Cuidador familiar vive peregrinação em sistema público de saúde

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Cuidadora relata as dificuldades enfrentadas diariamente para garantir atendimento e medicamentos à mãe com Alzheimer; OMS diz que governo deve auxiliar e dar suporte aos cuidadores

 

por Mariana Parizotto

Desenvolver sistemas de cuidados de longo prazo para garantir às pessoas viverem seus últimos anos com dignidade deveria ser uma das premissas dos governos atuais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade ainda enfatiza que, com o envelhecimento populacional, as famílias necessitarão de apoio para prestar cuidados, liberando as mulheres, que muitas vezes são os principais cuidadores de familiares mais velhos, a desempenhar papéis mais abrangentes na sociedade. Entretanto, sabemos que no Brasil a situação é extremamente oposta. 
 
Maria Magali Silva representa bem a realidade do cuidador familiar. Ela cuida da mãe, que é portadora de Demência Vascular e Alzheimer. Por conta da doença, Dona Beatriz fica acamada a maior parte do tempo. “Não recebo ajuda para desempenhar essa função, e como a maioria de nós, ainda preciso desempenhar outras funções”, conta.
 
A cuidadora relata a dificuldade que enfrenta frequentemente para manter o tratamento contínuo da mãe, “O Alzheimer é uma doença cara. Para tratar corretamente, é preciso fazer exames periódicos e acompanhamentos médicos de diversas especialidades, sem contar os medicamentos, fraldas, alimentação. O setor público de saúde não está preparado para atender este paciente. Não há infraestrutura hospitalar e nem recursos humanos para o tratamento e cuidado desse tipo de paciente, principalmente nos estágios mais avançados da doença”, comenta.
 
Sobre o fornecimento de medicamentos, Maria Magali diz não passar de um “tapar o sol com a peneira”. “Claro que dentro da premissa que é melhor isso do que nada, o recurso é positivo, porém está muito distante da real necessidade dessa população. Precisamos de melhoria nas condições de saúde com tratamentos alternativos, por exemplo. O Sistema Único de Saúde – SUS – deveria oferecer atendimento médico domiciliar para os acamados. Pacientes portadores de necessidades especiais devem ser tratados de forma diferenciada”, pontua a cuidadora.
 
Maria Magali também conta sobre as dificuldades em encontrar os remédios no posto de saúde. Segundo ela, o cuidador familiar vive uma peregrinação diária em busca de medicamentos e médicos. “A falta de dinheiro só nos deixa com a opção de recorrer ao SUS, que é extremamente complicado, lento e desgastante, com profissionais pouco interessados em fazer um bom trabalho”, lamenta.
 
E você? Tem experiências diferentes no atendimento público ou compartilha da mesma opinião da Maria Magali? Mande seu relato para o e-mail mariana@lyderis.com.br.
 

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