Pintas e manchas: saiba como identificar indícios de câncer

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O câncer de pele continua sendo o mais incidente entre a população brasileira. Mais de 200 mil casos devem ser registrados em 2016

 

 

Redação Plena

 

Pintas! Alguns têm muitas, outros um pouco menos. Mas é preciso que todos fiquem atentos a elas. A regra do ABCD, divulgada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ensina a identificar por meio do autoexame alterações nas pintas de um jeito simples, identificando Assimetria, Bordas irregulares, Cores não uniformes e aumento no Diâmetro das marcas. Feridas que não cicatrizam, coceira, sensibilidade e mudanças na superfície da pinta também são alertas de risco que devem ser examinados juntamente com o médico. “As pessoas que possuem muitas pintas devem frequentar constantemente o dermatologista para verificá-las. Havendo qualquer suspeita, é preciso fazer uma biópsia. É importante que o câncer de pele melanoma seja detectado no início, quando tem grandes chances de cura”, afirma Dra. Carolina Rutkowski, médica oncologista da Oncomed BH.

Entrevistamos a médica oncologista Dra. Carolina Rutkowski, da Oncomed BH, que tirou as principais dúvidas quando o assunto é pintas e manchas e sua relação com o câncer de pele.

As pintas podem virar um câncer de pele? Como?

Dra. Carolina Rutkowski: A pele é o maior órgão de nosso corpo, e é formada por três camadas: a epiderme (mais externa), a derme e o tecido subcutâneo, mais profundo. O câncer de pele ocorre como consequência de um crescimento descontrolado e anormal das células que compõe a pele. Sendo assim, existem diferentes tipos de câncer, a depender do tipo de célula que se prolifera. Os mais comuns são os carcinomas basocelulares, espinocelulares e melanomas.

Pintas de nascença pode virar um câncer de pele?

Dra. Carolina Rutkowski: Durante a vida embrionária, algumas células se alteram e formam os nevos congênitos, lesões benignas que são popularmente chamadas de ‘pintas de nascença’. O câncer de pele pode, sim, se desenvolver em um nevo congênito. Este risco varia entre 1 – 5 % ao longo da vida.

Novos congênitos "gigantes" (maior que 40cm) , especialmente se com numerosos nevos satélites associados, apresentam maior  risco para o desenvolvimento de melanoma quando comparados a lesões menores.

O tamanho da pinta influencia no desenvolvimento de um câncer de pele?

Dra. Carolina Rutkowski: Em pacientes portadores de nevo melanocítico congênito, sim. Nestes casos, o risco de desenvolvimento de melanoma está relacionado ao tamanho da lesão. Em nevos adquiridos esta relação não é tão clara. Vale a pena, entretanto, ressaltar que a probabilidade de câncer aumenta com o número de lesões, com a presença de nevos displásicos, e que lesões maiores que 6mm ou que apresentem crescimento merecem ser avaliadas.

De uma maneira prática, é importante procurar avaliação dermatológica em casos de pintas ou sinais que:

•         Sofram modificações no tamanho, forma ou cor em um curto período de tempo;

•         Sangrem ou provoquem dor, ardor ou prurido;

•         Tenham várias cores como preto, azul, cinza, esverdeado, vários tons de marrom;

•         Tenham ou sem modifiquem para bordas irregulares;

•         Sejam escuras, especialmente nas plantas dos pés, palmas das mãos, couro cabeludo, dentro da boca ou nas mucosas dos genitais.

Há pessoas que odeiam pintas. Há alguma forma de se proteger para que nenhuma pinta apareça mais no corpo? Porque elas aparecem? Há algumas pessoas quem tem mais “tendência” ao aparecimento de pintas?

Dra. Carolina Rutkowski: Os melanócitos são as células da pele que produzem o pigmento responsável pela sua cor a melanina, e se localizam na camada basal, logo abaixo da epiderme. Os nevos melanocíticos, ou pintas, são tumores benignos que se originam da multiplicação e conglomeração destas células. Tais células estão presentes na pele desde o nascimento, mas nesta fase da vida a presença de pintas é rara (nevos congênitos).  Ao longo dos anos eles se multiplicam, e acabam por se tornar visíveis. O desenvolvimento dos nevos acontece predominantemente por controle genético. A exposição à luz ultravioleta tem também papel importante nesta modificação. Sabe-se ainda que o tipo de pele é fator importante, tendo as pele mais claras maior tendência a formação de nevos. Diante dos fatores predisponentes que não são passíveis de serem modificados, mais uma vez a recomendação, tanto para evitar o aparecimento de pintas, como também para prevenir o envelhecimento e o câncer é dizer não à exposição solar desprotegida.

A diferença de tonalidade das pintas influencia em alguma coisa?

Dra. Carolina Rutkowski: Sim. Pintas com várias cores, ou que apresentem alteração na pigmentação ao longo do tempo são suspeitas e merecem avaliação dermatológica.

Por exemplo, as pintas vermelhinhas, que parecem ter sangue, são mais perigosas?

Dra. Carolina Rutkowski: Essas ‘pintas vermelhinhas’ são chamadas ‘nevos rubi’ ou ‘hemangiomas rubi’. São formadas pela proliferação e dilatação de pequenos vasos sanguíneos e tendem a aumentar em tamanho e número com o avançar da idade.  São frequentes no tronco e sangram quando traumatizadas. Felizmente, trata-se de lesão benigna e não existe risco de transforma-se em câncer.

 

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