Debate sobre o envelhecimento: somente o PSOL respondeu ao Plena

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Há alguns dias publicamos aqui no Portal Plena um convite que fizemos aos candidatos a prefeito de São Paulo para um debate sobre o envelhecimento. O convite foi enviado para os candidatos Fernando Haddad ( PT); João Dória Jr. (PSDB); Luiza Erundina (PSOL); Marta Suplicy (PMDB) e Celso Russomano (PRB). Destes, apenas o PSOL** nos respondeu (veja abaixo). Este fato vem comprovar o 'pleno' desinteresse dos políticos em relação ao envelhecimento e reforçar a necessidade de que as questões relativas aos idosos sejam tratadas com mais respeito. 

Ana Vargas

 

Publicamos aqui informações sobre o debate Conversa sobre o Envelhecimento com Erundina e Muna Zeyn que o PSOL realizou no dia 09 de setembro. Segundo a assessoria de imprensa do partido, o evento “contou com a participação de 70 pessoas entre elas, lideranças de movimentos sociais, conselheiros, profissionais que atuam com o envelhecimento e demais pessoas interessadas no tema.  A roda foi aberta com a apresentação de alguns dados sobre o processo de envelhecimento que vem ocorrendo não só na cidade de São Paulo, como em todo o país e a exposição de algumas das propostas de Luiza Erundina e da vereadora Muna Zeyn para o envelhecimento. A candidata Luiza Erundina falou em seguida relembrando do seminário realizado ainda em 1989 com a seguinte pergunta como tema: São Paulo deve olhar os idosos como encargo ou patrimônio? Comentou algumas das propostas e respondeu a uma série de questões levantadas pelo público presente. Os assuntos sobre o envelhecimento mais recorrente levantados foram questões relacionadas a saúde do idoso, problemas com moradia, a preocupação com a implantação de mais equipamentos públicos para o atendimento dessa população e a construção de programas de estímulo do envelhecimento ativo e saudável”.

O PSOL também se colocou à disposição para continuar o debate em torno do assunto e enviou dados importantes sobre os idosos de São Paulo que publicamos (na íntegra) abaixo:

O estado de São Paulo tem hoje uma população idosa que representa 12,2% da população total do estado, com cerca de 5,4 milhões de pessoas. A projeção para 2030 é de 9.316.614 segundo a Fundação SEADE. As regiões do Estado se comportam de maneira distinta, com índices de envelhecimento bastante elevados nas regiões Noroeste (São José do Rio Preto e Araçatuba), Baixada Santista e Grande São Paulo.

Na cidade de São Paulo essa realidade é ainda maior, pois temos cerca  de 14% do total da população de pessoas idosas. São Paulo tinha em julho de 2016, segundo estimativa da Fundação SEADE, 1.619.760 idosos. A projeção para 2030 é de uma cidade com uma população de 12.242.971 com 2.456.317 de idosos.

Em 1989, quando a Política Nacional do Idoso ainda não tinha sido regulamentada e o Estatuto do Idoso ainda nem tinha começado a sair do papel, um seminário realizado na gestão da então prefeita de São Paulo Luiza Erundina, reunia alguns dos expoentes, de diferentes tendências políticas e acadêmicas, entre os estudiosos do envelhecimento para debater como a cidade de São Paulo deveria cuidar dos seus cidadãos mais velhos. Idoso: Encargo ou Património, que foi debate durante três dias no SESC Consolação e depois se transformou num livro, levantou as necessidades dos idosos que serviram depois como pauta pioneira para a implantação de políticas públicas da nossa cidade.

Nos dias de hoje, ainda são muitas as demandas dessa parcela da população – que é a que mais cresce em São Paulo (que os debates lá atrás já apontavam) mas que não encontrou quem as defendesse de verdade para tirá-las do papel. Em poucos anos teremos menos adolescentes que idosos na cidade de São Paulo e as necessidades das pessoas que construíram a maior cidade do Brasil precisam estar contempladas nas políticas públicas da cidade.

 

Veja abaixo algumas das propostas que a candidata Luiza Erundina nos apresentou para os idosos:

 

– Construir política pública voltada para os idosos sozinhos, sem acesso aos

cuidados indispensáveis e aos serviços nas áreas de saúde e assistência social;

– Expandir a oferta de moradia para a pessoa idosa através do mecanismo de locação social, bem como ampliar de 3% para 10% a cota de unidades nos conjuntos habitacionais. Estimular a criação de outras alternativas habitacionais como por exemplo “Casas Compartilhadas”;

_Discutir formas possíveis de adaptação de imóveis de conjuntos habitacionais às necessidades de acessibilidade da pessoa idosa;

– Consolidar programa de enfrentamento a violência contra a pessoa idosa nas várias dimensões: física, social, sexual, financeira, psicológica e estrutural, urbana, institucional;

– Criar programa de educação sexual no processo de envelhecimento, principalmente com ênfase na prevenção de doenças como a DSTs/Aids;

– Ampliar o número de instituições de longa permanência e Centros-Dia para os idosos, de diferentes complexidades.

 

*O PRB, do candidato Celso Russomano, nos respondeu dizendo que enviaria nosso convite para a coordenação da campanha mas  depois disso não entrou em contato conosco novamente.  

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