Metade dos idosos tem deficiência auditiva

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Dificuldade em ouvir leva ao isolamento social, favorecendo o desenvolvimento de depressão e demência

 

Redação Plena

 
O ser humano tem cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato. São eles que propiciam o relacionamento com o ambiente, ajudando a perceber o que está ao redor, integrar o espaço e sobreviver. Por isso, quando um deles apresenta alguma deficiência, há um grande impacto na vida cotidiana. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço dos idosos com mais de 65 anos e metade daqueles com mais de 75 anos sofrem de deficiência auditiva. A principal consequência é o isolamento social, que favorece o desenvolvimento de depressão e demência.
 
"A perda de audição se torna mais comum conforme o indivíduo vai envelhecendo. Isso acontece porque, ao longo dos anos, há um desgaste natural das células auditivas, responsáveis pela captação do som. Porém, a excessiva exposição a sons altos ao longo da vida e até mesmo o uso de alguns medicamentos, como antibióticos, anti-hipertensivos, diuréticos ou ainda ácido acetilsalicílico, podem acelerar e/ou agravar o problema", explica o otorrinolaringologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Wellington Yamaoka.
 
Ainda segundo o especialista, os primeiros sintomas aparecem na faixa dos 50 anos. "Uma das características da perda auditiva é a dificuldade em entender com clareza as palavras utilizadas em um diálogo. Os pacientes costumam relatar que conseguem ouvir a pessoa falando, mas não o que exatamente ela diz. Além disso, há um aumento gradativo do tom de voz e do volume da televisão e a sensação de zumbido no ouvido", alerta.
 
Por se tratar de uma perda gradativa, na maioria das vezes, o idoso não percebe a alteração. "Normalmente, o paciente procura ajuda médica após queixa da família. Para diagnosticar o problema, é preciso realizar exames complementares, como a audiometria, que verifica se existe, de fato, a perda auditiva e se o grau é leve, moderado, severo ou profundo", revela Yamaoka. 
 
Com base nos resultados dos exames e necessidades do paciente, o médico vai indicar o melhor tratamento. Entre as principais opções, estão o uso de aparelho auditivo e a colocação de implante coclear. "O aparelho auditivo tem a função de ampliar o som para que as células auditivas remanescentes possam captá-lo. Quando o paciente já perdeu totalmente a audição, pode ser indicado o implante coclear, um equipamento eletrônico colocado na parte interna da orelha que assumiria a função das células auditivas. O procedimento é realizado em centro cirúrgico, com anestesia geral", explica.
 
Após a cirurgia, o paciente precisa de acompanhamento com fonoaudiólogo, psicólogo e, eventualmente, neurologista. "O implante coclear emite um som diferente do habitual. O paciente precisa da atenção desses especialistas para aprender a ouvir de uma outra maneira e para alinhar as expectativas sobre os resultados. Passados alguns dias da cirurgia, o implante é ativado e já é possível começar a ouvir novamente", conta Wellington Yamaoka.
 

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