Presença de Aids na terceira idade aumentou 80% nos últimos 12 anos

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Na maioria dos casos a desinformação foi responsável pelo idoso ter adquirido a doença. Muitos idosos não sabem nem mesmo como usar preservativos
 

 

Redação Plena

 

A Aids atinge 0,4% da população brasileira – cerca de 734 mil pessoas. Deste total, 145 mil ainda não sabem que têm HIV, segundo dados do Ministério da Saúde.   
 
Como o assunto “sexo na terceira idade” ainda é um tabu, a discussão sobre a incidência da Aids nesta faixa da população ficou por muito tempo à margem das políticas públicas, das campanhas de prevenção e das conversas cotidianas. O resultado disto: a presença do HIV na terceira idade cresceu mais de 80% nos últimos 12 anos, segundo o Ministério da Saúde, na maioria dos casos a desinformação foi responsável pelo idoso ter adquirido a doença.
 
Nos últimos anos, a incidência de AIDS em pessoas com mais de 50 anos cresceu bastante, preocupando as autoridades sanitárias. Se o primeiro caso surgido nessa faixa etária no Brasil foi em 1987 (sete anos após o aparecimento da doença no País), hoje essa parcela já responde por 9% das notificações. 
 
O avanço da Aids entre o público com mais de 60 anos está associado a uma junção de diversos fatores, como o arsenal de medicamentos disponível para disfunção erétil, que prolongou a vida sexual das pessoas, o aumento da expectativa de vida, gerando uma parcela grande de idosos na sociedade, e, possivelmente, a resistência ao uso de preservativos. Teoricamente, os mais jovens já nasceram em uma cultura na qual o uso da camisinha é uma realidade, por isso teriam menor dificuldade em assimilar o uso.
 
Uma preocupação adicional com o os idosos é a possibilidade, com o diagnóstico positivo de HIV, de prescrição de medicamentos com fortes efeitos colaterais, ainda mais para pacientes com uma saúde frágil. Entre outros efeitos provocados pelos anti-retrovirais, estão os riscos de infarto, diabetes e insuficiência renal. Por isso, a necessidade ainda maior da prevenção. 
 
Diálogo
 
O reflexo da falta de diálogo está no Diagnóstico. Muitos idosos não usam preservativo porque acham que não precisam ou por medo de perder a ereção ao colocar a camisinha. Segundo especialistas, muitos não sabem se têm a doença porque os médicos nunca tocam no assunto. Já os soropositivos não têm ideia de quando contraíram o vírus.
 
A mídia em geral fala muito sobre a Aids entre os jovens e adultos. Mas pouco se fala sobre a doença na população idosa. Um estudo publicado na revista"Brazilian Journal of Infectious Diseases" assinala que a mortalidade por Aids entre idosos é 15% maior do que entre os jovens. 
 
“A explicação para a morte desses pacientes é que eles iniciaram o tratamento tarde demais”, afirma a professora Marise Oliveira Fonseca. “Muitos idosos não só desconhecem que estão infectados, como também nem chegam a suspeitar que são portadores do vírus HIV”, completa. 
 
Alerta 
 
A Aids não tem cura, mas os portadores do HIV dispõem de tratamento oferecido gratuitamente pelo Governo. Ao procurar ajuda médica, em um dos hospitais especializados em DST/AIDS, o paciente terá acesso ao tratamento anti-retroviral. Os objetivos do tratamento são prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente, pela redução da carga viral e reconstituição do sistema imunológico. O atendimento é garantido pelo SUS, por meio de sua rede de serviços. 
 
Por isso, a frase que ouvimos em todos os meios de comunicação nos últimos 30 anos vale para os jovens e para a “moçada da 3ª idade” também: “Faça sexo seguro. Use camisinha!”.
 

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