Maria Rosa Von Horn: por uma visão libertária da maturidade (mas sem perder a beleza e a ternura)

A empresária e advogada Maria Rosa Von Horn representa com bastante eficiência as mulheres maduras deste começo de século: para começar, não esconde a idade,  atitude que, como sabemos, seria vista como quase heresia décadas atrás.

Ana Vargas

Além disso, é extremamente sincera e não é do tipo que diz isto ou aquilo somente para agradar; talvez esta qualidade tenha a ver com o fato de que não tem medo de encarar seus ‘lados escuros’, fato que a levou, inclusive, a escrever um livro sobre o mito de Lilith, deusa que simboliza a liberdade feminina em suas várias manifestações mas que é descrita em muitas tradições religiosas, simplesmente como ‘demônio’. Nesta entrevista Maria Rosa, que também fundou há alguns anos uma agência de modelos especializada em mulheres mais velhas, nos conta um pouco de sua trajetória profissional, e o que se destaca é, sobretudo, sua visão simples  e libertária  da  maturidade. Como todas as mulheres, ela também entrou em crise quando percebeu que estava envelhecendo, no entanto, após enfrentá-las se sentiu mais forte e corajosa. Hoje ela afirma que  “ter mais idade significa (ter) mais experiência e segurança, um não se importar com a opinião alheia e uma deliciosa sensação de liberdade”.  Maria Rosa, que nasceu em Cáceres no Mato Grosso, em fevereiro 1958, diz que sempre gostou de conversar com os longevos. Ela também é fã de viagens, leituras,  escritas e internet, mas não das tais mensagens de whats app nem de TV. Assim, com desenvoltura, clareza e objetividade, ela lança um olhar renovado sobre a maturidade e sua opinião só vem comprovar que a velhice é só mais uma fase da vida que, se vivida com prazer e com entendimento de que dores e alegrias fazem parte de todas as etapas da existência; poderá ser um tempo tão produtivo como foram os anteriores. E se os anteriores não foram, sim, ainda é possível realizar ‘aquele’ sonho, qualquer que seja ele. Duvida? Então, leia a entrevista repleta de mensagens de ânimo que a Maria Rosa nos concedeu.

Maria Rosa, para começar, quais são seus livros  e músicas preferidas?

Difícil numerar tudo que leio e já li… Em minha casa a cultura de ler sempre esteve muito presente. Comecei muito cedo, assim que aprendi a ler  meus pais me presentearam com todas as obras de Monteiro Lobato, depois veio a fase de  Steinbeck e Milan Kundera  na adolescência;  Cervantes, Kafka e diversos autores brasileiros como Jorge Amado, Guimarães Rosa e Machado  de Assis. Após a leitura meus pais gostavam de discutir comigo sobre a obra. Isso era tão normal como assistir a um filme e falar sobre ele. Encantei-me com Gabriel Garcia Márquez e devorei todas suas obras. Atualmente estou mais leve gosto muito de Isabel Allende. Meus pais sempre me diziam: ”a resposta de tudo está nos livros”. E, então, cedo aprendi a mergulhar nas histórias. Não havia outras formas de diversão na minha época e eu me contentava em ficar quieta em um canto vivendo a vida dos personagens. Na poesia não posso deixar de mencionar Fernando Pessoa, sou fã de carteirinha. Quanto às musicas, gosto de tudo, música faz um bem danado pra alma. O antídoto contra o baixo astral. O que seria da vida sem música? Mas também depende do momento e do humor. Tenho uma queda pelo rock dos anos 70 e 80, Pink Floyd, Gênesis, Emerson Lake and Palmer e o som discoteca das baladas da época. Artes: amo arte em geral. Também não sei o que seria do mundo sem a beleza da arte. Pintura, poesia, escultura, música, tudo isso me fascina, me transporta para outro mundo. Li muito sobre a vida de famosos pintores porque desde muito cedo tinha certa habilidade com desenho e pensava em fazer faculdade de Belas Artes, mas o destino me levou para outro lado…

Qual é sua ideia da velhice; como você encara a passagem do tempo?  

