Sobrecarga de tarefas e despreparo podem levar o cuidador a sérios problemas de saúde

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“Só aquele que se cuida tem condições de cuidar bem do outro”, alerta vice-presidente da ONG Observatório da Longevidade Humana; veja algumas dicas

 

Redação Plena

 
A população brasileira está envelhecendo! De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente há no Brasil 22,9 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e estima-se que em 20 anos este número triplique. Com isso, a atividade de cuidador de idosos será de fundamental importância. No entanto, uma pesquisa informa que já em 2018 não haverá cuidadores suficientes para cuidar desta parcela da população.
 
Cuidar de um idoso envolve uma série de aspectos e particularidades, algo que requer atenção e dedicação. “É necessário ter profissionais bem treinados para exercerem a função da forma mais adequada, cuidando inclusive da própria saúde, uma vez que a atividade pode ser muito estressante. Só aquele que se cuida tem condições de cuidar bem do outro”, diz Carlos Lima, vice-presidente da ONG Observatório da Longevidade Humana (OLHE).
 
O cuidador – seja o que exerce a atividade como ocupação profissional ou o próprio familiar – lida com diversas situações no dia a dia que podem influenciar tanto sua saúde física quanto a emocional. A condição de saúde do idoso, o seu grau de dependência, a aceitação em ser cuidado e a relação com a família deste, são alguns dos pontos que podem vir a gerar estresse, colocando o cuidador sob o risco de problemas de saúde, exaustão e até esgotamento total.
 
Alguns idosos necessitam apenas de uma companhia para sair de casa, ir ao médico ou ajudá-los nas suas tarefas diárias, por exemplo. Mas a maioria dos cuidadores é contratada para cuidar de idosos que necessitam de cuidados mais intensos, como auxílio para o banho e outras atividades de manutenção da higiene pessoal, assistência na alimentação e transferência do leito ou cadeira de rodas, entre outras. Tudo isso envolve esforço físico e pode levar à estafa.
 
Um idoso com uma condição de saúde mais frágil e dependente necessita de mais atenção e cuidados que vão além da força física. Os que têm Doença de Alzheimer, por exemplo, requerem muita paciência por parte de seus cuidadores, uma vez que podem passar o dia fazendo a mesma pergunta e repetindo as mesmas ações. “Um paciente com DA também pode acusar o cuidador de não alimentá-lo, quando na realidade acabou de realizar a sua refeição, mas esqueceu. Situações como esta podem gerar desconfiança de maus tratos e criar atritos entre os familiares e o cuidador. Enfim, são inúmeros os acontecimentos na atenção a pessoas com maior grau de complexidade que podem levar à condição de estresse,”, alerta Lima.
 
Também é comum o cuidador estabelecer um vínculo emocional com o idoso do qual cuida. Desta maneira, acaba ficando triste e até mesmo sofrendo com o declínio da saúde e com a morte deste. “O cuidador também pode sentir a sensação de fracasso como se a piora da saúde do outro fosse decorrência da pouca qualidade do seu trabalho de cuidar. O que é um equívoco! Mais estressante ainda é que em caso de óbito, além de perder a pessoa, o profissional também perde o emprego”, explica Lima.
 
A fim de lidar bem com o estresse cotidiano e até mesmo amenizá-lo, o cuidador pode adotar medidas importantes, tais como, não se isolar, manter contatos sociais, ter atividades de lazer, cuidar da alimentação e da saúde e priorizar a prática regular de atividades físicas e exercícios de alongamento e relaxamento. “Manter-se bem informado é outro ponto primordial, devendo, portanto, participar de cursos para cuidadores, procurar grupos de apoio em instituições ou associações para discutir dificuldades, medos, e também ações exitosas, além de manter contato e trocar informações com outros cuidadores. Se necessário, buscar ajuda profissional, com psicólogos, por exemplo, visto que a atividade exercida envolve relações humanas de forma intensa”, finaliza Lima.
 
“Cuidar é Viver”
 
 Em parceria, a Danone Nutrição Especializada e a ONG Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento (OLHE) promovem em São Paulo o curso “Cuidar é Viver”, que visa à formação de cuidadores de idosos. Em dois anos de atuação, mais de 570 cuidadores já foram formados. Destes, 50% tiveram um incremento de um salário mínimo em seus rendimentos. A meta é formar 1.150 profissionais até 2016.
 
O curso tem duração de 112 horas, ou seja, cerca de três meses, e os alunos tem aulas teóricas e práticas com professores mestres e doutores e/ ou especialistas em gerontologia. O quadro de docentes é formado por advogado, assistente social, enfermeira, fisioterapeuta, nutricionista, médico geriatra, pedagogo e psicólogo. Os discentes também aprendem a cuidar de si e de sua autoestima, o que os prepara para lidarem com o estresse que o dia a dia da profissão de cuidador gera.
 

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