Ministério Público cobra providências sobre problemas em mutirão da catarata

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O Portal Plena tem acompanhado o caso do mutirão da catarata que cegou várias pessoas em São Bernardo do Campo (SP); leia na matéria abaixo novas informações sobre esse fato.

 

Fonte: Natália Fernandjes, Do Diário do Grande ABC*

 

O MP (Ministério Público) de São Bernardo, por meio da Promotoria da Saúde Pública, enviou ofício questionando novamente a Prefeitura sobre o mutirão malsucedido de catarata realizado no dia 30 de janeiro no Hospital de Clínicas da cidade. Desta vez, o promotor Marcelo Sciorilli, responsável pelo inquérito civil, quer esclarecimentos sobre as penalidades impostas ao Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, responsável pelos procedimentos que causaram infecção bacteriana em 22 dos 27 pacientes submetidos às cirurgias, sendo que 18 deles ficaram cegos e um morreu.

O documento encaminhado à administração municipal questiona ainda quem são responsáveis por fiscalizar os contratos feitos com o instituto. O MP também oficiou o Centro de Vigilância Sanitária Estadual, indagando se o órgão tem conhecimento do ocorrido e se foi tomada alguma providência sobre o fato.

Embora o contrato entre a Prefeitura e o instituto esteja suspenso desde a ocorrência, a administração não informou quais medidas serão tomadas em relação ao tema. Conforme o laudo entregue pela Vigilância Sanitária do município, após sindicância interna, a infecção teria sido causada pelo uso de materiais não esterilizados e ausência de procedimentos de desinfecção durante as cirurgias. O Instituto de Oftalmologia da Baixada Santista, por sua vez, afirma que faltam provas técnico-científicas que mostrem a origem da contaminação e contratou infectologista para analisar o documento.O promotor da Vara da Saúde Pública do município já havia requisitado relatório e informações da Vigilância Sanitária e da Secretaria de Saúde sobre as vistorias feitas e aguarda a tramitação do inquérito policial, sob responsabilidade da Delegacia de Defesa do Idoso e que segue em andamento. O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) também instaurou sindicância para avaliar o problema, que corre em sigilo.

Entre os 18 cegos, dez pacientes submetidos às cirurgias realizadas no Hospital de Clínicas da cidade, no dia 30 de janeiro, precisaram remover o globo ocular devido à infecção. Já o aposentado Pelegrino Focher Riatto, 74 anos, sofreu complicações após o procedimento: AVC (Acidente Vascular Cerebral), trombose (coagulação do sangue no interior das veias) e não resistiu. A família acredita que a morte é consequência da infecção ocular adquirida na cirurgia de catarata.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que ainda não foi oficiada. A Prefeitura não se manifestou sobre o tema.

(* Reprodução Autorizada)

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