Simpósio “Envelhecimento Populacional e Comportamento Organizacional” acontece HOJE

Posted by

A imposição urgente  de se debater a longevidade no mercado de trabalho devido, principalmente, a questões relacionadas à aposentadoria e ao preconceito que resiste nos ambientes corporativos, são algumas das razões apontadas pela  professora Márcia Pivatto Serra para a organização do Simpósio “Envelhecimento Populacional e Comportamento Organizacional” que acontece hoje em Campinas (SP).

Ana Claudia Vargas – Portal Plena

Márcia é uma das autoras de uma pesquisa ampla que procura mapear o  envelhecimento nas organizações a partir de cinco aspectos:  demografias organizacional e de negócios (marketing); etarismo (preconceito etário);  acessibilidade e assistividade e, por último, o aspecto legal/normativo.  Segundo a pesquisadora, a análise se fundamenta nos dados  secundários sobre a estrutura demográfica destas organizações e em entrevistas que tem sido feitas com os responsáveis pelas áreas de RH, marketing, tecnologia da informação e CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes).

“Estamos entrevistando o que chamamos de envelhescentes (pessoas com idades entre 40 e 59 anos) e idosos (pessoas com mais de 60 anos). De forma geral, pois ainda não concluímos a pesquisa, observamos que apesar de muitos entrevistados afirmarem  que não há objeção à contratação de envelhescentes e idosos, as empresas nem sempre apresentam em seu quadro de funcionários pessoas dessa faixa etária”, afirma Márcia.

Ela também ressalta que uma das maiores preocupações dos chamados envelhescentes e idosos  entrevistados é a perda de seus  empregos, “pois eles acreditam que o mercado tem dificuldades para absorver pessoas com mais de 40 anos”.  Em casos de desemprego, Márcia lembra que é comum, entre pessoas dessa faixa etária,  o uso de artifícios como a ocultação da idade ou da data de nascimento no currículo,  para que sejam, ao menos, chamados para entrevistas.

Apesar disso, ela destaca que  algumas empresas já estão atentas para o fato de que pessoas mais velhas possuem o diferencial da experiência e, além do mais, o mercado de consumo também tem buscado valorizar os mais velhos por meio de produtos diversos que têm sido lançados para pessoas da chamada ‘terceira idade’ .

 

Ações afirmativas

 

A reforma da previdência, tema que tem sido bastante discutido (mas pouco detalhado) ultimamente, é segundo Márcia, um ponto preocupante do ponto de vista legal/normativo, pois o envelhecimento populacional no Brasil  é um fenômeno que, apesar de recente, cresce de forma veloz e fará com que um número cada vez maior de idosos tenha que continuar trabalhando por razões variadas.

Em relação a esse ponto, Márcia   lembra que o Brasil assinou acordos internacionais que visam a proteção dos idosos no mercado de trabalho e isso significa que é preciso pensar em ações afirmativas voltadas para esse público do mesmo modo que  iniciativas dessa natureza foram feitas, por exemplo,  para os menores aprendizes e  pessoas com deficiência. Ela sugere que também seja criada uma política de cotas voltada aos envelhescentes/idosos.

Ainda sobre a  reforma na previdência, Márcia acredita que o debate precisa ir além da questão da idade mínima da aposentadoria, “pois devemos ter o cuidado de não deixar os idosos trabalhando até a morte, todos temos o direito de nos aposentarmos  após longos anos de contribuição”, ressalta. Para a pesquisadora  é preciso também discutir o regime atual da contribuição que hoje se baseia na repartição simples _ aqueles que estão na ativa sustentam os que estão aposentados_ e passar para o regime de capitalização que segundo ela, é semelhante “ao que temos na previdência privada, onde financiamos os nossos benefícios futuros ao longo da nossa vida”. Mas para que todos estes temas sejam discutidos, a professora acredita que é preciso uma ampla discussão “ pois teríamos que passar ou ter um modelo inicialmente misto para contemplar os que já contribuíram pelo regime de repartição simples e para dar conta dos diversos tipos de pensões que temos na previdência”

 

Inclusão dos mais velhos no mercado de trabalho: uma necessidade

 

Já o tema que a especialista e consultora em Desenvolvimento Inclusivo,  Nilza Montanari, abordará, tem o sugestivo nome de “Inclusão: esse SER diferente”. Nilza  que atua como consultora em inclusão, não trabalha com envelhecentes/ idosos e sim, com pessoas que apresentam deficiência física. Apesar disso, ela acredita que existem “semelhanças no processo de inclusão dos dois públicos, idosos e pessoas com deficiências”. Ela pretende, portanto, traçar “um paralelo entre as barreiras ambientais e atitudinais encontradas por ambos”, bem como encontrar possibilidades que permitam ultrapassar  tais barreiras.

Diante da questão de queo Brasil terá, em mais ou menos 20 anos, 50 milhões de idosos que, provavelmente, estarão buscando trabalho em uma economia ainda mais competitiva, Nilza afirma o seguinte: “acredito que este desafio terá uma parcela de responsabilidades de todos os segmentos da sociedade, governo, empresas e população. Vejo um caminho muito parecido com as iniciativas de inclusão das pessoas com deficiência: (a necessidade de uma) legislação específica regulamentando uma porcentagem de contratação deste público; preparação ambiental e atitudinal das empresas para receber estes novos trabalhadores de volta ao mercado e as próprias pessoas idosas sendo mais proativas e buscando a atualização profissional constante e atuando organizadamente para garantir seus direitos.”

Nilza também ressalta que “as lições aprendidas de uma minoria sempre podem ajudar outras (minorias) a avançarem nesse processo de inclusão.  Por isso, grupos de pesquisas como este da Universidade Mackenzie e iniciativas como este Simpósio, podem contribuir com a metodologia e técnicas para estas empresas ampliarem estes esforços”, finaliza.

 

 

Deixe um comentário