Terapia da boneca infantiliza os pacientes com Alzheimer ou traz benefícios?

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Psicóloga Simone Manzaro explica como deve ser feita esta abordagem e como a família deve lidar

 

por Mariana Parizotto

 
É muito comum nos grupos de discussões do Facebook dedicados ao Alzheimer familiares e cuidadores postarem fotos de seus entes queridos ninando bonecas. Na página Alzheimer: Amor & Renúncia , por exemplo, a cuidadora Lira Cecíclia mostra diariamente o apreço de sua mãe Aracy por bonecas (na foto acima), assim como Benedito, neto de Dona Adelina, registra em vídeos no Youtube os cuidados de sua avó com a “filhinha” Aurélia.
 
 
A Terapia da boneca em pessoas com demência vem ganhando reconhecimento por parte de pesquisadores da área de intervenções não-farmacológicas, embora não seja recomendada para todos. Esta estratégia algumas vezes não é aceita na família, especialmente por parte dos filhos e cônjuge, pois muitos a veem como humilhante, degradante e que infantiliza o idoso. Mas a ideia não é esta.
 
Diversos estudos demonstram reais benefícios desta abordagem para as pessoas com Doença de Alzheimer. Conversamos com a psicóloga Simone Manzaro, que é voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz. sobre esta prática e como deve ser aplicada pelos cuidadores.
 
Confira:
 
 
Por que pacientes com Alzheimer, principalmente mulheres, gostam de brincar de boneca?
Acredito que pela própria história da mulher na sociedade, que sempre carregou o papel de cuidados para com a família e, principalmente os filhos. Quando se tem uma demência a pessoa meio que fica sem esse papel social e, talvez, a boneca, possa fazer com que se sinta útil novamente, dando um novo sentido a sua vida, trazendo lembranças maternais, devemos sempre auxiliar a pessoa com Alzheimer a ressignificar a sua vida, independente da fase da doença, de uma forma didática para tal momento.
 
 
Esta prática deve ser incentivada? Por quê?
Tudo deve ser pensado com cuidado, do mesmo jeito que, alguns pacientes se dão muito bem com a introdução de uma boneca, outros podem não gostar e até ficarem estressados e agressivos com a presença desta, ou seja, não serve para todos.
 
Primeiramente, é necessário conversar sobre essa intervenção com a família, pois, a maioria não aceita e acredita que, o idoso será infantilizado e para eles, isso é humilhante.
 
Sugere-se que o bebê seja o mais parecido possível com um “bebê normal” e que a introdução deste bebê seja feita aos poucos e de forma espontânea, a pessoa com Alzheimer deve querer segurar a boneca e não ser forçada a isso. Diga a pessoa: “Oi, você quer segurar um pouquinho o bebê?” e aguarde uma reação. Só evite colocar o bebê em pacotes, pois tira a noção do que é real.
 
A prática só deve se incentivada se, a pessoa demonstrar que quer ficar com o bebê, caso contrário, não insista.
 
E por fim, é importante procurar um profissional que detenha o conhecimento e prática dessa técnica.
 
Há comprovação de algum benefício da Terapia da Boneca para pacientes com Alzheimer?
Existem diversos estudos que comprovam cientificamente os benefícios dessa intervenção para as pessoas com Alzheimer. A terapia com a boneca conforta, tranquiliza, acalma, reduz a agressividade e agitação, estimula e promove uma melhora na qualidade de vida dessas pessoas e dos seus familiares/cuidadores também. 
 
 

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