São Paulo: esta cidade é como uma velha e ainda bela senhora…

A cidade de São Paulo faz aniversário amanhã _ 463 anos_  e a vejo  como uma matrona que ainda possui uma grandiosa beleza,  apesar ou justamente, devido à   sua inegável e inquestionável velhice.

Ana Vargas

(Velhice e não decadência, ok?)

Velhice que, aliás, só lhe fez bem. Velhice construída com anos de apuro e cuidadoso refinamento que lhe conferem, com louvor, o título de maior e mais cosmopolita cidade do Brasil e da América Latina.

Fundada em 25 de janeiro de 1554, a cidade se desenvolveu (nunca nos esqueçamos disso) impulsionada, acima de tudo, pela diversidade das pessoas de muitos lugares que vieram para cá com suas ideias modernosas, suas atitudes corajosas, seu apreço pelo trabalho e pela melhoria de suas capacidades.

Ao longo do tempo, a cidade recebeu pessoas  de vários estados do país; de várias partes do mundo e a união de tantas culturas diferentes, opostas, conciliadoras ou não; coloriu a acinzentada ‘terra da garoa’ e a transformou  em lugar de excitante e interessante diversidade (cultural, social, gastronômica …)

Talvez você esteja pensando agora em tudo de ruim que já viveu na cidade, em todas as noticias péssimas que os ‘brasis urgentes’ e ‘cidades alertas’ da vida despejam diariamente em seus ‘noticiários’ carregados de pessimismo e dramalhões.

Talvez você esteja pensando  na violência crescente, na falta de políticas públicas para as pessoas carentes, no trânsito sempre congestionado, nas inundações anuais, na extrema desigualdade social… E é claro que isso tudo existe nesta cidade. Isso é tão inegável e inquestionável quanto a idade avançada da cidade: é que  São Paulo é uma cidade em construção, parece que permanentemente ‘em obras’ (como o próprio Brasil).

Mas eu prefiro pensar (mesmo que somente essa semana) em São Paulo para além de todos os seus grandes problemas e lembrar _ pelo menos nesta ‘data querida’ _ das muitas pessoas de todos os lugares que a transformaram nessa cidade tão culturalmente rica, progressista, cosmopolita e bela.

Que a transformaram nessa velha senhora tão interessante (e ainda curiosa) que gosta de contar e recontar suas milhares de histórias através das falas dos baianos, italianos, mineiros, alagoanos, espanhóis e portugueses; asiáticos e latinos; das muitas pessoas, enfim, que a fizeram ser o que é.

Nesta  minha ‘fantasia’ ouso pensar  que se São Paulo tivesse forma humana, haveria de ser uma mulher mas não seria uma mulher simplesmente jovem e bonita, dentro dos padrões de beleza, como uma miss ou modelo; nada disso;  penso que ela seria sim, uma velha e amável senhora, dessas  que envelheceram cheias de estilo, criatividade e curiosidade. Dessas que apesar dos pesares, tristezas e dores, ainda gostam de contar e ouvir histórias, ainda são interessantes porque se interessam pela vida dos outros que a rodeiam.

Se São Paulo fosse uma mulher, seria,  uma velhíssima mulher; seria uma mulher tão encantadoramente velha que suas dezenas de rugas e cabelos brancos  fariam com que a olhássemos com respeito,  admiração e encantamento. Então, que a olhemos assim, que a vejamos no todo: aceitando sua inegável velhice e a grandiosa beleza que existe (resiste) na diversidade da sua gente.

 Muita gente talentosa compôs músicas para a cidade de São Paulo; há desde ‘rock’s’ _  como a da banda oitentista 365 _ até sinfonias; há as engraçadas e popularescas _ como as inesquecíveis compostas por Adoniran Barbosa _ há músicas tristes, nostálgicas…Entre tantas, escolhi esta (‘Na Paulista”) cantada por Vânia Bastos, um tanto pelo lirismo, outro tanto pela poesia e pelo saudosismo.

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