A grande verdade é que ninguém é educado para viver a velhice. A sociedade nega o envelhecimento porque (ele) nos remete ao medo atávico da morte. Somos condicionados à vida e a juventude eterna. Ao ficarmos velhos o mundo nos repele e vamos perdendo a importância, literalmente desaparecendo, até nossa completa finitude. Quem quer isso? Quando somos jovens a velhice parece algo tão remoto e fora de nossa realidade… No entanto ela chega como todas as etapas da vida. Para mim chegou cedo. Desde pequena me julgava meio esquisitona e um tanto envelhecida. Aos 30 passei a me enxergar totalmente velha. Nessa época passei a ocultar a idade. Quando completei 40 entrei em crise… Fisicamente me sentia uma menina, no entanto, eu teria que me comportar como uma senhora idosa por ter entrado na casa dos “enta”? Era isso que a sociedade esperava de mim? Estaria proibida de ter sonhos a partir daquela maldita data de aniversario que me colocava em outra categoria? Morri de pavor do primeiro fio branco e do bigode chinês que se acentuava a cada sorriso. Parei de rir. Talvez já não fosse mais aquela mulher atraente que causava quando andava pelas ruas… E o implacável tempo foi passando e passando… O corpo também mudando, o poder de sedução diminuindo, uma dorzinha aqui outra acolá, mas a menina que me habitava interna e eternamente  permanecia idêntica:a mesma alma independente,  os mesmos desejos, o mesmo gênio voluntarioso, tudo igualzinho, APENAS A CASCA, o aspecto externo mudava cada vez mais. Quando completei 50 senti aquele abalo nas estruturas… Paradoxalmente, nesta idade, dei meu grito de liberdade. Fui descobrindo que dentro de mim havia uma mulher forte e interessante. Não precisava mais do julgamento alheio para me achar bonita ou feia, inteligente ou burra. Eu me observava e gostava do que via. Nunca quis passar por uma mulher de 30 queria representar os meus 50 da melhor forma. Estava inteira, enquanto muitos, ficaram no meio do caminho. Para o padrão esperado _  que rotulava uma pessoa de 50 com uma bengala na mão, cabelos inteiramente brancos e o corpo da avó de nossa bisavó _ eu não era nada disso. A grande verdade  que vim a descobrir anos mais tarde, é que não estava rejuvenescida e fora do padrão. Muito pelo contrário. Eu era a cara da nova mulher de 50 dos tempos modernos! Quem não admite a realidade é a nossa sociedade engessada e preconceituosa que vê como velha e acabada uma pessoa de 50. Mas nesta fase nem tudo é uma maravilha. É o tempo das perdas e dos lutos: entes queridos que morrem, casamentos que acabam, filhos que partem, além dos obstáculos cotidianos como a dificuldade  em uma colocação profissional, doenças que se instalam. Não vivenciei  todas, mas grande parte delas. Foram dores que senti na pele e no coração. Passar por esse turbilhão e me manter inteira me conferiu uma força que eu não sabia que tinha. Foi daí que comecei a reparar mais no meu lado interno e também no externo e me aceitar com todo o pacote de imperfeições que julgava ter: nunca fui bonita.  Mas o corpo era meu ponto forte. E por saber disto, cuidei bem dele. Pratiquei sempre atividade física e a vida toda mantive uma alimentação saudável. A consequência foi estar bem para os padrões esperados para minha idade. Assim, encaro a passagem do tempo não mais com o pavor que encarava aos 20, 30 ou 40.  Mesmo vivendo num mundo que teima em negar a velhice. Além disso, ter mais idade significa ter mais experiência e segurança, um não se importar com a opinião alheia e uma deliciosa sensação de liberdade. Esses ganhos são irresistíveis.

“Quando completei 50 senti aquele abalo nas estruturas… Paradoxalmente, nesta idade, dei meu grito de liberdade. Fui descobrindo que dentro de mim havia uma mulher forte e interessante. Não precisava mais do julgamento alheio para me achar bonita ou feia, inteligente ou burra. Eu me observava e gostava do que via”.

