A nova cara dos sexagenários: eles não querem envelhecer sem saúde e bem estar

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Claudia Carrato Grande, dona da página Projeto 60 Anos, é um belo retrato de como a faixa etária +60 está se transformando, quebrando paradigmas, buscando mais atividades, novas experiências e mais participação na sociedade

 

Por Mariana Parizotto

Pior do que envelhecer é não ter nada para inspirar. Esta é uma das postagens do Projeto 60 Anos, no Facebook. Diariamente, a página publica fotos, histórias motivadoras, dicas de filmes e notícias que mostram que envelhecer não é um bicho de sete cabeças.
 
A dona da página é a Claudia Carrato Grande, presidente de uma assistência social na Granja Vianna (SP), a ASSA. Aos 59 anos, Claudia decidiu relatar no Facebook suas caminhadas diárias, suas dietas e o que estava fazendo para chegar aos 60 com saúde. Hoje, 7 meses depois do Projeto 60 Anos estrear na rede social, já são mais de 60 mil seguidores.
 
“A princípio postava coisas de moda, cabelos grisalhos (que eu uso), decoração, eram postagens só para os meus amigos. Mas aos poucos, fui postando artigos sobre saúde,motivação. E então levei um susto, pois o número de seguidores só ia aumentando. Eram pessoas que nem me conheciam, mas que estavam me seguindo, e o que é melhor, participando ativamente com palpites e declarações de vida”, conta orgulhosa.
 
Claudia é um belo retrato de como a faixa etária +60 está se transformando, quebrando paradigmas, buscando mais atividades, novas experiências, sociabilidade, “não tenho medo de envelhecer, mas de adoecer. Alma doente contamina o corpo e nos deixa mais velhas e tristes. Problemas todos temos, mas a maneira de encará-los é o grande aprendizado da nossa idade”, afirma Claudia.
 
Em um bate papo para lá de agradável e sincero com o Portal Plena, Claudia relatou um pouco da sua rotina e do quanto a internet e as redes sociais podem ser uma importante ferramenta para unir as pessoas que se recusam a envelhecer sem saúde e bem estar. Veja a entrevista:
 
A página Projeto 60 anos tem mais de 60 mil curtidas. Quem são seus seguidores? Que tipos de mensagens você recebe? 
A maioria do meu público é formada por mulheres e me surpreendo quando homens se manifestam. Hoje, o retorno é muito grande dos artigos que posto e o que sinto é que as mulheres têm mais disposição para mudanças, gostam de falar sobre suas experiências de vida e são muito solícitas e participativas. Elas gostam muito de dar palavra de conforto para as que não estão tão bem e estas agradecem e retribuem. Sinto que estamos criando uma rede de solidariedade e sociabilidade. Na hora certa, alguma coisa que você publica, acerta o alvo e dá o estímulo que as pessoas precisam. Recebo mensagens de agradecimento a toda hora por ter mudado a vida das pessoas e isso me incentiva muito a continuar.
 
Então você acredita que seus posts ajudam essas pessoas a terem mais qualidade de vida na terceira idade, certo?
Sempre gostei de ajudar as pessoas, sou presidente de uma assistência social na Granja Vianna, a ASSA,há 8 anos, mas esta página tem um alcance tão grande, inimaginável por mim meses atrás, e sinto que estamos apenas no começo desta grande rede de pessoas que se recusam a envelhecer sem saúde e bem estar
 
Dá medo envelhecer? Como você encara este processo?
Nem somos idosos nem somos jovens, e esta faixa etária, com saúde, disposição e alegria está cada dia mais presente e participante, e passando a ser respeitada no mercado. É desta forma que eu encaro.
 
Quais coisas você gosta de fazer agora que não era possível fazer antes?
Essa é a fase da vida que temos tempo e podemos gozar a vida. Nosso dinheiro passou a ser valorizado e a cada dia cresce a oferta de produtos para os sexagenários. Hoje, sou muito básica. Gasto meu dinheiro apenas com qualidade e cada dia menos com quantidade. Como meu público, dou valor às amizades, família, diversão e amores, nesta ordem. Sempre enfatizo que temos tempo para tudo, que basta querer e dar prioridade ao nosso bem estar. Já criamos filhos e trabalhamos bastante para o bem estar de todos, agora é nossa hora. 
 
Quais dicas você pode dar para quem acha que não dá para aproveitar esta fase da vida?
A velhice está na nossa cabeça, não no nosso corpo. Já fui muito mais velha do que hoje, estou cheia de planos e isto é sinônimo de vida. Aposentar sonhos é morrer um pouco. E digo para que não pare nunca se de mexer. Gosto de caminhar e sempre incentivo as mulheres a andar. Caminhar é barato, pode ser feito em qualquer lugar e a qualquer hora. Faz o oxigênio entrar no cérebro, organizar os pensamentos e os sentimentos. Não tenho medo de envelhecer, mas de adoecer. Alma doente contamina o corpo e nos deixa mais velhas e tristes.Problemas todas temos,mas a maneira de encará-los é o grande aprendizado da nossa idade.
 
 
 

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