Garotas do meu Brasil varonil: morre Zé Bonitinho, aos 89 anos

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Humorista Jorge Loredo lutava há anos contra uma doença pulmonar obstrutiva crônica grave e um enfisema pulmonar

 

Redação Plena / Fonte: O Globo

 
Morreu, por volta de 5h da manhã desta quinta-feira, 26, o humorista Jorge Loredo, o Zé Bonitinho. O comediante, de 89 anos, estava internado no Hospital São Lucas, na Zona Sul do Rio desde fevereiro, onde permaneceu em estado grave. De acordo com o boletim médico, Loredo lutava há anos contra uma doença pulmonar obstrutiva crônica grave e um enfisema pulmonar, que o levaram à falência múltipla de órgãos. O corpo será velado nesta sexta no Memorial do Carmo, no Caju, a partir das 9h.
 
Topete esculpido com Gumex, bigode delgado, sobrancelhas arqueadas, olhar de conquistador e roupas extravagantes, ele mal entra em cena e já arranca gargalhadas da plateia do estúdio da extinta TV Rio, em 1960. Era a estreia de O Bárbaro, vivido pelo ator e humorista Jorge Loredo no programa “Noites cariocas”, que serviria de matriz para o personagem Zé Bonitinho, o galanteador barato e exagerado que marcaria a carreira do artista carioca e a TV brasileira.
 
O Bárbaro foi rebatizado em homenagem a um cozinheiro que Loredo conheceu em um restaurante de beira de estrada que, por ser muito feio, era chamado de Zé Bonitinho. Os trejeitos do personagem foram inspirados em outra figura real, o Jarbas, um dos companheiros do jovem Jorge Loredo nas maratonas pelos bares da Praça Saens Peña, na Tijuca, onde nasceu.
 
Bordões inesquecíveis como “Garotas do meu Brasil varonil: vou dar a vocês um tostão da minha voz…!”; “Mulheres, atentem para o tilintar das minhas sobrancelhas”; “O chato não é ser bonito, o chato é ser gostoso”, marcaram a carreira do artista.
 
Na TV
 
Na TV, o ator começou dividindo o banco do programa “Praça da Alegria”, nos anos 1970, com Chico Anysio, Moacyr Franco e Ronald Golias. Diferentemente de Anysio e Franco, que tiveram programa próprio, e de Golias, que era astro absoluto da “Família Trapo”, Loredo sobreviveu como coadjuvante. O ator chegou a criar outros tipos famosos, como o mendigo soberbo My Lord e o costureiro François Paetê, mas Zé Bonitinho sempre foi a sua grande marca, que só desapareceu da TV quando o programa “A praça é nossa”, do SBT, saiu do ar, no início dos anos 2000.
 
Longe da televisão, Loredo chegou a participar de filmes dirigidos por ícones do cinema nacional, como Rogério Sganzerla (“Sem essa aranha”, de 1970, e “O abismo”, de 1977) e Arnaldo Jabor (“Tudo bem”, de 1978). Seu último trabalho em um longa-metragem foi em “Chega de saudade” (2008), de Lais Bodansky. Em quase todos esses filmes, mesmo que não estivesse interpretando seu personagem mais famoso, alguns elementos dele, como o vestuário e acessórios vistosos, de alguma forma estavam sempre presentes nas composições Loredo.
 
O artista foi recentemente redescoberto pela geração mais jovem de cineastas brasileiros. Em 2005, a diretora Susanna Lira lançou o documentário “Câmera, close!”, uma biografia do ator, exibido no Canal GNT. No ano seguinte, o ator e diretor Selton Mello, fã do artista, o dirigiu no curta-metragem “Quando o tempo cair”, para o qual criou um personagem especialmente para ele.
 

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