3 formas de criar momentos alegres de conversas com portadores de Alzheimer

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Pessoas com esta demência têm grande dificuldade de iniciar um diálogo ou tomar a iniciativa de se comunicar, mas respondem a estímulos
Redação Plena
 
Quem convive com portadores de Alzheimer sabe que a tarefa exige muita paciência, dedicação e amor. Para ajudar os cuidadores e familiares a se relacionarem melhor com os idosos, os gerontologistas Tom e Karen Brenner, pesquisadores voltados para mudança de cultura no campo do envelhecimento, elaboraram algumas dicas de como criar motivações para estabelecer conexão e incentivar conversas alegres com pessoas que sofrem da demência.
 
Eles usaram técnicas inicialmente desenvolvidas por Maria Montessori. Transformaram as experiências em um livro inspirador que valoriza as pessoas com Alzheimer sugerindo métodos e estratégias para criar momentos de alegria para todos os envolvidos.
 
Respostas gratificantes
 
O sucesso deste trabalho é medido através de um simples e fugaz sorriso, um aperto de mão ou um olhar desperto e atencioso. 
 
Aí vão as 3 dicas:
 
Coisas da natureza
 
Todos nós temos sempre alguma afinidade com a natureza, tanto vivendo em grandes cidades, vilas, praia ou no campo. Gostamos de sentir o cheiro das flores, apreciar o verde das árvores, sentir nas mãos as folhas ou ouvir o som das ondas do mar colocando conchas nos ouvidos.
 
Colocar alguma coisa do mundo natural nas mãos de uma pessoa com Alzheimer pode ser um gesto simples mas um poderoso meio de conectá-la com o mundo de novo.  Experimente conversar com o portador em um jardim simplesmente fazendo a pessoa segurar uma flor ou um maço de ervas nas mãos.
 
Objetos relacionados a áreas de interesse
 
Cada um de nós tem guardados como tesouros para sempre em nossa memória, momentos muito especiais vividos, mesmo estando com Alzheimer. Estes momentos especiais de nossas vidas podem não estar necessariamente associados à nossa ocupação principal mas estar em outras áreas de interesse  como hobbies, esporte, musica, etc.
 
Tomemos como exemplo um homem que foi encanador em sua vida economicamente ativa, mas tinha paixão pelo futebol. Sabendo disso, podemos fazê-lo segurar uma bola ou uma chuteira ou uma camisa do seu time favorito. Manusear estes objetos, ou simplesmente tocá-los, fará aflorar lembranças de momentos felizes, de jogos que assistiu, de amigos com quem dividiu as alegrias, de jogadores famosos da época e outros.
 
Pessoas com Alzheimer têm grande dificuldade de iniciar uma conversação ou tomar a iniciativa de se comunicar com outras pessoas. Elas não conseguem se lembrar de como começar uma conversa, eles não sabem mais como abrir um diálogo. Mas dando-lhes objetos significativos para segurar, seja da natureza ou relacionados com coisas vividas, criamos a oportunidade para um ponto de partida para uma conversa e uma forma de estabelecer uma conexão.
 
A terceira técnica é envolver o paciente com música
 
O cuidador talvez possa cantar ou tocar um CD de alguma canção favorita do paciente. Vai se surpreender ao perceber que o paciente, ainda que já tenha alguma dificuldade de falar, vai lembrar as letras da música e cantar com satisfação. Pode também dar-lhe um instrumento musical que ele tenha tocado. Há alguma coisa mágica na forma como a música consegue desbloquear a névoa da demência.
 
Resgate de sensações
 
Em resumo, a técnica consiste em descobrir objetos que tenham algum significado para a pessoa com demência, que evoquem algum momento ou atividade prazerosa realizada. Estes fugazes momentos de resgate de sensações vividas são proveitosos gatilhos para disparar uma conversação sobre pessoas, coisas, lugares e eventos que certamente trarão de volta a alegria de momentos felizes.
 
 
Artigo original de Tom and Karen Brenner publicado em Alzheimer’s Reading Room.
 
Tradução e adaptação livre: T. Mizutani
 
 

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