Como enfrentar os desafios em relação à perda de um ente querido

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Especialista explica que o processo de luto é fundamental nessa situação. Admitir a finitude é o mais difícil
Redação Plena
 
A perda de um ente querido, além de trazer dor e angústia, evidencia a certeza de que todos morrerão algum dia. Além disso, saber lidar com a morte, talvez, seja o grande desafio para as pessoas. E por qual motivo essas questões são tão difíceis de lidar? "Isso ocorre porque não queremos assumir a nossa finitude. Por mais que todos nós saibamos que a morte é a coisa mais certa para acontecer, enfrentá-la é lidar com a nossa finitude. No momento em que presenciamos a morte de alguém muito próximo, essa sensação chega até nós. Nós sofremos, porque sabemos também que isso irá nos acontecer e, de fato, 'cai a ficha'. Ou seja, somos finitos e morreremos", afirma a psicoterapeuta Maura de Albanesi.
 
E será que as crianças lidam melhor com a perda? Maura ressalta que os pequenos conseguem enfrentar bem essa situação, dependendo dos adultos que as cercam, os quais podem influenciar nos posicionamentos das crianças frente a esse cenário. "De qualquer forma, os pequenos têm uma absorção melhor. Eles podem até sentir a falta de alguém. Em alguns casos, olham para o céu e pensam; 'essa pessoa está lá', ou seja, eles creem que o ente querido foi para um outro lugar, de onde viemos e para onde vamos retornar", afirma.
 
A especialista destaca que a criança tem a capacidade criativa e imaginativa muito mais ampla do que o adulto, que cultiva mais o racional. "Essa lógica nos traz uma dureza e isso nos causa dor. A criança consegue numa imaginação mais fértil, produzir esse contato com a não presença física da pessoa, mas manter uma ligação com ela extremamente saudável", destaca.
 
Luto
 
Vivenciar o luto, de acordo com a psicoterapeuta, é extremamente saudável – sendo um passo primordial e fundamental para lidar com a morte de uma pessoa querida. "trata-se de um momento para refletir, estar em contato com as memórias e, sobretudo, pensar a respeito do que essa pessoa significou em sua vida e a importância desse convívio. Também devemos trazer sentimento de gratidão e respeito à aquela alma que esteve conosco e todos os momentos compartilhados", pondera.
 
De acordo com Maura, ao vivenciar o luto no contexto citado, a pessoa tende a sentir uma saudade que não traz angústia, mas bons momentos vividos. "O indivíduo sente que o amor permanece eternamente entre ele e a pessoa que se foi. Então, ele resgata aquela alma dentro de si. Dessa maneira, carregamos aquela pessoa especial eternamente conosco", afirma.
 
Quadros de depressão
 
Além disso, em muitas situações – diante da perda de um ente querido – admitir essa finitude pode levar a pessoa a um quadro de depressão, de acordo com a psicoterapeuta. "Nós projetamos a raiva que sentimos. Fica uma espécie de briga e raiva da vida e, por isso, tendemos a não sentir vontade de viver. A depressão é um desejo de morte, mas sem a coragem de tirar a própria vida. Temos a negação. A morte faz parte da vida e negamos. Quando a morte se escancara, então, o indivíduo pensa: 'não, não quero essa vida'. Aí surge a depressão", afirma.
 
Para a psicoterapeuta, trazer o sentimento de gratidão é importante para evitar esse quadro. "Quando estamos na depressão queremos mais e mais e nos tornamos ingratos pelo processo da vida. O indicado é trabalhar a aceitação e gratidão, além de pensar o quão bom foi conviver com essa pessoa. Tudo isso abastece o coração, que não entra na rebeldia e depressão, mas entra no louvor da vida. Neste caso, eternizamos as nossas relações e o nosso amor", destaca.
 
Como lidar com a morte?
 
"Preparar-se para a morte é aprender a viver, trazendo essa finitude para dentro nós e todos os dias", destaca. Maura também sugere ações práticas às pessoas, como se questionar diariamente sobre o que fariam se morresse hoje.
 
"No caso, quais seriam suas pendências e como você viveria seu último dia? Portanto, a melhor maneira de nos preparar é tornar a morte mais presente em nosso cotidiano. E com isso não nos espantarmos com sua chegada. Ao acordar, busque sentir alegria por ter mais um dia de vida a cumprir", finaliza.

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