Chuck Berry: morre, aos 90 anos, uma lenda viva da música pop

Chuck Berry era parte integrante da espinha dorsal do rock’n roll, um estilo musical que viria a ser consolidado depois por bandas imortais como Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e músicos como Jimi Hendrix, Janis Joplin e tantos outros.

Publicado originalmente por Pepe Chaves do Via Fanzine*

De acordo com informações da revista Rolling Stone, a polícia do condado de St. Charles (EUA) respondeu a uma emergência médica na estrada de Buckner aproximadamente às 12:40 (local) deste sábado, 18 de março, dando conta da morte do músico Chuck Berry.

“Dentro da casa, os primeiros socorristas observaram um homem que não respondeu e imediatamente administraram técnicas de salvamento. Infelizmente, o homem de 90 anos não pôde ser revivido e foi declarado falecido às 13h26”, afirmou o comunicado, informando que a vítima era Chuck Berry e acrescentando que sua família pedia privacidade naquele momento.

“Os Rolling Stones estão profundamente entristecidos ao saber da morte de Chuck Berry. Ele foi um verdadeiro pioneiro do rock & roll e uma enorme influência sobre nós. Chuck não era apenas um brilhante guitarrista, cantor e intérprete, mas o mais importante, ele era um mestre artesão como compositor e suas canções viverão para sempre”, escreveu  a banda britânica Rolling Stones ao ser informada da morte do músico Chuck Berry, ocorrida por causas naturais, provavelmente um AVC.

Toda essa verve Rock’n Roll que consagrou tantos imortais da música mundial, levando mensagens descontraídas e narrando situações nem sempre politicamente corretas teve origem nesta figura, tão inovadora em sua época quanto eternamente estilosa para a música pop mundial.

Com seu estilo próprio de tocar a guitarra, com seus esquisitos passos de pato no palco, suas performances foram energéticas e incríveis. Berry se tornou uma espécie de coluna vertebral do rock, juntamente com Little Richards e outros poucos músicos que consolidariam a irreverente raiz ainda na década de 1950. Diga-se, estilo esse, que saltaria da música propriamente dita para se tornar um ideal de vida a muita gente.

Declaradamente influenciados por Berry, os Rolling Stones ao longo de sua carreira gravaram canções marcantes do compositor. Entre elas, o histórico primeiro single da banda, gravado em 1963, que trazia uma versão de “Come On”, de Berry. Os Stones também gravaram dele, “Around and Around”, “Carol”, “Little Queenie”, entre outras.

Lançando “Maybellene”, seu primeiro hit, em 1955, Berry viria a escrever toda uma coleção de canções que se tornaram partes essenciais do arsenal rock clássico, como “Roll Over, Beethoven”, “Rock & Roll Music” e especialmente “Johnny B. Goode”.

Nascido em St. Louis em 18 de outubro de 1926, Charles Edward Anderson Berry aprendeu a tocar blues na guitarra quando adolescente e realizaria seus primeiros shows ainda no ensino médio. A música foi seu primeiro amor, mas não necessariamente sua primeira escolha profissional. Filho de um carpinteiro, Berry trabalhou em uma linha de montagem da General Motors e estudou para ser cabeleireiro.

Com o pianista Johnnie Johnson, Berry formou uma banda em 1952. Depois de conhecer a lenda do blues Muddy Waters, Berry foi apresentado ao fundador da Chess Records, Leonard Chess, em 1955.

Ao fundir blues e country, Berry também inventou um estilo próprio de tocar guitarra com sua assinatura, sendo imitado por bandas como Stones, Beach Boys e várias punks. Suas letras – em grande parte abordando sexo, carros, música e problemas – introduziram a um vocabulário totalmente novo na música popular nos anos de 1950. Em suas canções, Berry capturou a nova prosperidade da América pós-guerra – um mundo que ele canta em “Back in the USA”.

No entanto, Berry, em seu papel de pioneiro do rock, também sofreu com o racismo e o fanatismo, sobretudo, quando foi acusado em 1961 de violar a Lei Mann, que proíbe o transporte de mulher ou menina através de linhas estatais para fins de prostituição. Em sua defesa, Berry afirmou que conheceu Janice Norine Escalanti, uma americana de 14 anos, durante um show no Texas e a contratou para trabalhar em seu clube em St. Louis, o Club Bandstand. Preso depois de ser julgado em segunda estância, Berry, que se declarou inocente, cumpriu quase dois anos de prisão, para ressurgir depois como um homem amargamente alterado. Autor de composições espirituosas que viriam influenciar tantos músicos pelo mundo afora nas décadas seguintes, a lenda se recolhia em seu mundo e fez poucas aparições públicas nos últimos anos. Ao longo das últimas cinco décadas as canções de Berry foram gravadas por uma incrível variedade de artistas, como Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Kinks, David Bowie, The Doors, James Taylor, Peter Tosh, Judas Priest, Dwight Yoakam, Phish, Sex Pistols, entre tantas outras das mais variadas vertentes musicais.

Chuck Berry em 1958/Foto Universal Atractions

Sem dúvida, hoje foi um dia em que a guitarra chorou, pois o que era uma lenda viva até poucas horas, morreu.

* Com informações da revista Rolling Stone.

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