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Projeto transforma histórias de vida de idosos em contos de fada para crianças

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“Velhos e crianças salvam-se mutuamente da doença e do abandono graças aos príncipes, aos heróis, aos vilões derrotados, aos reinos usurpados e reconquistados pelas forças do bem, e a tudo o mais que povoa o mundo imaginário das nossas fantasias”, relata a fundadora do Instituto História Viva

 

por Mariana Parizotto

 
“O que eu posso fazer para valorizar a sabedoria dos idosos”. Foi assim que começou um dos projetos sociais mais inovadores do Brasil, o História Viva. A idealizadora Roseli Bassi caminhava sozinha por uma praia no litoral do Paraná, em 2007, quando teve a ideia de criar uma rede de voluntários para ouvir e transformar a história de vida de idosos em contos de fada. 
 
A ideia se concretizou e virou um mutirão de solidariedade. Depois que começou a ser divulgado, o Instituto História Viva atraiu diversas pessoas que tinham o interesse em ser voluntárias, ouvindo as histórias dos idosos abandonados em casas de repouso e transformando-as em contos encantados, que seriam recontados para crianças doentes. “Ao longo desses oito anos, temos ouvido, encantado e contado histórias incríveis e ressignificando a vida de idosos, voluntários e crianças, sendo simplesmente essa ponte entre as frágeis idades”, diz Roseli.
 
O trabalho do Instituo História Viva consiste em ministrar treinamento a equipes de voluntários. “Ensinamos técnicas de contação de histórias, jogos teatrais, escuta ativa e a arte de encantar histórias. As pessoas pagam apenas o jaleco de contador de histórias, certificado e crachá. Todos os instrutores atuam voluntariamente.
 
Após treinadas, essas pessoas passam a integrar o quadro de voluntários do Instituto e começam a fazer o trabalho em hospitais, asilos, lares e instituto dos cegos”, explica a fundadora. Mais de 1.500 pessoas já foram treinadas pelo História Viva. 
 
Um outro ponto importante do projeto desenvolvido pelo Instituo História Viva é a interação intergeracional por meio da arte.  “Depois de transmitir a história de um idoso para acriança, o voluntário ajuda a criança a transformar a história em arte. E, finalmente, esse desenho retorna aos lares dos idosos, os verdadeiros donos da história”, explica Roseli (na foto abaixo).
 

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Cerca de 1000 idosos, de vários locais do Brasil, já viveram essa experiência. Toda semana tem sempre uma equipe atendendo a um asilo ou contando a história encantada em uma instituição de abrigamento infantil.
 
Mãe de 4 filhos, Roseli orgulha-se de ter criado um projeto capaz de unir as duas pontas da vida, separadas pela distância de três ou quatro gerações. “Velhos e crianças salvam-se mutuamente da doença e do abandono graças aos príncipes, aos heróis, aos vilões derrotados, aos reinos usurpados e reconquistados pelas forças do bem, e a tudo o mais que povoa o mundo imaginário das nossas fantasias”, relata.
 
E não é que as histórias podem mesmo ter um final feliz? Só depende de quem as contam.

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