Alzheimer: o que fazer quando o paciente não aceita o cuidador?

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A dificuldade em aceitar um cuidador faz parte da doença, assim como a agressividade. A psicóloga Simone Manzaro aponta algumas estratégias que podem ser adotas pelos familiares e pelos cuidadores.

Redação Plena

Muitos familiares de idosos com Alzheimer relatam dificuldades para fazer o paciente aceitar o cuidador. Para ajudar as famílias a conduzirem melhor esta situação, conversamos com a psicóloga Simone Manzaro, voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz.

Confira:

Por que pacientes com Alzheimer ou outras demências são resistentes em relação aos cuidadores?

A dificuldade em aceitar um cuidador faz parte da doença, mesmo porque a pessoa sente seu espaço e privacidade sendo invadidos por um estranho. Primeiramente a família deve entender que é necessário criar estratégias durante todo o tempo para manejar esse paciente. Não existe o certo ou errado. Existe aquela estratégia que melhor se adapta a determinada pessoa.

Sempre sugiro que a família introduza o cuidador de uma forma cuidadosa. Nem toda pessoa quer ter um cuidador em casa. Então, dizer coisas como: “Olha mãe/pai, essa aqui é a Maria, vai nos ajudar com alguns afazeres aqui em casa”, ou então, “Pai, contratei um motorista para nós, agora o senhor vai poder passear quando quiser”, dessa forma o cuidador aos poucos vai assumindo o seu papel real, tudo isso, apenas para não usar a palavra ‘cuidador’, que ocultamente pode significar para eles, estar incapaz.

É comum os pacientes agirem com agressividade com os cuidadores. Porque isso acontece?

A agressividade faz parte da doença e, quando se trata de cuidadores, fica um pouco mais intensa. Primeiramente porque existe uma pessoa ‘estranha’ no lar que pode gerar desconfiança, medo, irritação entre outros sentimentos confusos. Segundo, porque nem todas as pessoas com a doença querem receber ordens e viver às regras de outras pessoas. Principalmente no início da doença, quando a pessoa tem mais consciência das coisas, não poder decidir sobre si próprio causa frustração e como consequência agressividade. É importante que, não só a família como também o cuidador entendam que essas situações são da doença e não algo pessoal.

E o que os cuidadores podem fazer para “conquistar” a confiança do paciente?

Primeiramente, a família não deve forçar situações, nem tampouco querer que a pessoa com a doença aceite de forma passiva. É preciso de um trabalho de muita paciência para explicar que neste momento, precisa-se de ajuda externa, e que uma pessoa para ajudar será muito importante.

O cuidador deve ser bem escolhido principalmente, levando em conta a empatia que se tem com o paciente. Se aproximar com cuidado, falar baixo e com carinho são as primeiras impressões que o paciente terá dessa pessoa e que ficarão registrados. Com carinho e paciência, aos poucos a relação vai ficando mais próxima. Sugiro sempre que, para uma paciente uma cuidadora e, para um paciente um cuidador, ter respeito, privacidade e dignidade respeitados já é um grande passo para conquistar a confiança.

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