Generosidade e uma visão coletiva e solidária da vida: esta é ‘receita’ de Maria José…

…para envelhecer de forma mais serena.

Convidada pelo Plena a refletir sobre a maturidade, a advogada Maria José Silva Santos, nos enviou um   texto no qual ‘fala’ sobretudo, de generosidade.

Ana Vargas

“Quando me olho no espelho, sinto orgulho da pessoa que me tornei. Muitos dos terremotos que senti na alma, de uma forma quase que invisível, me tornaram mais forte. Hoje sou capaz de compreender muito mais o sentido de uma vida. Encaro os desafios com mais serenidade e aqueles que não consigo solucionar, entrego-os ao Criador, para que me inspire nas horas vazias. Encaro a morte do corpo, pois bem sei que se parece com uma vela a iluminar o meu caminho. Ela tem início, contribui com a destinação que lhe foi dada e se apaga, suavemente, sem temor algum. Não trocaria um minuto da minha vida por nenhum momento passado. Tudo que vivi está na memória, sobrevivo das lembranças, da saudade e da esperança. Mas o tempo que ainda tenho é preenchido de cuidados com o corpo e a alma. Ambos são frágeis e muitas vezes, necessito usar um escudo especial para minha estadia num planeta tão cheio de opostos. E, assim, aprendo a viver um dia de cada vez, cuidando dos amores que me são confiados, das minhas flores, dos animaizinhos adotados e amados. Obrigada Deus!!!! Gratidão eterna”

Como a gente percebe, trata-se de uma pessoa especial, que encara serenamente as tristezas que todos nós enfrentamos. Maria José  é mineira, nasceu em Pompeu, em maio de 1957,  mas viveu grande parte da vida em Belo Horizonte.  Em 1983, depois de se casar, ela mudou-se para outra cidade do interior, Divinópolis, no centro-oeste de Minas e foi lá que se formou em Direito.

Em 2014 Maria enfrentou uma grande tristeza: perdeu o esposo e amigo, Paulo Santos, sociólogo e professor universitário. Naquele mesmo ano ela também perderia o pai.

“Quando me olho no espelho, sinto orgulho da pessoa que me tornei. Muitos dos terremotos que senti na alma, de uma forma quase que invisível, me tornaram mais forte. Hoje sou capaz de compreender muito mais o sentido de uma vida. Encaro os desafios com mais serenidade e aqueles que não consigo solucionar, entrego-os ao Criador, para que me inspire nas horas vazias…”

O falecimento do marido que era acima de tudo, um grande companheiro, escritor e  pessoa espiritualizada, abriu uma lacuna imensa em sua vida mas ela encontrou forças para seguir pelo fato de também ser uma pessoa espiritualizada e por acreditar que a morte não é o fim.

Como espírita praticante que é, Maria resolveu dedicar seu tempo livre ao voluntariado e há três anos atua no Centro Espírita ‘Estudantes do Evangelho’ no trabalho assistencial do Curso de Gestantes. Ali são oferecidos, gratuitamente, para   a  comunidade, três cursos anuais com duração aproximada de dois meses e meio e, ao final de cada um, a aluna que teve frequência regular recebe um enxoval confeccionado pela equipe do centro.

Maria José em dia de festa junina no centro espírita.

É ela quem nos conta:  “Aprendi a cortar algumas peças de roupinhas de bebê  que confeccionamos com malhas e tecidos que são doados para o centro. Particularmente, me comprometi a fazer colchas de retalhos. Adoro esta atividade e fico emocionada ao saber que cada um receberá uma colcha feita por mim, com muito carinho. É uma tarefa que abracei com muito amor. E, para as gestantes, esta é uma oportunidade de se prepararem melhor para este momento tão importante na vida da família, pois contamos também com a colaboração de psicólogos, enfermeiras, pediatra, dentista, todos voluntários, que as orientam para que haja melhoria da qualidade de vida para receber o novo membro na família.”

Maria José, que é mãe de três filhos _ Daniel, Lívia e Rafael  _ também aguarda ansiosa, para agosto,  a chegada do primeiro neto, Theo.

A história de Maria José, carregada de simplicidade (e generosidade), nos mostra que a vida sempre vai nos oferecer possibilidades de escolha, não importa a idade que tenhamos e, mais uma vez, comprova-se que o envelhecer _ como as outras fases _ é só mais uma etapa da existência que podemos encarar com esperança e ânimo.

Foto de abertura: Maria José e a sobrinha Gabriela Cabral/Arquivo Pessoal

2 de comentários

  1. A história da Maria José é muito bonita! Bonita porque é “real” e porque nos mostra como a generosidade transforma tudo, principalmente a nós mesmos.
    É muito bom saber da existência de pessoas assim como a Maria José!

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