O que a levou a fundar uma agência de modelos mais velhas? Era um sonho ou aconteceu algum fato marcante que a levou para este caminho?

Nunca imaginei criar uma agência de modelos embora tudo me levasse a isso. Ser modelo foi um sonho que carreguei a vida inteira. Quando entrei na adolescência recebi muitos convites para fazer desfiles. Fui convidada aos 13 anos para ser modelo da marca Rhodia, um ‘superconvite’ na época, (mas) meu pai proibiu porque não era uma carreira a ser seguida por uma moça de família.  No entanto, diante da minha insistência e do assédio frequente, ele acabou me deixando fazer o curso de modelo e boas maneiras da Christine Yufon que era indicado para moças de boa formação. Fiz alguns desfiles para algumas confecções, tudo escondido, e não continuei mais. Segui o caminho esperado. Estudei, casei, formei uma família e fui ser advogada.

 Você trabalhava com moda antes ou algo do tipo?

Não trabalhei com moda, mas minha mãe gerenciou por muitos anos uma  confecção famosa e através dela tive conhecimento  das últimas tendências da moda e de tudo que acontecia no mundo fashion, além dos contatos constantes com as pessoas da área.

 Qual a média de idade das meninas de sua agência? Quantas modelos há atualmente?

As meninas têm entre 46 a 78 anos de idade. O termo “meninas” é dado com muito carinho porque nós mulheres somos eternas meninas interiormente. Atualmente temos 25 modelos. Nunca ultrapasso a média de 25 a 30 modelos. A proposta do FM (Fifty Models) é manter um casting apertado e extremamente selecionado. Este é o nosso grande diferencial perante as demais agencias.

  Quando a agência foi fundada? Ela foi bem recebida pelo mercado desde o começo? Criei o FM em 2008 exatamente quando completei 50 anos, daí o nome “Fifty Models”. Foi nessa mesma época e bem na contramão do que eu mesma esperava de mim. Não sucumbi derrotada pelos anos vividos. A celulite não me derrubava mais, também parei de enlouquecer com o bigode chinês, passei a sorrir mais e os dois quilos que não perdia foram perdoados. Percebi com as perdas que vivi e a rápida passagem do tempo,  que os sonhos são feitos para serem vividos. Foi assim que resolvi resgatar o desejo de voltar às passarelas. Então, fiz um curso de modelo, tirei o DRT e com a cara e a coragem fiz um book e levei nas agências.  Lembro como se fosse hoje o espanto que causei nas pessoas!  “Modelo aos 50? Deve ser louca…”  Senti  na pele o preconceito velado e cruel em razão da idade. No rosto delas eu vi estampada a mensagem: “ seu tempo já foi, isso não é pra você, vai embora, você já era, você  incomoda..” Mas eu queria viver aquele sonho e como disse, eu não me importava com a opinião alheia. Então tive a ideia de criar o FM, selecionar as modelos pela WEB e criar minha própria agência. Tudo virtual. Até mesmo essa ideia virtual há 10 anos foi inédita!  O sucesso foi tremendo. Uma emissora de TV me descobriu e outra e mais outra e uma revista pediu para que escrevesse minha história. Ao mesmo tempo, comecei a fazer várias entrevistas e a receber muitas mensagens de mulheres que se viam em minha história. Mulheres que temiam a passagem dos anos e que não tinham com quem falar. Mulheres que também queriam correr atrás de seus sonhos, mulheres que me contavam suas vidas, suas perdas, sua superação, como lidavam com a difícil passagem pela menopausa… Como não dizer que tudo isso me retirou da pacata rotina? Como não atribuir aos meus 50 anos a conquista de um sonho? Sim, eu me tornei modelo e também empresária.

Suas meninas sofrem ou já sofreram algum tipo de preconceito?

