Será mesmo Alzheimer ou outra demência? Saiba quais doenças afetam a memória e a atividade cognitiva na terceira idade

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Diagnóstico errado prejudica o quadro dos pacientes; psicóloga cita o caso do ex-pugilista, Éder Jofre
 

 

por Mariana Parizotto

 

Será mesmo demência? Isso é o que você pergunta a si mesmo quando uma pessoa idosa começa a se perder no caminho de volta para casa, a perder a memória, a repetir mil vezes a mesma coisa, a ver coisas que não estão lá. Muitas vezes, antes mesmo do diagnóstico do médico, já decretamos: é Alzheimer! E aí está um grande perigo: nem toda perda de memória na terceira idade significa demência e, mais do que isso, o Alzheimer não é a única doença degenerativa que afeta a autonomia e a capacidade cognitiva.
 
“A falha de memória na terceira idade não é normal e deve ser investigada por um médico geriatra, através de uma avaliação geriátrica ampla, pois a perda de memória pode ter outras causas, tais como  o déficit de atenção, hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas, depressão  ou demência. Ainda, para caracterizar uma demência, deve-se atentar  para a funcionalidade do idoso, ou seja, sua capacidade de resolver as tarefas do dia a dia”, explica a Dra. Juliana de Oliveira Gomes, geriatra do Residencial & Hotelaria Villa Bela Vista, condomínio para idosos.
 
Segundo a psicóloga Simone Manzaro, sinais como ligeiros e frequentes esquecimentos, dificuldade para tomar decisões, perda de motivação, perda de interesse pelas atividades de rotina, desorientação no tempo e espaço, repetição de assuntos, alteração de humor, dificuldade de encontrar palavras, dentre outras, são sintomas que devem ser investigados e podem indicar o aparecimento do Alzheimer. “É importante observar esse idoso, porque em muitos casos a família interpreta esses sintomas como parte do envelhecimento e acabam deixando de lado, o que acaba promovendo um diagnóstico tardio”, alerta a especialista.
 
Dentre as demências, o Alzheimer é responsável por 50 a 60% dos casos, de acordo com a  Dra. Juliana, “outras demências também levam à perda de memória, como Demência Vascular, Demência de Parkinson, Demência com Corpos de Lewy  e Demência Fronto Temporal. Por isso é fundamental um diagnóstico preciso e até mesmo ouvir uma segunda opinião”, aconselha a geriatra.
 
A psicóloga Simone Manzaro ressalta que a administração inadequada dos medicamentos próprios para o tratamento da Doença de Alzheimer podem piorar outros sintomas em pacientes que têm outra demência. “Podemos tomar como exemplo o caso do Éder Jofre, ex-pugilista que possui a Demência Pugilística. Durante um bom tempo ele foi tratado como se tivesse Alzheimer, ficou apático, não reagia, não respondia. Após outros exames, foi diagnosticado com a Demência Pugilística, seu tratamento foi modificado, ele voltou a falar e a interagir, e até voltou a praticar atividades físicas como o boxe, claro, dentro daquilo que ele consegue”, finaliza a especialista.
 
 

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