70% dos pacientes que pensam estar doentes do coração estão, na verdade, com problemas emocionais

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Segundo cardiologista Roque Marcos Savioli, a maioria sofre dos males da vida moderna, depressão ou estresse;  Diante da tristeza e decepções é preciso fazer uma viagem interior, abrir as portas do coração – um momento íntimo e solitário para buscar a paz

 

Redação Plena

 
Relatos reais de pacientes que chegam ao consultório com dores no peito e acham que sofrem do coração, mas de fato estão com doenças emocionais estão reunidos no recém lançado livro do cardiogeriatra Roque Marcos Savioli, “Segredos de um Consultório”, pela Edições Loyola.
 
Um ex-professor aposentado, que entra em um quadro de demência e não reconhece mais as pessoas; um dono de uma cantina, com problemas do coração e alto grau de estresse; e uma empresária com uma vitoriosa trajetória profissional, mas uma vida pessoal conturbada por casamentos fracassados (seu marido tem compulsão sexual), que sofre de estresse e de colesterol alto e acaba tendo um infarto. Estes são alguns dos casos contados no livro. E, ainda, um padre que atingiu níveis de estresse tão intensos, que o levaram a um quadro depressivo; e uma advogada que acaba de fazer um aborto, fica deprimida e quer se suicidar. O livro também dedica um capítulo a experiências de quase morte.
 
Coração da mulher — Segundo Savioli os problemas do coração, males que antes atingiam muito mais os homens, hoje estão bem presentes também nas mulheres. A mortalidade do sexo feminino por doença cardiovascular é de 36,7% (maior do que câncer, 17,6%), segundo dados do Ministério da Saúde. Hoje a doença cardiovascular é a principal causa de óbito nas mulheres na Europa e nos Estados Unidos.
 
Estudo na Suécia analisou as carótidas (artéria que leva sangue ao cérebro. Se entupir causa derrame) de mulheres mal casadas, bem casadas e solteiras.  As bem casadas e solteiras estavam bem melhores do que as mal casadas. Indicando que o estresse conjugal é uma situação e risco.
 
Como fugir – Para não correr esse risco, Savioli aconselha que, em primeiro lugar, a pessoa afaste de sua mente qualquer pensamento negativo. Diante da tristeza e decepções é preciso fazer uma viagem interior, abrir as portas do coração – um momento íntimo e solitário para buscar a paz. Segundo o especialista não existe situação, por pior que seja, que não sirva para se tirar algo que melhore o interior da pessoa. “Os momentos difíceis servem para reposicionar nossos pensamentos e até a forma como vivemos”, afirma.
 
Para melhorar o dia a dia, tornar a vida mais leve e aliviar o coração, o cardiologista recomenda: importante aprender a desfrutar do que se faz.
 
Eliminar antigos rancores e remorsos também é fundamental. Reunir-se com familiares e amigos para diluir mágoas. Todos os esforços e ações para se livrar de sentimentos de culpa são bem-vindos. Além do envolvimento com projetos sociais, como fazer visitas semanais a uma creche, a uma casa de idosos.
 
O especialista ressalta, ainda, o poder da meditação, que tem sido usada na prática médica há muitos anos, para reduzir a ansiedade. Além daterapia espiritual, complementando as dimensões do corpo humano.  “A própria medicina tem relatado evidências positivas de práticas espirituais no combate a doenças. A fé exerce papel extremante importante na saúde física e mental das pessoas”, reforça o especialista.
 
 
           
 

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