“Quando voltei a trabalhar, minha autoestima subiu como um foguete!”: veja o relato desta secretária de 63 anos

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A afirmação de Ivany Gonçalves, que se aposentou em 2007 e voltou a trabalhar em 2012, dá força ao movimento que muitas pessoas têm feito de quebrar o estereótipo dos idosos como frágeis e dependentes

 

por Mariana Parizotto

 

“Me sinto viva, capaz, com chance de aprender com o trabalho e com as pessoas”. A afirmação de Ivany Gonçalves, que se aposentou em 2007 e voltou a trabalhar em 2012, dá força ao movimento que muitas pessoas têm feito de quebrar o estereótipo dos idosos como frágeis e dependentes. Embora alguns necessitem de cuidados e apoios de terceiros, as populações idosas, em geral, são muito diversas e podem fazer várias contribuições para as famílias, comunidades e sociedade. 
 
“Em 2010 me divorciei e, sem o salário do marido para ajudar, viver só com a aposentadoria (que foi proporcional com 25 anos em empresa privada), não dava pra fechar o mês. Mas só consegui trabalho em 2012, na empresa de uma prima”, conta Ivany. Hoje, aos 63 anos, ela orgulha-se de dizer que desempenha a função de “faz tudo”, “sou um misto de secretária, recepcionista e telefonista! No começo os outros funcionários desconfiavam das minhas capacidades, mas provei que sou muito boa no que faço. Tenho experiência, mas não deixo de aprender diariamente com a moçada”.
 
Não é só a questão financeira que tem levado muitos aposentados a voltarem para o mercado de trabalho. “Me sinto disposta. Acordo feliz por estar indo trabalhar, não me importo com chuva, trânsito, frio, nada disso. Minha autoestima subiu como um foguete!”, comenta Ivany.
 
Para o idoso trabalhar é importante porque o mantém inserido na sociedade, faz com que ele se sinta útil e, principalmente, não tenha problemas emocionais.
 
É isto que busca a aposentada Lygia Benvenuti. Formada em Gestão em Serviços de Saúde, Pós em Saúde Pública e especialização em Educação para a Sexualidade e Gerontologia, Lygia aposentou-se em 2004 e continuou trabalhando até maio deste ano.  “Atuei em área administrativa financeira, fui técnica em Prevenção em HIV/Aids, palestrante, trabalhei com Acolhimento Humanizado no Atendimento do Idoso e Ouvidoria. Gostaria muito de atuar na área do envelhecimento, ouvidoria , acolhimento bem como em atividades educativas e sócio culturais. Me considero completamente capacitada para contribuir nestas áreas, mas acho que minha idade, 65 anos, é muitas vezes um impeditivo”, relata.
 
 
E as empresas?
 
Mais qualidade de vida, compartilhar experiências, viagens, fazer amigos, aprender a dançar… estes são apenas alguns dos anseios da nova terceira idade, e por que não incluir nesta lista a recolocação profissional? Foi pensando nisso que o engenheiro de softwares Mórris Litvak criou a plataforma MaturiJobs, que auxilia pessoas acima de 50 anos a continuarem ativas por meio do trabalho.
 
“Através de uma base de dados, onde as pessoas se cadastram em nosso site, analisamos e mapeamos o perfil dos candidatos, e então conectamos as empresas dispostas a realizarem demandas feitas por pessoas +50. Trabalhamos, também, em conjunto com empresas que realizam projetos específicos, através de terceirização de serviço, contratando pontualmente quem tiver um perfil que se encaixe, levando em consideração interesse e disponibilidade. Ou seja, alguns trabalhos podem ser feitos de casa”, explica o idealizador do programa.
 
Um dos grandes desafios do MaturiJobs é mostrar o quanto alguns setores podem se beneficiar da experiência, habilidade e comprometimento do público sênior. Por exemplo, áreas de atendimento a clientes, que não exige grande esforço físico, mas exige paciência e jeito para lidar com pessoas. Competência que o público mais maduro tem de sobra.
 
Veja outras vantagens que as empresas podem ter ao contratar idosos:
 
– Cria a responsabilidade social, fazendo seu papel para um mundo melhor;
 
–  Ganha na sabedoria, já que os idosos têm mais vivência e entendem mais sobre o atendimento a clientes;
 
– O idoso tem mais facilidade no relacionamento interpessoal;
 
– É mais carinhoso e paciente com os clientes colocando sua vivência no atendimento personalizado e diferenciado;
 
– Possui maior disponibilidade de tempo já que não possui filhos em idade de levar a escola, buscar, médicos, reuniões de escola, entre outros contratempos;
 
– Já é aposentado e viveu o suficiente para não entrar em brigas para competir vagas e criar conflitos;
 
– É capaz de valorizar seu emprego e sua chefia mais do que tudo na vida;
 
– É alegre e bem disposto, trabalha muitas vezes por opção e gosta do que faz!
 
 

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