Cuidadores contam as lições que aprendem com o Alzheimer

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Paciência, reinvenção do amor, conviver com a solidão, vibrar com coisas pequenas, o poder da força interior: Veja alguns depoimentos emocionantes
 

Por Mariana Parizotto

Nesta semana, publicamos a matéria “10 coisas que aprendi com o Alzheimer”, que mostra as experiências vividas por uma mulher que cuidou do marido acometido pela doença. Marie Marley chegou a escrever um livro sobre o assunto. 

 
Depois da grande repercussão da matéria nas redes sociais, decidimos pedir aos nossos leitores que compartilhassem as lições que têm aprendido ao conviverem com entes queridos com Alzheimer. Paciência, a reinvenção do amor, conviver com a solidão, viver um dia de cada vez, vibrar com coisas pequenas, aceitação e descobrir a força interior, são apenas algumas das coisas relatadas pelos cuidadores, o que nos mostra o quanto essa doença é desafiadora. 
 
Veja alguns depoimentos:
 
“Tenho aprendido que ter paciência não é tão difícil como parecia. Aprendi também que o amor vem antes da razão. Aprendi que quando a noite chega para nós, é na verdade manhã para eles, pois é aí que ela lembra daquelas coisas que somente ela sabe e reaparecem as memórias, em uma forma de saudade inocente. Aprendi a lidar com a imaginação ou talvez alucinação que aparecem e muitas vezes de forma assustadoras para nós… Mas nessas horas é preciso ter pulso firme ou até mesmo – por mais inaceitável que seja para um médico-  o único jeito de acalmá-los é entrar na"fantasia". Eu mesma já fui em uma festa que nem ao menos fui convidada (risos). Ou melhor, fui acompanhá-la. Sendo que a festa só existia em sua imaginação. Nesse dia confesso ter tirado muitas risadas dela.  Aprendi a amar de uma forma diferente que só eu e ela, lá no fundo, sabemos… Até porque é como dizem: o amor não se explica, se sente”. Samy Thaine, que ajuda a cuidar da avó de 83 anos
 
“Com muita sinceridade, sabem o que mais aprendi convivendo, cuidando, sendo responsável por tudo no Alzheimer de minha mãe? Enxergar realmente quem sou e quem ela foi. Também aprendi a apreciar a minha própria companhia, pois a solidão íntima é uma constante. Outra lição importante: não criar expectativas fantasiosas. E trabalhar diariamente a paciência”. Marília Becher Bahr, que cuidou da mãe por mais de 20 anos. Ela é criadora da página Vida de Cuidador Familiar (ela e sua mãe na foto acima)
 
“Para todos que estão descobrindo agora que seu ente querido está com DA: é normal sentir perdido e com medo. Eu fiquei com medo do que estava por vir. Era completamente ignorante no assunto. Então comecei a buscar informações e cada vez que lia algo sobre o assunto, com mais medo eu ficava. Procurava desesperada por alguma informação sobre a cura. E todas as pesquisas que achava me enchiam de esperança. Até que vi que o caminho não era esse. Pois só me enchia de falsas esperanças e que a realidade que estava vivendo era outra completamente diferente. Comecei a perceber que minha mãe começava a cada dia a perder um pouquinho mais as suas lembranças, comecei a perceber que estava vivendo a morte de minha mãe em vida. Ai pensava ‘Meu Deus, como será daqui para frente? Que futuro teremos? ‘. Essas dúvidas e perguntas acabam com a gente, pois não temos respostas. A nossa vida vira uma caixinha de surpresas. Nunca sabemos o que esperar, nunca sabemos o que vão fazer, como vão agir, tudo que estávamos acostumados some, como um passo de mágica. Temos então de começar a aprender como lidar com essa doença". Texto publicado por  Ana Heloisa Arnaut, dona da página Alzheimer Minha Mãe tem, que possui mais de 160 mil seguidores
 
 

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