Iris Apfel : envelhecer pode ser um ato de libertação

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Iris Apfel acaba de fazer 95 anos. E nem por isso se contentou em vestir a camisolinha e ficar em casa de chinelos. Também não gostou da ideia de usar tailleur azul claro e colarzinho de pérola, como outras velhinhas da sua idade. Ela é pura cor, bijus imensos, gestos largos, óculos maiores ainda. Essa liberdade é um ganho da maturidade que eu adoro.

Publicado originalmente no Estado de S.Paulo por Fabiana Corrêa

A gente vai começando a perder os enfeites que a natureza deu, já não chama tanto a atenção nas ruas – os velhos reclamam que são invisíveis na multidão. Mas, por isso mesmo, pode se dar ao luxo de fazer o que quiser, sem ter que se adequar ao um dresscode velado. Se quer usar tailleur e cabelo roxinho, beleza, acho chique também. Mas se não quer, há uma série de possibilidades para ser maravilhosa. Seja aos 55 ou aos 95. Como bem nos mostra Iris.

Cabelos brancos estão na moda, então quem tem tudo prateado na cabeça já saiu ganhando. Eles exigem cuidados, claro, mas têm muito estilo. Como as formas vão suavizando, ou seja, cintura, seios e quadris já não estão mais em evidência conforme a gente caminha para a maturidade, as mulheres podem, finalmente, se soltar dessa ditadura que é roupa para valorizar a silhueta. Digo, podem e devem vestir o melhor para valorizar seu tipo físico, óbvio, mas há uma liberdade, penso eu, um fim para aquela obrigação de ser sexy e gostosa que muita gente se impõe.

Infelizmente, como disse a jornalista Suzanne Moore no Guardian semana passada, nossa sociedade ainda está muito presa a parecer mais jovem, e o maior elogio que uma mulher madura pode receber não é “parabéns pelo PhD”, mas sim, “você não parece ter essa idade!”. Vamos assumir a idade que temos, seja 40 ou 70. Pode não ser fácil, mas é libertador. Pelo menos em termos de moda

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