no carro e viemos para minha casa. Ao fazer a tomografia, detectaram que o tumor havia progredido”, lamenta.
 
Hoje, Raife está internada no Hospital Casa do Caminho de Araxá- MG, acamada, sem equilíbrio e quase não fala mais, além da dificuldade para alimentar-se. Mas não há um dia que ela fica sem visitas. “Eu revezo com meus outros quatro irmãos, minhas duas filhas, netas e sobrinhos. Cada dia da semana é um que vai. Durante o tempo que fico com ela, converso muito,faço carinhos , levo coisas diferentes para ela comer”, diz Sonia.
 
 

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Para as pessoas que estão por problemas semelhantes com seus entes queridos, Sonia dá um conselho: “Dê muito amor e carinho.  Isso torna os dias do adoentado mais amenos. Precisamos ter solidariedade. Sempre chego para visitá-la,  ela sorri com os olhos. Saio de lá sempre triste e abatida, pois o quadro é irreversível, e minha irmã tem consciência da gravidade da sua situação.  Faço o melhor por ela, mesmo tendo que lidar com a dor de saber que ela só sairá do hospital para encontrar Deus”, desabafa.
 
No meio das dificuldades, Sonia se agarra às lembranças da juventude para amenizar  os percalços impostos pela doença da irmã, “muitas vezes me pego sorrindo sozinha ou com a minha irmã, lembrando da nossa mocidade, quando passeávamos juntas, riamos muito dos nossos namoros e flertes. Tive uma bela história de companheirismo com a Raife e é isso que fica”.
 

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