Morre, aos 71 anos, Elke Maravilha: a artista precursora de um estilo inovador, ousado e único

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Considerada diva da TV brasileira, Elke concedeu uma de suas últimas entrevistas ao Portal Plena, onde falou sobre sua experiência de envelhecer com bom humor e não enxergar a idade como um peso. A artista tinha a frase ‘a  vida não é a arte de viver e sim, de conviver!’ como lema

Redação Plena

Morreu no Rio de Janeiro, no início da madrugada desta terça-feira (16), a atriz Elke Maravilha, aos 71 anos. Ela estava internada na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, desde o dia 20 de junho.

Antes de ser internada, Elke vinha se apresentando pelo país com o espetáculo "Elke canta e conta", onde falava de passagens de sua vida desde a infância na Rússia, os casamentos e a vida como modelo e apresentadora.

No final de junho, a exuberante artista, considerada uma das divas da TV brasileira, concedeu uma entrevista ao Portal Plena onde falou sobre seu passado, carreira, os planos para o futuro e a experiência de envelhecer com bom humor.

Durante a conversa com a jornalista Ana Vargas,  Elke Maravilha fez questão de dizer que tem 71 anos, que é velha sim e que gosta de usufruir dos benefícios dados aos mais velhos . Ela também comentou abominar os chamados bailes da terceira idade porque gosta de lugares nos quais pessoas de todas as idades possam interagir, trocar ideias, enfim, ‘conviver’.

 Veja a entrevista:

Conviver: a palavra chave

Aliás, sobre a ‘arte da convivência’ fica aqui registrada uma frase que Elke usou durante a entrevista e que está em seu site : “Eu quero é conviver! A grande arte não é viver, é conviver"! Outra frase de cabeceira da Elke: ‘todos nós temos a totalidade dentro de nós’. Esta leitora assídua do escritor (e seu conterrâneo)  Fiódor Dostoievski e do grego Nikos Kazantzákis – entre outros autores que exigem certa envergadura intelectual para que sejam compreendidos _  também adora rock pesado e é, enfim, uma pessoa especial que angaria amizades por onde passa. Talvez Elke tenha conseguido algo verdadeiramente raro e que deve ser divulgado, principalmente aqui no Plena porque queremos discutir o envelhecimento sob vários prismas: ela ultrapassou a barreira do tempo e claro, da idade cronológica; Elke criou um personagem que não tem idade, não se restringe a essa ou àquela época e portanto, não sofre do ‘mal’ do saudosismo ou dos lamentos tão comuns que ouvimos por aí e que nos dizem que a juventude é ‘a melhor fase da vida’. Para Elke, todas as fases são boas, basta que tenhamos a capacidade de vivê-las da melhor maneira possível como ela, de maneira bastante eficiente, consegue fazer. E sobre conviver, Elke é categórica: “Sou velha sim e gosto de usufruir dos benefícios dados aos mais velhos . Abomino os chamados bailes da terceira idade porque gosto de lugares nos quais pessoas de todas as idades possam interagir, trocar ideias, enfim, ‘conviver’”.

Uma lembrança marcante da infância…

Andava a cavalo todos os dias nas roças nas quais morava, lá no interior de Minas, em Itabira; tinha paixão por cavalgar e também gostava de nadar. Meu pai fez questão de nos ensinar a nadar desde cedo.

Uma lembrança da adolescência…

Me lembro de ir a um clube no qual tocavam rock’n roll, éramos uns 15 rapazes e moças, e lá dançávamos ao som de Little Richards e de outras músicas feitas pelos negros americanos, uma mistura de blues e rock que eu adorava. Quando fomos para Bragança Paulista continuei gostando de rock e com o tempo comecei a gostar também de rock pesado como Sepultura, Iron Maiden, Metallica… Também quero dizer que comecei a dar aulas de inglês com 12 anos de idade na escola União Cultural Brasil Estados Unidos e fui a professora mais jovem da escola.

Uma pessoa da qual se lembra com carinho…

Me lembro com carinho do Chacrinha, o ‘pai’; da Dra. Nise da Silveira, que foi minha grande amiga, mas tenho uma infinidade de amigos maravilhosos.

Uma lembrança do passado…

Não gosto de ficar recordando o passado porque meu tempo é hoje, nosso tempo é hoje; desde a infância à velhice, vivemos um aprendizado e por isso, todo tempo é ótimo.

Aos 40 anos eu estava…

Não sou muito boa para relembrar as idades que tive…O que posso dizer é que você só conhece as pessoas profundamente depois da meia idade. Os jovens querem quebrar estruturas, mas a idade traz o autoconhecimento e favorece os relacionamentos porque podemos saber, de fato, como as pessoas são.

Uma palavra ou imagem que define o presente para você…

Acho que a palavra que melhor define o presente é ‘apocalipse’, vivemos uma época de grandes transformações sociais, culturais… Basta ver que o Brasil, politicamente, também passa por mudanças drásticas…Sempre fomos considerados um povo simpático, bonzinho e isso está mudando. Aliás, apocalipse é uma palavra originária do grego apokálypsis que significa revelação; acho que estamos vivendo uma época de muitas revelações em todas as áreas e em todo o planeta. Acho que já estamos vivendo a ‘Era de Aquário’, uma fase de transição universal e democrática: hoje, como já previa Andy Warhol, todos têm seus 15 minutos de fama!

Projetos para o futuro…

Tenho saudades do futuro porque adoro surpresas…

A vida para mim é…

… a vida não é a arte de viver e sim, de conviver!

Mais curiosidades sobre a Elke:

 

•                Foi professora, tradutora e intérprete de línguas estrangeiras;

•                Fala oito idiomas: alemão, italiano, espanhol, russo, francês, inglês, grego e latim;

•               Foi bancária, secretária trilíngue e bibliotecária;

•             Trabalhou como modelo e manequim e foi bastante  requisitada;

•               Em televisão começou em 1972, com o Velho Guerreiro (Chacrinha) como jurada no “Cassino do Chacrinha”;

•               Comandou o Talk Show “ELKE”, no SBT;

•               Na TV Bandeirantes fez o “Quadro Esotérico” no programa Amaury Jr.;

•             Atuou na novela “A Volta de Beto Rockfeller”, na TV Tupi;

•             Participou da minissérie global “Memórias de um Gigolô”, com direção de Walter Avancini e etc. e etc.

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