Mulheres que consomem carne, frituras, doces, chá ou café em grande quantidade tendem a ter piora no quadro de osteoporose

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“Com esse estudo, descobrimos que é possível utilizar a alimentação não só como uma medida preventiva, mas também como um importante aliado no tratamento da osteoporose que, atualmente, é feito apenas por meio de medicamentos”, diz nutricionista da Abrasso

 

Redação Plena

 
Manter uma alimentação equilibrada e rica em cálcio é essencial para prevenir a osteoporose. Porém, uma pesquisa orientada pela nutricionista Lígia L. Martini, membro da comissão científica da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), apontou que o cuidado com a dieta pode ajudar a controlar o avanço da doença no organismo. “Ao realizar esse trabalho, constatamos que as mulheres que consomem carne, frituras, doces, chá ou café em grande quantidade tendem a apresentar densidade óssea mais baixa. Já as que costumam comer frutas, verduras, legumes e laticínios, mais do que todos estes outros alimentos, têm ossos mais próximos de sua condição original, apesar da osteoporose”, diz Lígia que também é docente do Departamento de Nutrição da Universidade de São Paulo.     
 
Para chegar a essa conclusão, o estudo, realizado pela nutricionista Natasha G. França na Faculdade de Saúde Pública da USP, monitorou os hábitos alimentares de 156 mulheres com osteoporose na pós-menopausa – período de maior ocorrência da doença – durante três meses. 
 
A partir dos dados recolhidos, cinco padrões de alimentação foram encontrados: o padrão “saudável”, composto por verduras, legumes, frutas e tubérculos; o padrão de “carne vermelha e cereais refinados”; o padrão de “leite e derivados magros”, como queijos magros, leite e iogurtes desnatados; o padrão de “doces, café e chás”, que também inclui açúcar refinado e mel; e o padrão “ocidental”, caracterizado pelo consumo frequente de refrigerantes e fastfood. “Cada padrão foi caracterizado conforme a quantidade de alimentos benéficos ou prejudiciais aos ossos que apresentava. Isso porque, no dia-a-dia, não consumimos os nutrientes que precisamos isoladamente. Para obtê-los, precisamos ingerir alimentos, cuja composição nem sempre é saudável em sua totalidade”, explica Dra Lígia. “Portanto, identificar todos estes diferentes tipos de dieta foi fundamental para descobrirmos exatamente quais substâncias – boas ou ruins – estavam sendo ingeridas pelas mulheres recrutadas pelo estudo e em que quantidade”, afirma. 
 
Constatações – Essas últimas informações foram então submetidas a uma análise de regressão linear com o objetivo de avaliar como cada padrão de dieta encontrado podia, de fato, influenciar na densidade óssea das candidatas. O resultado foi que dietas compostas por maiores quantidades de laticínios, frutas e vegetais exercem uma função protetora em relação aos ossos. Por outro lado, uma alimentação composta por grandes quantidades de chá, café, refrigerantes, carne, frituras e alimentos industrializados provocam reações que contribuem com a desmineralização óssea. “Essas informações nos ofereceram parâmetros para a elaboração de dietas que podem ajudar a combater o avanço da osteoporose no organismo e, consequentemente, prevenir efeitos mais graves da doença, como fraturas por baixo impacto, por exemplo”, revela a Lígia. “Ou seja, com esse estudo, descobrimos que é possível utilizar a alimentação não só como uma medida preventiva, mas também como um importante aliado no tratamento da osteoporose que, atualmente, é feito apenas por meio de medicamentos”, conclui a nutricionista da Abrasso.
 

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