“Vejo cada idoso como se fosse um livro. Cheio de conteúdo interessantíssimo”, diz criador do projeto @MeusVelhos

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Para provocar os jovens a buscarem inspiração nos idosos, Bruno Varandas começou a fotografar senhores e senhoras comuns e partir disso montou uma galeria de retratos e poemas sobre a velhice, que virou sucesso no Instragram

 

Por Mariana Parizotto

No ônibus, metrô, nas ruas. Em qualquer lugar é possível encontrar um senhor ou uma senhora que guarda em si uma coleção de ricas experiências e vivências. Foi com esse olhar e com uma grande paixão por ouvir histórias que o publicitário Bruno Varandas começou a fotografar idosos que cruzavam seu caminho. “Ficava intrigado com aquelas feições e o que tinha por trás delas. Vejo cada idoso como se fosse um livro. Cheio de conteúdo interessantíssimo. Mas, se você não for lá conversar, ele vai se perder, porque está prestes a se fechar. E, se fechar, não abre mais, acabou”, conta.
 
Após uma amiga dizer que as fotografias que Bruno fazia já eram poesia, veio a ideia: por que não convidá-la, então, a escrever um texto sobre uma foto? Nascia o projeto @MeusVelhos, galeria de retratos e poemas sobre a velhice que virou sucesso no Instragram, tem hoje mais de 6 mil seguidores, a maioria na faixa etária de Bruno, 27 anos.
 
O projeto é totalmente colaborativo. As pessoas que se interessam em participar recebem uma foto enviada por Bruno e então o colaborador cria um poema, uma frase, uma crônica, uma carta.
 
Já são 132 fotos publicadas, todas com textos de colaboradores. “Com o projeto, quero provocar os jovens a prestarem atenção e a buscarem inspiração nos idosos. Quero quebrar os estereótipos da velhice. As pessoas têm de aprender a ver o idoso como um ser humano comum, só que mais velho”, explica o publicitário.
 
Confira um dos textos, do colaborador Mauricio Musa:
 
CAIXA PRETA
 
Onde estão guardadas as recordações?
Para onde foi o dia que passou?
Quem são estes estranhos?
Quem liberta as lembranças e aprisiona o vazio?
 
Os porões desabitados, 
os caminhos esquecidos
o existir abandonado
Quem é aquele que encara o espelho?
 
Amor. 
Sentimento puro, rocha a degradar
Caixa preta da memória
É a flor que não vai embora 
nem com o pé secar.
 
Para participar, peça uma foto pelo e-mail projetomeusvelhos@gmail.com.
 

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