Laços entre gerações: menino de sete anos ajuda mãe a cuidar da avó com Alzheimer

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Empenhadíssimo na função de “auxiliar de cuidador”, Matheus é a principal companhia da avó; a relação deles nos faz pensar  em três importantes palavras que a doença exige: bondade, paciência e compaixão

 

Por Mariana Parizotto

Recentemente, publicamos uma matéria sobre um documentário do canal HBO, baseado no livro (What’s Happening to Grandpa?) “O que está acontecendo com o vovô?”, de Mary Shriver (veja aqui). Com cerca de trinta minutos, o filme conta cinco histórias de crianças, com idades entre 6 e15 anos, que estão lidando com avôs ou avós com a doença de Alzheimer. 
 
A situação é bem parecida com a da família da Daniela de Souza Silva, que cuida da mãe Almira de Souza Silva, diagnosticada com Alzheimer em 2011.  Empenhadíssimo na função de “auxiliar de cuidador”, Matheus, de sete anos, é a principal companhia da avó. “Depois da morte do meu pai, minha mãe veio morar comigo, meus três filhos e meu esposo. Desde então, o Matheus e ela se aproximaram muito e isso se intensificou com a doença”, conta orgulhosa. Daniela ainda relata que o filho entende o que a avó está passando, principalmente em relação aos esquecimentos e confusões de pensamento, “toda vez que ela esquece alguma coisa ou até o seu próprio nome, o Matheus acaba sempre a ajudando a lembrar”.
 
Matheus tem tanto tato e cuidado, que às vezes até alimenta a avó, quando a mãe está muito atarefada, “Um dia eu estava ocupada e precisava dar um lanche da tarde, foi quando ele se ofereceu para alimentá-la e fez isso com muito carinho e zelo”, conta Daniela.
 
Até mesmo nas atividades cognitivas Matheus é parceiro da avó Almira. Daniela relata que os dois brincam de dominó ou até mesmo divertem-se com os joguinhos do tablet do menino. E quando ela está muito calda ou distante, Matheus não pensa duas vezes: senta-se ao lado dela e começa a contar uma história, “tudo com a maior paciência do mundo”, garante a mãe.
 
Dona Almerinda e Matheus ilustram lindamente a citação de Mary Shriver no documentário, “obviamente a condição atual do avô ou avó é difícil, mas tudo isso é compensado por boas lembranças e por um ‘presente’ inesperado: laços entre as gerações que não poderiam ser feitos de outra forma”.
 
Bondade, paciência e compaixão. Talvez o pequeno Matheus nem saiba o quanto ele está aprendendo e o quanto está ensinando a todos nós.
 

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