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Animais de estimação trazem diversos benefícios para portadores de Alzheimer

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Relatos de cuidadores mostram que a presença de cachorros e gatos ajuda a acalmar o paciente, aumenta a socialização e estimula a linguagem, mas alguns cuidados devem ser tomados

 

Por Mariana Parizotto

Quando Ana Mariana Martinez Parra decidiu comprar uma cachorrinha, a ideia era que o bichinho de estimação fizesse companhia para sua mãe, diagnosticada com depressão. Depois de cumprir a missão com extrema dedicação, a cachorrinha hoje funciona quase como um calmante para o pai, que tem Alzheimer. A experiência relatada por Ana Maria não é uma exceção. São inúmeros os casos de animais que trazem efeitos terapêuticos para pacientes com o mal de Alzheimer – os benefícios já foram até comprovados em pesquisas.
 
Segundo a psicóloga Simone Manzaro, em sua grande maioria os animais de estimação fazem bem as pessoas com Alzheimer, atuando nos aspectos sociais e comunicacionais do paciente, “a presença de animais de estimação estimula memórias, principalmente a afetiva, aumenta a socialização, estimula a linguagem, evita estados de depressão e traz uma melhora na qualidade de vida de forma significativa e também ajuda na rotina dessa pessoa”, explica.
 
Podemos dizer que os animais passam a ser um caminho pelo qual a pessoa com Alzheimer se expressa. A cadela salsichinha Lump, por exemplo, é a grande companheira da mãe de Ana  Heckert (na foto acima), “a síndrome do crepúsculo – quando os pacientes passam a ficar agitados no final da tarde/início da noite, andando pela casa, com comportamento confuso e paranoia – melhorou imensamente depois que minha mãe veio morar na minha casa e decidiu ‘cuidar’ da Lump. Ela fica tão envolvida com a cachorrinha que não pede para ir embora. As ocupações dela são se a Lump comeu, se está com frio ou calor, se está com sede. Brinca horas com Lump”, conta Ana.
 
Até mesmo pacientes em estágios mais avançados, como a mãe de Silvia Alves Moreira (na foto abaixo), podem sentir prazer na interação com animais,  “eu tenho duas cachorras que ganhei há pouco tempo, assim como dois pássaros. Como a  mamãe sempre teve cachorros e não consegue mais se levantar, as vezes colocamos as cachorras e os pássaros com ela na cama. Ela costuma gostar muito e se alegrar”. Entretanto, Silvia comenta que em algumas vezes a mãe se irrita com a presença dos bichinhos. 
 

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A psicóloga Simone esclarece que independente do comprometimento cognitivo que uma pessoa com Alzheimer apresente, se ela durante sua vida gostava de animais, continuará gostando da mesma forma e quem não gostava pode ou não começar a gostar, “não tem como prever determinados comportamentos. É importante que o temperamento do animal seja avaliado para impedir situações desagradáveis como mordidas, latidos, agitação, pois animais que latem ou miam muito podem estressar a pessoa com demência e até machucar. De modo geral, a aceitação de um animalzinho é muito grande”, afirma.
 
E quando o bichinho não é reconhecido pelo dono? Marilene Maciel e Kelly Hoffmann presenciam essas situações com suas mães. Antes de ter Alzheimer, a mãe de Marilene tinha um gato de estimação, porém hoje não se lembra dele. Já a mãe de Kelly era apaixonada por sua cachorra, mas agora ela briga e ameaça bater no animal toda vez que ele late, “temos que deixar a cachorra mais vezes presa, eu morro de pena. E quando falamos em dar a cachorra para uma tia criar, minha mãe acha ruim e até chora. Não conseguimos entender”.
 
Uma dica da psicóloga Simone Manzaro pode ajudar os cuidadores nesses casos. De acordo com ela, é interessante deixar que o animal e a pessoa com Alzheimer possam interagir de forma espontânea, sem pressões. Se a pessoa quiser pegar, deixe, apenas tome conta para possíveis intercorrências. O cuidador pode fazer comentários sobre o animalzinho, exemplo: “Dona Maria, olha quem chegou, a Luluzinha, sua cachorra, quer vê-la?”. E deve evitar comentários como: “Olha a Luluzinha, a senhora lembra dela?” ou “quem é ela?”, partindo do princípio que o principal sintoma da Doença de Alzheimer é o comprometimento da memória, esse tipo de pergunta é desnecessária.
 
Vale ressaltar que cada paciente é um caso, mas que a presença de animais é sempre bem vinda, desde que o bichinho seja sadio, vacinado e que tenha alguém em casa que se responsabilize pelos seus cuidados.
 
 

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