O maior preconceito é ainda a falta de abertura do mercado da moda e da beleza que resiste em aceitar as modelos mais velhas. Os cachês são irrisórios como eram no tempo em que modelei há 45 anos atrás. Hoje uma jovem modelo pode fazer carreira internacional e ganhar muito bem. Haverá um tempo em que as maduras também serão modelos de sucesso e não acho que vamos esperar mais 45 anos. Já existem mudanças que vejo com bons olhos. No entanto, temos que trabalhar com afinco a aceitação da modelo brasileira nos grandes eventos como a SPFW (São Paulo Fashion Week). Os estilistas apenas dão crédito para passarelas, ao perfil da madura europeia: alta, branca, olhos claros e cabelos brancos.Aonde existem essas modelos? Somente na Europa.  A brasileira não é assim! A brasileira madura tem mais curvas, é extramente vaidosa, gosta de tintura nos cabelos e de maquiagem, alem da pele ser dourada pelo sol tropical. Há mulheres maravilhosas maduras muito mais bonitas que as tais europeias! Vamos valorizar a brasileira!  Vamos gerar empatia no público!   E quanto a isso, a FM tem seu papel de destaque como inovadora e é número um nas mídias sociais no quesito “mulher madura bonita”. Há 10 anos atrás quando comecei,   trabalhar com um modelo acima de 45 era inimaginável.  Hoje não mais. É preciso expandir a mentalidade retrógrada e acatar a diversidade. Vivemos mais tempo e a sociedade envelheceu. O segmento maduro é o que mais tende a crescer. Não sou eu apenas que digo, isto é comprovado pelas estatísticas! De acordo com um estudo recente feito pela Fundação Álvares Penteado e publicado pela Revista Brasileira de Gestão de Negócios o grau de identificação da consumidora madura comum com a modelo é maior quando ela aparenta ser da mesma faixa etária cognitiva da consumidora. Quando a consumidora considera que a modelo está em sua faixa etária cognitiva, a atitude em relação à roupa e muito mais positiva. É preciso dizer mais?  Um empreendedor inteligente e que busca o sucesso de seu produto é informado e tem um olhar a frente de seu tempo. Algumas marcas brasileiras já seguem essa tendência.

“Os estilistas apenas dão crédito para passarelas, ao perfil da madura europeia: alta, branca, olhos claros e cabelos brancos. Aonde existem essas modelos? Somente na Europa.  A brasileira não é assim! A brasileira madura tem mais curvas, é extramente vaidosa, gosta de tintura nos cabelos e de maquiagem, alem da pele ser dourada pelo sol tropical. Há mulheres maravilhosas maduras muito mais bonitas que as tais europeias! Vamos valorizar a brasileira! “

 Em uma sociedade que valoriza tanto a juventude e a beleza fundar uma agência voltada para mulheres maduras não foi algo impensado?  Você sentiu certo ‘temor’? Sofreu alguma crítica?

Jamais pensei ou temi que desse errado, mesmo sozinha e nas mais difíceis iniciativas. Sofri criticas, senti o descaso velado das pessoas, inclusive das pessoas mais próximas. Mas nunca pensei em desistir. Ao contrário, a oposição me deu ainda mais garra para seguir adiante. Quando colocamos energia e amor no que fazemos não tememos a nada nem a ninguém. Não trabalho por dinheiro, luto por um ideal e esse ideal acabou por me trazer fama e mais recursos financeiros.

 Depois da fundação da agência, quando percebeu que estava no caminho certo?

Pelo retorno recebido das mulheres que se identificavam comigo e diante das mudanças sociais que pediam uma atenção maior ao segmento ‘maduro’ que nunca antes havia sido representado no mundo da moda e da beleza.

O processo interno de sua agência é semelhante ao das outras agências de modelos? As moças são convidadas (há um olheiro ou algo assim), mas também a procuram querendo ser modelos?

