Febre Amarela: Conselho Regional de Medicina Veterinária divulga orientações e esclarecimentos

Na última terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu todo o Estado de São Paulo na área de risco de transmissão de Febre Amarela. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, desde janeiro de 2017, 21 pessoas morreram em virtude da doença.

Em relação à ocorrência da doença em macacos, 238 municípios enviaram notificações à Secretaria e, deste total, 40 tiveram a confirmação da circulação do vírus em 2017. Apesar da maior incidência de casos, o Ministério da Saúde informa que não há um surto de Febre Amarela na região.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) esclarece que a dispersão do vírus aumenta nesta época do ano porque o vetor, mosquito transmissor, se multiplica em ambientes com temperaturas mais altas e úmidas. Reforça também sobre a importância da vacinação humana e da notificação de animais infectados para o monitoramento e o controle da Febre Amarela. Além disso, esclarece que a doença não é transmitida pelos macacos a humanos.

Vacina é principal forma de prevenção

Em comunicado oficial, a OMS recomenda que estrangeiros tomem a vacina contra a Febre Amarela antes de visitar qualquer região do Estado de São Paulo, incluindo a Capital. Para imunizar a população local, o governo estadual fará uma campanha de vacinação entre os dias 29 de janeiro e 17 de fevereiro. A meta é que 8 milhões de pessoas recebam a dose padrão ou a dose fracionada da vacina, que garante proteção por cerca de 8 anos.

Confira abaixo a nota elaborada pela Comissão Técnica de Animais Selvagens do CRMV-SP:

Nota sobre Febre Amarela – CRMV-SP

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) transmite algumas informações sobre a Febre Amarela, considerando a importante interface da doença entre a saúde pública e a saúde silvestre, mais especificamente das populações de macacos (tecnicamente tratados como ‘Primatas Não Humanos’).

A Febre Amarela foi introduzida no Brasil a partir da África há centenas de anos. Os macacos, assim como os humanos, não transmitem diretamente essa doença. O vírus pode circular em dois ciclos básicos: o urbano e o silvestre. No ciclo urbano (não registrado no Brasil desde 1942), a transmissão se dá dentro de cidades através do mosquito Aedes aegypti que, nesse caso, é o vetor responsável pela disseminação da doença. No ciclo silvestre, a doença circula entre macacos e outros animais, transmitida por algumas espécies de mosquitos. A Febre Amarela no Brasil apresenta uma ocorrência endêmica, principalmente na região amazônica. Fora da região amazônica, surtos da doença são registrados esporadicamente quando o vírus encontra uma população de susceptíveis (pessoas não vacinadas). A ocorrência de casos humanos tem sido compatível com o período sazonal da doença (dezembro a maio), mas são necessários esforços adicionais para as ações de vigilância, prevenção e controle da doença.

Desde 2016 o vírus voltou a circular em algumas regiões do Estado de São Paulo, em seu ciclo silvestre, e atualmente têm ocorrido registros de mortes de primatas, o que indica a retomada da dispersão do vírus com a elevação da temperatura e da umidade características desta época do ano.

 

 

Neste contexto, o CRMV-SP alerta os profissionais veterinários quanto a:

1. Notificação de Febre Amarela Silvestre em macacos

Caso chegue a seu conhecimento qualquer informação sobre ocorrência de macaco doente ou morto, a recomendação é que os órgãos de saúde sejam acionados, por um dos seguintes telefones:

• 136
• (11) 3066-8296 – Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica (de segunda a sexta-feira, das 7 às 18 horas)
• 0800-555466 – Plantão Médico do Centro de Vigilância Epidemiológica (finais de semana e feriados)



As notificações são de extrema importância para a adequada vigilância da doença, realizada conforme os procedimentos estabelecidos no “Guia de Vigilância de Epizootias em Primatas Não Humanos e Entomologia Aplicada à Vigilância da Febre Amarela”, disponível no site do Ministério da Saúde.

Reforçamos que pessoas leigas não devem manipular os animais, devido ao risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da Febre Amarela, que é transmitido apenas por determinados mosquitos, mas há outras doenças a serem prevenidas, como a raiva).

2. Vacinação humana contra a Febre Amarela

Recomenda-se que os profissionais se informem pelos sites dos órgãos oficiais de saúde sobre os municípios do Estado de São Paulo com recomendação de vacinação, que é a principal forma de prevenção da doença.

3. Orientações gerais

• Ao encontrar macacos vivos, sadios e em vida livre: NÃO capturar; NÃO alimentar; NÃO retirar do seu habitat; NÃO transportar para outras áreas; NÃO agredir, maltratar e muito menos matar. Para ajudar, apenas deixar os macacos vivos na floresta.

• Ao presenciar ou saber de agressões a macacos: denunciar às autoridades de meio ambiente, pois isto constitui crime ambiental e prejudica o trabalho de vigilância sanitária, por meio de denúncia ao 0800618080.

Sobre o CRMV-SP

O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia, por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. Ele é o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do Estado de São Paulo, mais de 32 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, Estados e Municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.

Fonte: Apex Conteúdo Estratégico 

Deixe um comentário