Morre, aos 74 anos, o psiquiatra Içami Tiba, autor de ‘Quem ama, educa’

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Confira um texto do escritor em que ele analisa os benefícios da terceira idade – que muita gente não vê

 

Redação Plena

 
Morreu na noite deste domingo, aos 74 anos, o escritor e psiquiatra Içami Tiba. Segundo o filho do escritor, André Luiz Tiba, o pai estava internado desde o início do ano no Hospital Sírio- Libanês, em São Paulo, lutando contra um câncer. O enterro será realizado nesta segunda-feira, às 16h, no Cemitério do Morumbi. Içami Tiba deixa a esposa, Maria Natércia, os filhos, Natércia, André e Luciana, e dois netos, Kaká e Dudu.
 
Içami Tiba nasceu em Tapiraí SP, em 1941. Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1968 e especializou-se em Psiquiatria no Hospital das Clínicas da USP. Por mais de 15 anos, foi professor de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae. Içami Tiba foi o educador mais popular do Brasil. Escreveu mais de 40 livros sobre educação – como o best-seller “Quem ama, educa!” e “Limite na Medida Certa” – e proferiu mais de 3.400 palestras. 
 
Confira abaixo,  um texto do educador publicado, em 2012, na revista Viva S/A. No artigo ele fala sobre os benefícios da terceira idade – que muita gente não vê.
 
Nunca escondi minha idade cronológica, a não ser quando era jovem e queria ter as vantagens de ser mais velho.
 
Quer perder uma amizade feminina? Diga com franqueza a idade real que você percebe dela: isso seria uma imperdoável falta de educação. Homens, quando se encontram após décadas sem se verem, comentam livremente: ¨Nossa, como você está acabado!¨, e ponto final. Mas entre as mulheres, sempre cochicham uma com as outras: “Nossa, como aquela está acabada!” ou “Olha como está toda esticada!”; contudo, na frente uma da outra, trocam elogios.
 
Com mais de 70, eu usufruo das benesses de idoso: estacionamento especial; entrada rapidinho em aviões – aliás, é comum eu estar na fila e alguém me apontar para a preferencial.
 
Safadamente abuso do que antes nunca me permitia fazer: cochilar em qualquer lugar; não me incomodar se durmo feio ou não, se ronco ou não; bater altos papos, seja com quem for; contar e fazer piadas mesmo com os irritados; estar de bem com a vida; comer em self-service, pois no meu prato só tem o que eu gosto e o quanto que eu quero.
 
Nunca minha alta performance foi tão boa: durmo pouco, acordo bem, tempo me é precioso e não o desgasto, mas empenho no que eu quero e gosto de fazer: ler, escrever, palestrar, viajar, atender meus clientes, ensinar, aprender, fazer registros das minhas atividades, trocar e-mails, caminhar em esteira assistindo a meus programas e filmes favoritos, fotografar instantaneamente e já enviar para as pessoas.
 
Não me obrigo, simplesmente realizo!
 
Eu achava que, passando os 70, eu estaria de chinelos a cuidar das minhas carpas no meu jardim japonês. Entretanto, nunca me vi tão atarefado, disposto, tremendamente produtivo, e corrigindo quem me pergunta “Este é o seu último livro?” com “Não! Este é o mais recente!”.
 
Afinal, meu pai, monge budista, formou-se em Direito no Mackenzie, ainda jovem, com 70 anos de idade.
 

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