Intestino saudável conduz à longevidade

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Estudos recentes indicam que até 90% da serotonina, o neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar e felicidade, é produzida no intestino, e levam à conclusão de que, se o intestino funcionar bem, menores serão os riscos de ocorrência de depressão e ansiedade
 
 
*Por Yasumi Ozawa Kimura
 
No livro ‘O segundo cérebro’ (Editora Campus – 2000), o professor e pesquisador Michael D. Gershon, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, afirma que ‘limitar o papel do intestino à digestão seria reduzir consideravelmente a importância desse órgão’. O intestino abriga uma população de aproximadamente 100 trilhões de microrganismos, de mais de 300 espécies, que compõem a microbiota intestinal humana, e a sua composição pode fazer a diferença entre a saúde e a doença. 
 
O intestino também é responsável pela produção de diversas substâncias fundamentais que atuam como neurotransmissores. Estudos recentes indicam que até 90% da serotonina, o neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar e felicidade, é produzida no intestino, e levam à conclusão de que, se o intestino funcionar bem, menores serão os riscos de ocorrência de depressão e ansiedade. 
 
O intestino é tão fundamental à vida que possui um sistema nervoso próprio, denominado sistema nervoso entérico (SNE), totalmente especializado para as funções intestinais. O SNE, que começa no esôfago e termina no ânus, possui aproximadamente 100 milhões de neurônios, número próximo à quantidade de neurônios da medula espinhal, e é capaz de controlar o trato gastrointestinal mesmo se as conexões com o sistema nervoso central forem interrompidas. Esses neurônios são capazes de perceber o que há de errado no nível do intestino e se comunicarem entre si, o que pode regular os movimentos peristálticos e provocar uma série de sintomas. 
 
Graças a essa capacidade, o intestino passou a ser considerado um órgão ‘inteligente’ e, por esse motivo, tem sido classificado pelos cientistas como o ‘segundo cérebro’. Especialistas acreditam que importantes enfermidades, como doença de Crohn, retocolite ulcerativa, doença diverticular, diabetes, Parkinson, constipação, diarreia, dispepsia e síndrome do intestino irritável, entre outras, podem estar associadas a alterações neuroquímicas do sistema nervoso entérico, ou seja, há uma grande possibilidade de o intestino estar relacionado a cada uma delas de maneira muito mais importante do que se imaginava.
 
A Ciência já conseguiu demonstrar, por exemplo, que o intestino serve de barreira entre o exterior e o interior do organismo, e que a integridade dessa barreira é essencial para a imunidade. Aproximadamente 80% das células produtoras de anticorpos estão associadas à mucosa do intestino delgado, cuja área pode variar entre 200m² e 350m². Outros estudos confirmam que, em termos de células – linfócitos, por exemplo –, o sistema imunológico do intestino é o mais importante do organismo. 
 
Diante de todas essas confirmações, os profissionais da saúde e consumidores começam a olhar de maneira diferente para a saúde intestinal. No dia a dia, há muitas formas de manter a microbiota intestinal saudável, o que envolve especialmente bons hábitos, além de boa alimentação. Evitar o fumo e as bebidas alcoólicas, manter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e outros alimentos ricos em fibras e minerais, ingerir uma quantidade adequada de água (pelo menos oito copos) diariamente e praticar atividade física com frequência estão entre os hábitos que manterão íntegro esse importante órgão vital. 
 
O século 21 está sendo considerado como o século da Medicina Preventiva, pois é o momento de intensificar a procura por alternativas para prevenir o aparecimento de doenças. E as recentes pesquisas científicas com os diversos microrganismos probióticos vêm ao encontro às novas propostas da Medicina Preventiva com o fortalecimento do organismo através do intestino saudável. 
 
* Yasumi Ozawa Kimura é farmacêutica-bioquímica com especialização em Alimentos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo) e é consultora técnica-científica da Yakult S.A. Indústria e Comércio. 
 

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