Autoajuda digital: páginas e comunidades nas redes sociais sobre Alzheimer ganham cada vez mais adeptos

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Psicóloga explica que o compartilhamento de experiências e a troca de informações servem de consolo e alívio para familiares e cuidadores

 

Por Mariana Parizotto

 
Já se foi o tempo em que as redes sociais eram apenas espaço de entretenimento. Pessoas trocam diariamente informações profissionais, arrumam empregos, reclamam sobre produtos e empresas, compartilham experiências, pedem dicas. Mais do que isso. As redes sociais viraram um ponto de encontro de grupos. Milhares de páginas tratam do tema “Alzheimer”, familiares criam perfis para contar a história de vida de seus parentes acometidos pela doença, cuidadores falam sobre suas dificuldades e motivam uns aos outros.
 
Segundo a psicóloga Simone de Cássia Freitas Manzaro, este movimento se assimila aos grupos de autoajuda. “Eu não chamaria de ‘terapia’ propriamente dita, mas sim o compartilhamento de experiências enquanto cuidadores, problemas, dicas, desabafos e, principalmente, de observar que existem muitas outras pessoas vivendo situação semelhante. Isto serve de acalanto, de consolo e muitas vezes de alívio, pois podem perceber que não estão sozinhas nesta caminhada”, explica a especialista que também é voluntária na Associação Brasileira de Alzheimer-ABRAz.
 
A página do Facebook ‘Alzheimer – Minha mãe tem’, por exemplo, possui mais de 150 mil curtidas. O perfil mostra um pouco do dia a dia de Ana Heloisa Arnaut, que cuida de sua mãe, Anna Izabel Arnaut. Além dos relatos, Ana Heloísa publica vídeos emocionantes e desabafa sobre a dor de ver a mãe esquecendo pouco a pouco de suas lembranças e perdendo a autonomia. Cada postagem feita desencadeia uma série de compartilhamentos, curtidas e comentários.
 
“Esta interação que ocorre nas redes sociais é importante como um fator de compartilhamento de experiências semelhantes, que aliviam angústias, medos, que os preparam para futuras experiências, mas não pode substituir o contato com os profissionais de saúde”, alerta Simone Manzaro, ressaltando que o acompanhamento com um profissional ajuda este cuidador a não adoecer psicologicamente também.
 
A especialista também aconselha as pessoas a terem certo discernimento sobre as informações que são publicadas nos grupos. “É possível tirar muito proveito destas comunidades, mas há muita divulgação e propagação de informações erradas. As redes sociais ao mesmo tempo em que são um veículo de comunicação facilitador e que pode ajudar no sentido de divulgar conhecimento, dicas, experiências, também tem seu lado ruim, pois acabam disseminando notícias nem sempre verdadeiras e estas acabam sendo passadas sem cuidado algum, gerando inúmeras dúvidas”. Funciona mais ou menos assim, tudo o que alguém diz sobre a Doença de Alzheimer torna-se “verdade” para outra pessoa (mesmo que a informação esteja totalmente errada), logo, a pessoa que ouviu irá contar a outros essa informação, e assim se propaga uma notícia falsa.
 
Uma dos posts mais compartilhados no grupo do Facebook “Quem tem um Mal de Alzheimer em Casa?” diz respeito a uma suposta cura da doença. “Novos estudos surgem a cada semana, mas para ser a cura de fato, é preciso que muitos outros grupos de estudos façam a mesma experiência e comprovem sua eficácia, dessa forma, teremos algo próximo da cura. No momento, o que temos são pesquisas isoladas”, esclarece a especialista.
 
A psicóloga sugere aos familiares e cuidadores tirarem suas dúvidas sempre com algum profissional de saúde, “pode ser o Psicólogo, Psiquiatra, Clínico, Geriatra e o Neurologista, esses profissionais são habilitados para responder às perguntas sobre a doença. Ou ainda, procurem fontes idôneas como a Associação Brasileira de Alzheimer- ABRAz, o site da ABRAz possui muita informação importante a cerca da Doença de Alzheimer, inclusive com endereços de grupos de ajuda que atuam de forma gratuita”.
 
 

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