Não convido ninguém a ser uma modelo fiftie. Não coloco parentes e amigas no casting. Isso é uma regra. Não temos olheiros porque o acesso é muito grande. Recebo em media 150 candidatas ao casting mensalmente  e pouquíssimas são aprovadas! Mulheres de toda parte do Brasil e algumas do exterior também. Há determinados perfis como  negras e  orientais que são mais escassos e para esses abrimos o casting vez ou outra na página do FM e nas redes sociais.

 A maioria delas já havia trabalhado como modelo ou não?

A grande maioria não é modelo. Mas já tive ex-modelos e até atrizes conhecidas no casting.

  Quando você diz que encara a velhice de forma objetiva sem ‘dourar a pílula’ o que seria este ‘dourar a pílula’ para você?

Abomino o tratamento infantilizado dado às pessoas mais velhas. Acho um desrespeito e falta de educação. Sei que elas detestam. A grande maioria das pessoas não se torna débil mental com a passagem do tempo se estiver saudável. Lembro bem de minha mãe completamente lúcida, culta e inteligente com quase 90, quando ficava possessa ao comentar ou conversar seriamente com alguma pessoa e a referida pessoa ficar respondendo “ai que fofa.. ai que gracinha…” ou o médico dizendo “deixe eu ver seu bracinho, me mostre sua mãozinha” ou coisas do gênero.. Ela olhava espantada pra mim e dizia com certa ironia: “Será que virei bebê?” Não era só minha mãe. Várias pessoas idosas com as quais  converso (faço isso rotineiramente quando estou em consultórios ou em filas exaustivas, puxo assunto… mas procuro ser respeitosa tratando com igualdade) reclamam ou ironizam as pessoas jovens que as tratam com “os malditos diminutivos”. Francamente, você estuda durante anos, adquire experiência, busca ser respeitado e ao ficar velho é tratado como retardado mental!  “Senhorinha” é a vovozinha do Chapeuzinho Vermelho! Velhice como já disse, é natural, como qualquer outra etapa da vida, só que assusta  porque é a ultima. Ficar ocultando a realidade é de extrema burrice e o caminho certo para o sofrimento. Quando bater o medo do futuro, encare-o e veja o que de pior pode acontecer. Para tudo há uma saída e talvez a alternativa não seja tão assustadora. Tudo tem um lado bom. Compartilhar nossas dores, pesquisar, trocar ideias, desabafar nem que seja para o seu cachorro, ameniza e acalma. Por que temos que ser sempre fortes? Somo todos tão frágeis e dependentes do próximo, e morremos de medo da solidão. Mas a solidão é universal e para todos. Viemos e voltaremos sozinhos. Desapegar é o grande segredo. Estar mais velho não nos impede de realizar sonhos. Talvez as grandes conquistas não sejam mais possíveis, mas quem disse que elas seriam possíveis na juventude? Por falar em juventude, fizemos o que entendíamos como o melhor de acordo com nossa pouca experiência. Não há culpa por isso, apenas aprendizado. Que tal valorizar mais os pequenos prazeres cotidianos? Viver o mundo presente com mais intensidade,  deixar o passado de lado e não temer tanto o futuro?  Leveza nas emoções. Tudo passa. Liberte para ser livre.

 Quando você sentiu, intimamente, que estava envelhecendo? E como lidou com esta verdade?

Como disse, me senti envelhecer desde sempre. Até mesmo quando bem criança me sentia meio velha. Mas, dos 30 aos 49, foi mais intenso e mais sofrido.  Intimamente não me sinto “velha” no conceito pejorativo do termo. Na verdade me sinto uma menina milenar. Ser milenar é não ter fronteiras. É ter a mente aberta para o novo, é se sentir lapidada pelo tempo. Aceitar-se e aceitar as pessoas e as situações como elas realmente são e saber lidar da melhor forma com isso.

 Como você vê as tentativas desesperadas que muitas mulheres fazem para parecerem mais jovens, fazendo plásticas e mais plásticas,  que vão fazendo com que percam a expressão e a própria identidade?

