Estado de SP deixou de receber R$ 1,7 bilhão no ano passado de repasse federal; David Uip explica como isto está afetando o sistema de saúde

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Secretário estadual de Saúde de São Paulo critica ainda as ações judiciais que obrigam o sistema público a pagar tratamentos – somente em 2014 forma gastos R$ 547 milhões com o cumprimento de medidas judiciais

 

Por Mariana Parizotto

A conta do Estado de São Paulo está cada vez mais difícil de fechar. Em função do corte orçamentário da União, o Estado deixou de receber repasse do governo federal no valor de R$ 1,7 bilhão no ano passado, o que afetou diretamente o sistema de saúde."Nem o ressarcimento do atendimento da alta complexidade foi repassado. Então, de forma republicana, apelamos ao governo federal para sensibilizá-los da necessidade desse repasse", disse o secretário estadual de Saúde São Paulo, David Uip, durante entrevista coletiva concedida na segunda-feira.
 
Uip afirmou ainda que "44% dos casos de atendimento de alta complexidade no Brasil são feitos em São Paulo", o que sobrecarrega o sistema e obriga a gestão pública do estado a gastar mais do que recebe.
 
De acordo com o secretário de Saúde, o setor sofre ainda com a judicialização das ações de saúde – em 2014, a Secretaria da Saúde de São Paulo gastou R$ 547 milhões com o cumprimento de ações judiciais somente de medicamentos, dos quais a maior parte foi destinada a compra de remédios para diabetes. Em 2015, estima Uip, o montante deve chegar a R$ 700 milhões. 
 
"A Justiça concede a liminar ao paciente e temos de atender. Recentemente, por exemplo, fomos obrigados a empenhar R$ 20 milhões para atender a 37 pacientes que sofrem de uma determinada doença por quatro meses", conta. "A questão é se é correto fazer isso em detrimento do restante da população. O gestor da saúde tem que tomar esse tipo de decisão”, explicou Uip.
 

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