Sem convivência familiar idosos contam com a fé e a esperança para viver

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Envelhecer sozinho ou ficar só, após um tempo de convívio com alguém, é realidade de muitos idosos. É nesta fase, que as dificuldades dos familiares em lidar com os idosos apa­recem. Falta de estrutura ou até mesmo, em alguns casos, ausência de amor, fazem com que as famílias busquem uma vaga no asilo para eles. Essa realidade pode ser vista em diversas entidades e instituições do Brasil. Idosos de várias idades e classes so­ciais terminam sua vida sem a convivência da família.

Matéria publicada originalmente no Jornal Correio da Cidade

 

Em Conselheiro Lafaiete (MG), a situação não é diferente. Atualmente, 58 idosos, com idades acima de 70 anos, são assistidos pelo asilo Doutor Carlos Romeiro. Há décadas, a entidade desempenha a missão de amparar e cuidar desses idosos, conforme conta Maria Roseli Dias Canuto, presidente da entidade: "Eles são recebidos aqui com muito amor e carinho. O asilo tornase para eles a segunda família. Cada um tem uma história de vida e vive uma realidade", conta.

Para mostrar um pouco o dia a dia de um idoso no asilo, na manhã de terça-feira, dia 5, nossa reportagem esteve no Carlos Romeiro e conversou com os internos Roberto da Silva, 75 anos (foto) e  Maria Aparecida Cardoso da Silva, 69 anos. Com histórias de vida diferentes, os dois idosos são movidos pela fé e a esperança. Há 33 anos, na entidade, Roberto revela, que o segredo de se viver bem, como idoso, é aceitar os problemas e viver a realidade: "O asilo e as pessoas com quem convivo, aqui, são minha segunda família. Também tenho duas filhas e três netos e eles me visitam frequentemente", conta.

Roberto foi para o asilo quando precisou amputar as pernas, por conta de uma trombose: "Fui cozinheiro, lavrador, fiz de tudo nesta vida. Tive trombose e precisei am­putar as pernas. Estava com 42 anos", lembra.

Para se distrair, Roberto da Silva joga baralho, assiste a TV e ainda ouve seu radinho de pilha: "Gosto de papear com os amigos, jogar e ouvir partidas de futebol no radinho. Gosto muito de morar no asilo. Sou muito firme e tenho muita fé em Deus. É difícil, mas não desisto, porque Deus está comigo", finaliza.

 

Reatar os laços familiares

 

Comunicativa e amiga de todos, Maria Aparecida Cardoso da Silva tem um sonho: sair do asilo e reencontrar sua família. Há três anos na instituição, ela divide seu tempo entre as rotinas da casa e a costura. Uma das atividades prediletas dela é costurar: "Sou de Montes Claros, mas já trabalhei no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Não me casei, tive um filho, mas ele faleceu ainda criança, por desnutrição. De­pois tentei engravidar, mas não foi adiante", lamenta.

Aparecida conta que chegou ao asilo por meio de uma senhora que a acolheu quando morou em Belo Horizonte. "Essa senhora tem uma casa aqui, em Lafaiete, e me trouxe para cá. Tenho muito apoio, carinho e aten­ção, mas quero a liberdade. Não nasci para ficar presa e tenho esperança de que minha família ainda virá me buscar aqui", diz.

Muito emocionada, Maria Aparecida espera sair do asilo até o fim do ano. "Tenho parentes em Montes Cla­ros e, se eles tiverem noticia minha, que me busquem. Sempre fui sozinha. Perdi minha mãe quando tinha seis anos. Eu e meus irmãos fomos separados ainda pequenos. Cada um foi para um canto. Sempre morei em casa de família, mas nunca perdi minha fé em Deus e em Nossa Senhora Aparecida", finaliza.

Em um apelo emocionado, Maria Aparecida pede ajuda para localizar seus familiares. Segundo Aparecida, ela tem um irmão que mora em Montes Claros, que se chama Marcelo Cardoso da Silva. Seus pais se chamavam Nascimento Alves da Silva e Ma­ria Bruno Cardoso da Silva. Eles moravam no Alto do São João, em Montes Claros.

 

Visitas ao asilo

As visitas ao Dr. Carlos Ro­meiro podem ser feitas todos os dias, das 14h30 às 16h30. O escritório funciona das 8h às 18h, de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira, os trabalhos vão até as 17h. O Carlos Ro­meiro precisa também de sua ajuda. Inte­ressados em doar devem procurar os funcionários da entidade. O asilo possui uma conta no banco Santander (Agência 3104. Conta Cor­rente 13000275-0). Outra maneira de ajudar é participar da Ação Solidária, que terá como prêmio um lote no valor de R$ 80 mil, doado pelo empresário Mário Brito. O bilhete está sendo vendido no valor de R$ 10 e pode ser comprado na sede do asilo. Outras três entidades serão beneficiadas: Larmena, Olhos D'Alma e Lar de Maria.

 

Asilo Dr. Carlos Romeiro

Endereço: Rua dos Vicentinos, 33 –  Bairro Queluz – Conselheiro Lafaiete (MG)

Informações e doações: 3721-3564

 

 

 

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