Alzheimer: contar ou não contar o diagnóstico ao paciente?

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Segundo um estudo, grande parte ddos familiares não gostaria de contar o diagnóstico ao seu ente querido, mas, gostariam de saber se eles tivessem a doença. Veja o que diz a psicóloga Simone Manzaro

 

Por Mariana Parizotto

 
 
Contar ou não contar para o paciente que ele tem Alzehimer? Essa é uma das questões mais delicadas enfrentadas pelas famílias com um ente querido acometido pela doença. Segundo um estudo do professor e neurologista Paulo Bertolucci,  grande parte das famílias não gostaria de contar o diagnóstico ao seu ente querido, mas, gostariam de saber se elas tivessem a doença. 
 
Entre os argumentos dos familiares para omitir o diagnóstico estão o fato de que a revelação não fará diferença –já que o doente vai esquecer mesmo– e o medo de que a informação trague mais prejuízo do que benefício.
 
Consultamos a psicóloga Simone Manzaro, que também faz atendimento voluntário pela Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), sobre o que é mais ético fazer neste momento. Veja a entrevista:
 
 
– No momento do diagnóstico, o paciente deve ser avisado que tem Alzheimer ou a família pode omitir?
Acredito que neste dado momento é preciso uma postura ética e de bom senso do profissional de saúde para explicar a situação. O que se fala e como se fala faz diferença e, principalmente a preocupação em como o paciente vai compreender o que foi dito.
 
Existem dois parâmetros: Aqueles que contam como uma forma do idoso se organizar e/ou reorganizar sua vida, dando tempo também à família, de buscar suporte para ajudá-los neste momento; e àqueles que preferem omitir, para evitar mais sofrimento.
 
Existe um estudo do professor Bertolucci (2006), que mostra que grande parte das famílias não gostaria de contar o diagnóstico ao seu ente querido, mas, gostariam de saber se elas tivessem a doença. 
 
– Na sua opinião, o que é melhor a ser feito? Em quais casos a família não deve avisar?
Sabemos que é dever do profissional de Medicina contar ao paciente sobre o diagnóstico, por uma questão ética e de direito do paciente, porém, acredito que devemos optar sempre pelo lado humanizado de qualquer atendimento. 
 
Em minha opinião, acredito que contar ou não, deve ser uma decisão tomada conjuntamente com a família e que esta tenha a decisão final. Só a família sabe o grau de resiliência de seu ente querido para aceitar ou não essa nova condição.
 
Essa decisão deve ser pensada e repensada sempre, principalmente se vai valer a pena causar sofrimento passageiro no outro. A pessoa pode esquecer, mas o corpo registrará o momento de dor.
 
– O fato do paciente saber que tem Alzheimer pode piorar o quadro ou desencadear depressão?
O diagnóstico de qualquer doença (com tratamento ou sem cura) é sempre um fator que traz muito medo e também consequências psicológicas e sociais tanto para o paciente como para a família. Quanto mais precoce ocorre o diagnóstico, mais afeta a saúde, bem-estar, relações emocionais e alterações de hábitos de vida.
 
Contar sobre o diagnóstico pode causar depressão, desânimo e certa desmotivação por não compreender o prognóstico, essa situação pode sim, influenciar em todo o tratamento.
 
 
 
 

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