Você já ouviu falar em Transtorno Explosivo Intermitente? Saiba que essa doença acomete 3% dos brasileiros

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Pacientes com TEI tem dificuldade para controlar sua agressividade e podem desenvolver doenças do coração, enxaquecas, problemas digestivos, insônia, ansiedade, depressão, hipertensão arterial e enfartes

 

Redação Plena

 
A agressividade é inerente ao ser humano e representa uma maneira de se proteger contra ameaças externas. Quando ela é excessiva, foge ao controle, torna-se destrutiva, causa problemas nas relações pessoais, profissionais e na qualidade de vida do indivíduo.
 
O Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) é um transtorno em que o paciente tem dificuldade para controlar sua agressividade, caracterizada pelo descontrole das emoções e gera manifestações de violência desproporcional ao evento estressor. De acordo com a Dra. Vânia Calazans, psicóloga, algumas pesquisas apontam a disfunção na produção da serotonina como uma das possíveis causas, além de causas ambientais. Hoje, já se sabe que pessoas portadoras do TEI pertencem a famílias instáveis onde há casos de dependência de álcool e/ou drogas, explosões verbais e abusos físicos e/ou emocionais. Acredita-se que esse transtorno é transgeracional e as crianças aprendem por modelação a repetir o mesmo padrão de comportamento. Nessas famílias o comportamento explosivo e violento é recorrente.
 
“No Brasil, o TEI acomete cerca de 3% dos brasileiros. As atitudes dos pacientes não são premeditadas, trata-se de um impulso. Os portadores relatam que, às vezes, por uma fração de segundos, têm consciência do que está por ocorrer, mas não conseguem se controlar. Eles dizem que esses momentos são precedidos de excitação crescente, alto nível de tensão, palpitações, fadiga, tremores, palpitações, aperto no peito, tensão nas costas, forte pressão na cabeça e pensamentos raivosos, que os levam a agir agressivamente. Os episódios podem durar em média de 20 a 30 minutos e após o ocorrido, os portadores sentem alívio da tensão, além de acreditam que seus comportamentos são justificáveis. Invariavelmente, quando conseguem pensar com mais calma sentem-se arrependidos, com vergonha, culpados, tristes e confusos. Esse comportamento violento é mais comum em homens do que em mulheres”, explica Vânia.
 
Consequências do TEI
 
Indivíduos com esse transtorno podem sofrer inúmeras consequências negativas em sua vida, entre elas perda de emprego, suspensão ou expulsão escolar, divórcio, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, acidentes, hospitalização ou detenções.
 
Pesquisas recentes também confirmam que ataques frequentes de raiva podem abalar o corpo físico, a mente e a psique de quem a sente. Hoje, sabe-se que os hormônios do estresse, cortisol e adrenalina, produzidos em grande quantidade pelo organismo durante os acessos de raiva, contraem os vasos sanguíneos e fazem subir a pressão arterial e o ritmo cardíaco. “Achávamos que esses efeitos desaparecessem depois da crise, mas as artérias de pessoas sujeitas a frequentes impulsos de ira e de agressividade tendem a endurecer e a degenerar mais rapidamente do que as de pessoas mais calmas, o que leva o paciente a desenvolver doenças do coração, enxaquecas e dores de cabeça, problemas digestivos e dores no abdômen, insônia, ansiedade, depressão, hipertensão arterial, doenças da pele como eczemas, ataques do coração e enfartes”, conta Vânia.
 
Tratamentos
 
O tratamento para quem sofre de TEI requer uma combinação de psicoterapia com medicamentos para ansiedade e depressão. "A literatura especializada aponta que o tratamento psicoterápico traz os melhores resultados para o paciente, pois ele oferece ferramentas para que aprenda a gerenciar o sentimento de raiva e externar suas emoções", finaliza Vânia.
 

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