Coronavírus nas comunidades: a dura realidade de muitos brasileiros

Com o agravamento da doença no país, as comunidades acabaram sendo ainda mais afetadas. Além dos problemas financeiros enfrentados, outra problemática é a saúde mental.

Por Fabiana Rodrigues**

A doença invadiu fronteiras de diversos países sem seleção de poder econômico e político, raça ou idiomas. No nosso país, o coronavírus escancara uma das inúmeras falhas estruturais, por exemplo: os que não têm água encanada para lavar as mãos correm mais riscos. Além disso, a quarentena pode ser ainda mais desesperadora para autônomos que precisam trabalhar fora de casa, como pedreiros, carregadores de material, catadores e faxineiras. Eles fazem parte de um dos grupos mais afetados pelo impacto e efeitos diretos e indiretos do Covid-19.

Nas comunidades é gritante a dificuldade de prevenção e de tratamento. A impossibilidade de manter o distanciamento social e a ausência de salários fixos ou benefícios para sobreviver à quarentena, são alguns dos fatores que fazem parte desta realidade.  O coronavírus apresenta novos riscos e intensifica os que já existem,  deixando mais aparente as diferenças  sociais. 

Grande parte da população da Rocinha ainda precisa circular para trabalhar, o que aumenta a contaminação. É muito difícil fazer um exame de covid na rede pública e a maioria não tem condições de usar a rede particular. Apesar da dificuldade, as ações de comunicação e parcerias com projetos da Rocinha surtem efeito e são um alento para muitos moradores. Empresas, que têm mais recursos financeiros, prestam apoio no fornecimento de cestas básicas e material de limpeza.

O momento exige união e solidariedade, características que estão sempre presentes no dia a dia do local. Uma parceria com o projeto do ateliê da Maya Lele, por exemplo, gerou uma doação de 877 máscaras de tecidos e as costureiras foram remuneradas pelo serviço realizado.

Com o agravamento da doença no país, as comunidades acabaram sendo ainda mais afetadas. Além dos problemas financeiros enfrentados, outra problemática é a saúde mental. As pessoas que estão empregadas têm receio de perder o emprego, outras se preocupam com os impactos da doença em suas rendas. Existe as tensões relacionadas com o medo de passar fome, que causam ainda mais sofrimento psíquico nestes grupos sociais.

Uma outra questão importante que a pandemia e a quarentena traz como desafio, é a forma como as pessoas da comunidade lidam com o dinheiro, fazem compras e pagamentos. Para evitar o contato direto e manusear as cédulas de dinheiro, parte da população da Rocinha tem adotado o uso de carteiras digitais, como o banQi (conta digital gratuita). Esse tipo de tecnologia ajuda a manter uma distância segura inclusive das maquininhas de pagamento, evitando uma maior contaminação e disseminação do vírus

Por isso, o pagamento digital tem sido uma forma de facilitar a vida das pessoas na comunidade. Ele leva segundos para ser realizado e pode prevenir contatos desnecessários durante a pandemia.

Percebemos que essa pandemia destaca a necessidade de se ter acesso a diferentes formas de pagamento, opção que agora é acessível na comunidade. Ainda assim, mesmo com o retorno à normalidade, é importante continuar seguindo as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde de lavar regularmente as mãos, seja para mexer em dinheiro físico ou em terminais de pagamento.

Agora, mais do que nunca, é extremamente necessário se adaptar às novas medidas e cobrar as autoridades pelos direitos básicos dessa população desamparada, principalmente em momentos de vulnerabilidade como estamos vivendo nessa pandemia. De qualquer forma, acredito que unidos e com força de vontade vamos conseguir vencer mais esse desafio.

Fabiana Rodrigues (ao centro) é  líder da comunidade da Rocinha. foto – divulgação

fonte: assessoria de imprensa/foto abertura – wikimedia commons/Rillke

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