Acho isto apavorante. Perder a identidade e lutar contra o tempo, é uma batalha inglória e frustrante. Sou favorável àquela ajeitadinha aqui e ali para a manutenção básica. Faz um bem danado para a autoestima, mas o exagero, jamais! Mas existe uma plástica que torna qualquer  mulher, em qualquer fase da vida, irresistível, chamada bom humor e autoconfiança. Quando você  descobre sua força e sua beleza interior você se torna bonita  para todos .

“Estar mais velho não nos impede de realizar sonhos. Talvez as grandes conquistas não sejam mais possíveis, mas quem disse que elas seriam possíveis na juventude? Por falar em juventude, fizemos o que entendíamos como o melhor de acordo com nossa pouca experiência. Não há culpa por isso, apenas aprendizado”.

Como fazer com que a beleza das mulheres maduras se destaque sem que se tenha que abrir mão do que o tempo aprimorou?

Beleza na maturidade está  ligada a uma vida saudável. Praticar atividade física e alimentar-se de forma adequada, além de cuidar das emoções, são os grandes pilares da beleza madura e se refletem na pele, no olhar, nos cabelos sedosos e em um corpo harmonioso. Como não estar bonita com todos esses atributos?

 “Precisamos abrir os olhos, perceber e saber escolher as melhores opções nesta fase, porque elas existem, escolhas  com maturidade, porque para mim maturidade é justamente isso : ter conhecimento e aceitar esse momento e saber lidar com ele da melhor forma”: gostaria que você aprofundasse  esse pensamento.

A maturidade nos confere a sabedoria necessária para escolher o melhor caminho a ser seguido daqui para frente. Não há tempo melhor para se tomar uma decisão do que o tempo da maturidade, portanto, não tema o que tiver de fazer quando estiver na maturidade. Se o medo invadir, compartilhe, busque alternativas e, principalmente, ouça o seu  coração. A sua decisão será sempre a melhor escolha. Afinal, você tem maturidade!

Como você transfere o mito de Lilith para a nossa época? Quem seriam  as ‘liliths’ de hoje?

O que posso dizer é sobre a  LILITH, “lua negra”, de minha obra. O livro traça um paralelo entre os ciclos da lua: crescente, nova, cheia e minguante e as varias etapas femininas, sendo que há um lado obscuro da lua e pouco comentado,  assim como também  há esse lado nas mulheres…  As ‘liliths’ de hoje são as (as mulheres) babies boomers, nascidas entre 1950 a 1965, que abriram espaço para que essa nova geração de mulheres do mundo atual seja muito mais forte e consciente de seus direitos.

Há alguma mulher que você admire pela beleza, talento ou ambas as qualidades?

Admiro a bela e inteligente Bruna Lombardi. Adoro a irreverência da Rita Lee. Sou fã de carteirinha da jovem e talentosa empreendedora Bel Pesce, menina incrível!  Mas as que mais me inspiram são, sem dúvida, as mulheres comuns que me escrevem e que passaram e passam em minha vida. Nem tão belas nem tão talentosas e perfeitas, algumas fadas, outras bruxas, mas todas, verdadeiras enciclopédias de aprendizados.

Se você pudesse escrever uma frase para levantar a autoestima de uma mulher com mais de 50 anos que se sinta inadequada por não caber nos padrões de beleza e juventude, esteja deprimida (há milhares assim) o que você diria?

Quando você decidir ser a melhor amiga da menina que chora dentro de você e ouvir tudo que ela tem a dizer, vai se surpreender com a força que tem e essa mulher linda virá a tona e será capaz de mudar o seu próprio destino!

Se há algo que queira ‘dizer’ e que eu não tenha perguntado, fique à vontade para ‘dizer’, ok? 

Estou muito contente de ter participado desta entrevista. Um beijo grande a todas as queridas internautas. Para as que vivenciam a maturidade indico meu livro

O LUAR PROFANO DA OUTRA LUA (não duvido que você não seja uma das personagens do livro) http://revolucaoebook.com.br/ebook/o-luar-profano-da-outra-lua-isbn-9788582452899/.

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